Hábito de ler aprende-se em casa e continua na escola. Desde garoto, gostava de ler gibis, pois não havia essa fartura de livros que temos hoje. Inclusive éramos obrigados a escrever redações, ditados, cartas às namoradas, pedidos de empregos… Eram canetas à tinteiro e um mata-borrão de quebra. Na época também tínhamos em São Paulo diversos jornais como Ultima-Hora, Diário da Noite, A Gazeta Esportiva, Diário Popular, Estado de São Paulo, entre outros. O jornal que li pouco, mas que sempre dava confusão, chamava-se Pasquim.
Certa ocasião, resolvi participar de uma corrida de bicicleta chamada "Nove de Julho", realizada na Avenida Paulista e organizada pela fábrica de bicicletas Monark, com apoio de A Gazeta Esportiva. A Gazeta Esportiva era um jornal de muita credibilidade, onde os jornalistas faziam poesias nas suas reportagens.
Como eram muitos participantes, fui chamado pela Gazeta Esportiva para tirar uma foto com a camiseta e o número da inscrição. Fiquei muito feliz, embora não estava muito preparado para tal evento; mas queria competir e, garoto, já gostava muito de esportes. Fiquei muito feliz ao ver minha foto na Gazeta Esportiva, porém, não me lembro se saíra no dia seguinte ou dois dias depois.
Enfim, adquiri esse hábito de ler jornal com um amigo executivo da Monark a quem até hoje sou grato: o Elson Pena. Ele lia dois jornais por dia, estudava administração; era um intelectual na época, achava agradável aos olhos ver pessoas lendo livros, jornais, revistas, escrevendo…
Anos mais tarde, encontrei esse amigo numa loja do Mappin. Esse morava na Inglaterra, era executivo de uma indústria nacional de papel (aliás, fui convidado para trabalhar lá, numa cidade chamada Cadiff).
Os jornais de Sampa sempre tiveram uma relevância muito grande em minha vida e ainda tem! Um caso que me marcou também, numa dessas leituras de jornal de bairro, foi, ao estar num banheiro, li a missa de sétimo dia de um amigo, falecido num acidente de automóvel na BR116; estudou comigo e era meu coordenador numa academia de natação no bairro do Brooklin…
Compra-se, vende-se, trocam-se informações com muita facilidade. Esperamos que jornal nunca acabe!
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