A então General Motors do Brasil, antes de se instalar na gigantesca fábrica de São Caetano do Sul (1930), montou os primeiros automóveis "brasileiros" na Avenida Presidente Wilson (1925), ou seja, no Ipiranga. A Brasmotor, antes de se instalar no ABC, também esteve no Ipiranga onde, já nos anos 1940, montava automóveis Plymouth e caminhões Dodge, Fargo e DeSoto – todos americanos, da Chrysler. Na Vila Carioca, Ipiranga, do final dos anos 40 até meados de 50, a Continental, em fábrica de 5500m², também produziu muitos furgões e carrocerias de ônibus, embora infelizmente pouco mencionada em publicações específicas. A Brasinca, antes de ir para São Caetano, também no Ipiranga (anos 50), fabricava cabinas ("boléia") para os caminhões Fenemê que, por sua vez, vinham do Rio. Aliás, quando a Brasinca também passou a produzir carrocerias de ônibus similares às da Continental teriam sido a mesma empresa? Alguém pode me esclarecer? A Ford! Como esquecer? Desde 53, por mais ou menos meio século produziu caminhões nas gigantescas instalações – até há pouco tempo ainda em pé, imponentes – antes de se transferir para São Bernardo do Campo, estava encravada num pedaço do Ipiranga bem próximo tanto da Mooca como da Vila Prudente. A Ford, como sabemos, era uma referência no Ipiranga. A Massari, antes de se instalar na Vila Maria, fabricava caçambas basculantes, por exemplo, para também os Fenemê. Ainda no Ipiranga, a Companhia Studebaker de Automóveis, na então Rua da Grota Funda (depois Guamiranga), nos anos 40, montava caminhões da marca americana Studebaker (e outras marcas), tanto que, segundo o Jornal A Gazeta, de março de 48, essa concessionária chegou até a montar alguns dos primeiros trólebus paulistanos. Lá por 1958, Vemag e Scania-Vabis se instalam na Rua Guamiranga (Vila Carioca), tanto que a E. F. Santos-a-Jundiaí chegou a instalar a "Parada Vemag" (hoje, Estação Tamanduateí), dado o grande contingente de operários dessas fábricas. A Volkswagen, como é sabido, antes de erguer a colossal fábrica de São Bernardo, lá por 1953, começou a montar as primeiras Kombis "brasileiras" também na Presidente Wilson, ou seja, no Ipiranga. Outros nomes como Carbruno (adaptações e modificações de carrocerias) e um incontável número de pequenas fábricas e oficinas – que manufaturavam componentes e autopeças – também estiveram instaladas no Bairro histórico. Sem sombra de dúvida, é possível dizer que o Ipiranga, de um modo ou de outro, foi o "celeiro" (a semente) do atual gigante que é o parque automobilístico nacional. É certo que, concomitantemente com essas fábricas instaladas no Ipiranga, outras tantas (e importantes também) existiam noutros lugares, de São Paulo e do Brasil. Mas, à vista do exposto, cabe uma homenagem – em termos de memória, ao menos – ao passado glorioso do Ipiranga. Bairro tipicamente fabril, abrigou em seu solo aquelas que foram das pioneiras indústrias do setor automobilístico. Que fique, pois, em nome da memória paulistana, este registro.
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