Imaginação ou fantasma?

Pegando um fio da narrativa da Margarida (Assombração), lembrei-me de um fato que, até hoje, passa como um filme em minha memória.

Na casa do Cangaíba, todos os anos meu pai pintava todos os cômodos da casa quando ficava de férias se não fossemos viajar. Como na época a tinta era a óleo e com cheiro muito forte, ele pintava um cômodo por dia. Assim, quando ele pintava o quarto dele, todos iam dormir no meu quarto (éramos cinco), para não dormir inalando aquele cheiro. Móveis desmontados e pelo chão os colchões. Eu sempre ficava na parede, do lado oposto da porta. Para uma melhor ventilação, os vitrôs do banheiro e da cozinha ficavam abertos, assim como todas as portas internas.

Numa destas noites em que todos dormiam no meu quarto (acho que era verão, não lembro), a lua era cheia e estava enorme. Parecia que no quintal havia uma lâmpada acesa. Pelas frestas da veneziana, pequenos raios de luar chegavam até o corredor que ligava a cozinha à sala. Não sei por que estava acordada, eram altas horas da noite, todos dormiam, meu pai roncava.

Fiquei uns minutos ali, olhando aquela luminosidade entrando pelo quarto. De repente, vi como se fosse um vulto saindo da cozinha e indo em direção à sala. Não tinha nenhuma luz acesa na casa. Não consegui gritar, mas meu coração parecia que ia sair pela boca. Não ouvi ruído de espécie alguma. Se aquela "coisa" retornasse para a cozinha, eu iria acordar alguém. Como não aconteceu, fechei os olhos, me agarrei à minha avó que estava a meu lado e tentei dormir novamente. Nunca contei isto para meus pais… iriam achar que eu estava ficando maluca!

Mesmo assim, até hoje, quando lembro da cena me arrepio…

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