Jardim São Luiz – sua paróquia, sua gente e suas quermesses

Desde criança, nos anos 1950 até os dias de hoje, acompanhamos o crescimento de nosso bairro assim como toda essa região sul-sudoeste e como todos os bairros começam com pequenas moradias sem nenhuma infraestrutura, mas já aparece concomitantemente um barzinho, um mercadinho, um campo de futebol e uma igreja, principalmente a Católica Apostólica Romana. Todas elas têm em comum começarem pequenininhas e com o passar do tempo tornam-se grandes paróquias. E nos últimos anos, com a expansão das religiões e seitas, também aparecem centenas de igrejas com os mais variados nomes.<br><br>No caso específico da Igreja Católica Apostólica Romana, são realizadas campanhas para adquirir numerários para as obras como material de construção em geral; são realizadas também, anualmente, principalmente nos mês de junho, as conhecidas quermesses em homenagens aos santos Antonio, João e Pedro, festas juninas.<br><br>No caso da paróquia de nosso bairro, Jardim São Luiz, temos nosso padroeiro de mesmo nome, São Luiz Gonzaga, Igreja esta fundada em meados do ano de 1950, situada na Rua Antonio da Mata Junior, 80. Também começou pequenina, uma simples capelinha, no alto do Jardim São Luiz, sentido ao Jardim Ibirapuera com acesso frontal por uma escadaria que começa no cruzamento das Avenidas Maria Coelho de Aguiar com a Rua Satulnino de Oliveira, nesse cruzamento tem a Praça Manoel Ferreira Simões, conhecida pelos antigos moradores como Largo do Abrigo, devido a ter ali um abrigo de ônibus (aquele abrigo antigo de chapa de aço e madeira da CMTC com cobertura em forma de meia-lua de uns 10m de comprimento).<br><br>Essa escadaria de concreto durante muitos anos era de terra, que em época de chuva ninguém subia. Ela é composta por 90 degraus, em duas vias, com canteiro central arborizado e dez plataformas de 4m cada para descanso, sendo cortada por uma rua intermediária no meio do morro que se chama Rua Joaquim Espinosa e o restante da subida é de 80m, asfaltada, que é a Rua Dr. Francisco Pires Martins, que termina na Rua Antonio da Mata Junior, que é a própria da igreja; atravessando a rua, vem propriamente o adro da Igreja, sua frente e sua escadaria final de mármore de mais 30 degraus com dois descansos de 2m cada. Enfim, aparece a porta monumental da paróquia, um bom trajeto que paga todos os pecados de quem resolve subir por ali. Vale dizer que a entrada pode ser feita por uma rampa para carros e pedestres em forma de semicírculo, onde nos casamentos os carros sobem por ela e deixa os noivos na porta de entrada para o interior da igreja.<br><br>Nosso Padre, há quase meio século, é o Pe. Edmundo da Mata; veio para essa localidade ainda recém-saído do seminário e assumiu a paróquia, onde permanece até os dias de hoje com grande trabalho na região, sendo várias vezes homenageado com o título de cidadão paulistano, Salva de Prata. Neste ano de 2012 recebeu o prêmio "Botina Amarela" em reconhecimento de seu trabalho em nossa comunidade, este prêmio é realizado todos os anos no Museu de Santo Amaro, Cetrasa, que outorga a quem fez e faz algo de bom no bairro, vale ressaltar que essas honrarias foram encabeçadas pelo nosso amigo paroquiano e um dos fiéis mais assíduos, Carlos Fatorelli, e também um dos mais antigos moradores do bairro.<br><br>A atual Igreja é a terceira e certamente a definitiva até por falta de espaço para ampliação, onde a primeira foi demolida, pois devia ter uns 100m² até aproximadamente os anos 1965, depois a segunda foi construída bem maior (com uns 250m²), até anos 1980, quando a definitiva foi construída por fora e depois de pronta a outra fora demolida (essa nova tem aproximadamente 800m² e deve ser a maior igreja católica da região em área e beleza).<br><br>Podemos dizer que esta igreja é a catedral do Distrito São Luiz, se isso fosse possível, pois a nossa catedral e de toda região é a de Campo Limpo. Mas, tudo isso se deve a comunidade cristã, participando com sua luta em unir-se, formando comissão de obras desde a primeira até a atual. Na construção da atual paróquia também participamos dessa comissão no período de 1981 a 1991, com aproximadamente 20 pessoas, onde a maioria dessa gente ficara até a conclusão da obra. Louve-se o trabalho dessa equipe fixa, que trabalhou diretamente nas quermesses, e muitos outros que indiretamente ajudaram de alguma forma, tanto financeiramente como apoio em geral, pois durante os anos alguns saíram e outros entraram.<br><br>Lembro da maioria dos colaboradores que participou dessa comissão, diretamente ligada à quermesse, principalmente porque pegaram pesado nas quermesses e, diga-se de passagem, que ela se realizou em meio à obra com todo material de construção, ora as barracas eram montadas de um lado da igreja, ora do outro lado, para não atrapalhar os pedreiros, durante a semana.