Jantar de confraternização

O ano era 1976, eu e meus inseparáveis amigos de infância, o Afonso, o Zé Mário e o Sérgio, todos já na faixa dos 23/24 anos, bem apessoados, com bons empregos, carro, motos, etc., frequentávamos regularmente e assiduamente uma casa de dança que existia na Rua Desembargador Armando Fairbanks, na Cidade Universitária no Butantã, onde hoje acho que é uma agência dos correios de nome Sambalanço.<br><br> Com esses predicados, tínhamos mesas reservadas, os garçons nos atendiam com presteza e cortesia, pois deixávamos boas gorjetas, as garotas da casa também eram todas nossas amigas, etc. Imaginávamos que éramos os donos do mundo. Não tinha para ninguém.<br><br>Numa determinada noite, acho que era uma quinta-feira, como de costume, fomos para lá e quando chegamos, não tinha lugar para estacionar. Eu e o Zé Mário estávamos de moto e fomos colocá-las em um estacionamento próximo. Enquanto o Afonso e o Sérgio procuravam uma vaga nas proximidades para estacionarem seus carros.<br><br>Voltando do estacionamento, viramos a esquina e vimos o Afonso batendo boca com alguns senhores de paletó e gravata, pois, o Afonso inventou de colocar o seu carro em cima da calçada, justamente onde esse grupo de senhores estava conversando e como eles não saíram do local, o Afonso ameaçou de jogar o carro em cima deles. Dai dá confusão.<br><br>Eu e os meus amigos já estávamos em vias de colocar em prática os ensinamentos (de levantamento de peso sic,) que recebemos na academia, visto que no local já começava a juntar gente conhecida nossa (as garotas, os garçons, clientes, etc.) e seria um bom motivo para mostrar a todos quem éramos nós. E por aquele bando de velhotes de paletó e gravata para correr.<br><br>Bem, no meio daquela confusão, ameaçando entrar nas vias de fato, quando de repente recebemos voz de prisão, não de um, mas de todos os senhores envolvidos no conflito? Não é que o Afonso foi se meter justamente com os delegados de polícia que estavam participando do seu jantar de confraternização numa churrascaria que existia na Av. Waldemar Ferreira próximo ao rei das batidas, que no momento não me recordo o nome!<br><br>Em poucos segundos acho que todos Delegados de São Paulo apareceram por lá! Pensem numa confusão. Foi um tal de pedir desculpas, pelo amor de Deus, ligar para pai de um, amigo de outro, para evitar que fossemos presos!<br><br>Depois de mil desculpas e muitos telefonemas, conseguimos ser liberados, não sem antes levarmos o maior carão na frente de todo mundo. Depois já mais tranquilos, falamos para o Afonso:<br>- “Cara com tanta gente em São Paulo e você vai arrumar confusão logo com todos os delegados de polícia?”<br><br>Depois dessa dia, perdemos o título de reis da noite e viramos pobres mortais.<br><br><br>E-mail: [email protected]