<br><br>Durante esses dez anos de quermesse que participei era todos os domingos e durante cinco anos iniciais também era realizada aos sábados, normalmente das 18h até as 23h, e felizmente todas bem concorridas. Segue alguns nomes e funções básicas nessa quermesse que, vale salientar, eram todos os finais de semana e participávamos religiosamente, muitas vezes deixamos de passear, visitar alguém, ficar com a família para não faltar nesse empreendimento, pois éramos uma equipe pequena mas coesa, onde cada um trabalhava por duas ou três pessoas, pois as dificuldades eram enormes, trabalhávamos no meio de areia, tijolos, ferros retorcidos, barro, que nos exigia muita vitalidade.<br><br>Na barraca de bebidas trabalhávamos: Estan, Carlos, Sr. Antonio (falecido). Além de servir e receber, tínhamos que buscar as bebidas em caixas no salão da igreja, lembro que quando chovia íamos buscar as caixas de cerveja e refrigerantes em uma distância de 25m e descíamos com elas escorregando rua abaixo até as barracas, pois força não nos faltava. Todo final de quermesse saíamos desses eventos suados e cheirando churrasco, fumaça dos pés a cabeça.<br><br>Quantas encrencas tivemos que suportar, ameaças por qualquer motivo, felizmente foram poucas, mas algumas graves, pois a quermesse era aberta, sem porteira, entrava qualquer pessoa, mesmo sem consumir e alguns para arrumar confusão e a nossa barraca era sempre vítima, pois servia bebida alcoólica, mas muitos já vinham calibrados para a quermesse; fizemos muitas amizades e poucas inimizades. Na barraca do churrasco, anexa a da bebida, trabalhavam Dona Rosa e Sr. Agostinho, casal de portugueses, decanos do bairro, sempre se dedicaram a sua fé e seu trabalho em prol da paróquia, eram e são de uma dedicação ímpar a igreja, faziam os espetinhos, a carne louca, quentão e outros, tinha ajuda do Sebastião (bigode), a Wanda e D. Corina, hoje esse casal de portugueses, de sobrenome Teixeira, com idade avançada, ainda são feirantes e vão todos os domingos à missa.<br><br>O bingo era comandado pelo Dorival, presidente da comissão, e na equipe tinha Caiçara, falecido; Étore ou Heitor, falecido; Geraldo, falecido; Elcio; Germano e o Adão. A construção da igreja era comandada pelo Germano, que na quermesse ajudava no bingo, depois na construção assumiu o Sr. Ari, já falecido, que, juntamente com o Sr. Gentil, fazia a parte elétrica e ajudava na quermesse, também falecido.<br><br>No ano de 1991, com a igreja pronta no que diz respeito a sua construção e ter a capacidade de abrigar os fiéis para as missas, muitos saíram para dar entrada a outras turmas, alguns como a D. Rosa e Sr. Agostinho continuaram até início de 2000, pois a igreja levou mais dez anos para estar pronta por inteiro quanto ao acabamento, apesar de que sempre falta alguma coisa, que particularmente acho falta da torre, assim como outras paróquias de nossa região não possui a torre, mas dizem que fica para o futuro. Creio que a torre com o sino é uma tradição e um alerta que quando o sino toca é sinal que ali tem uma casa cristã e que Deus está ali, é uma tradição que está se acabando como a água benta em uma garrafa na parede e o confessionário tipo capelinha, são os tempos.<br><br>A partir dos anos 2000, com a igreja praticamente pronta, quanto à pintura, bancos novos, casa paroquial nova, a responsabilidade de continuar com as quermesses continuou, porém agora só uma vez ao ano no mês de julho, em todos os finais de semana, já com patrocínio, cartazes de mídia nos bares e padaria de nossa região. E, realmente, se tornou uma verdadeira quermesse com toda infraestrutura de barracas, coberturas, bilheterias, com direito a todos os típicos alimentos e bebidas de uma quermesse, com um ambiente muito bom, local confinado, totalmente diferente da época atrás, que apesar de ser feita com muito amor era muito difícil trabalhar pelo próprio arranjo do lugar.<br><br>Mas, nada é comparável às primeiras quermesses de nosso bairro: eram feitas na própria rua ainda de terra batida e as barracas ficavam como se fosse uma feira livre e a multidão, como sempre, lotava esse espaço e havia um detalhe diferente para uma quermesse, era o serviço de alto falante que ficava pendurado na cruz da igreja e o locutor Dorival comandava os pedidos de músicas para quem quisesse oferecer a alguém como se fossem os antigos parques de diversão e era comum anunciar: Fulano oferece essa canção de Roberto Carlos, Eu te amo, para a moça do casaco vermelho, cabelos loiros e longos, com muito amor e carinho. E geralmente dava certo.<br><br>Nesse depoimento, homenagem histórica para o povo jardinense, cristão católico, fica o reconhecimento de todos, desde a primeira igreja, onde destacamos os decanos do bairro como Sr. Ernesto Fatorelli, mestre de obra, Sr. Cirilo Bispo Nogueira, responsáveis pelos lambris, Sr. Étore e Sr. Agostinho que ajudaram a construir e participaram em todas as igrejas e a todos os outros tantos anônimos, sem nenhum registro para reconhecimento geral. Mas, sabemos que ali tem a mão de muita gente e que o neojardinense deveria saber que ali trabalharam e já partiram na graça de Deus e tem seu nome gravado nos anais cristãos aqui na terra como no céu, amém.<br><br><br>E-mail: [email protected]