Após um período de decadência ele surge imponente e é marcado como símbolo da Avenida Paulista. Vilma Peramezza, uma advogada de muita competência entra em cena e por volta de 1984 inicia seu trabalho como síndica do Conjunto Nacional. Preocupada com a forma degradante que encontrou o prédio e mais o fato do local se transformar em um ponto negro da cidade, onde alguns desocupados agiam livremente furtando e incomodando as pessoas e somando-se aos moradores de rua, que ali encontravam um refúgio para passar a noite, teve a iniciativa firme e muita fé em Deus de recuperar este patrimônio.
Nos projetos que idealizou para sua vida, foi este, o de síndica, que ela abraçou e acreditou que algo de bom poderia ali realizar. E trabalhando com parcerias conseguiu realizar diversas obras de restauração do Conjunto. Sua meta no início era focada no ser humano, era com ele que estava preocupada e neste contexto arregaçou as mangas, colocando em prática suas ações com sabedoria e muita coragem. Outra preocupação foi com o lixo que por ali circulava e que era acumulado nos porões do edifício. Buscou então alternativas inteligentes para minimizar este problema e nos anos de 1990 iniciou a coleta seletiva do lixo que o condomínio produzia. Haja trabalho, mas um trabalho gratificante e de ser um exemplo para a cidade de São Paulo, pois o trabalho de seleta coletiva do lixo era praticamente uma novidade na nossa cidade, naquela época.
Sempre foi sua intenção melhorar a qualidade de vida das pessoas e aos poucos a reciclagem do lixo ganhou força e em 1999 começaram a aparecer as primeiras decorações de Natal com material reciclável que eram confeccionadas pelas comunidades carentes e que atingiam milhares de olhares na formosura que o Conjunto Nacional se apresentava. Desde então não parou mais e a cada ano as novidades surgiam para encantar os olhos de todos nós. Atualmente, por volta de seis toneladas de lixo são produzidas por dia no Conjunto e envolvendo duzentas pessoas trabalhando duro em todo o processo desde a coleta até a separação do lixo.
Ela investiu no espaço cultural e com o tempo ele ganhou força e foi o grande alicerce e contribuinte para o desenvolvimento do Conjunto Nacional. A livraria Cultura, antes pequena, também ganhou outro porte e hoje é muito bem frequentada. Os desafios foram grandes e ela os enfrentou com sabedoria e muita humanidade ao recuperar um local deteriorado e desmoralizado pelos paulistanos. Passo a passo o Conjunto Nacional foi obtendo o glamour de outrora e acabou influenciando e transformando a nossa querida Avenida Paulista.
Por todos estes anos, junto as suas frentes de trabalho procurou valorizar o patrimônio e seus funcionários e por estas e outras tantas razões, Vilma Peramezza se torna uma personalidade paulistana pelo trabalho de uma administração limpa e correta. O Conjunto Nacional admirado e conhecido por todos foi tombado e hoje com orgulho podemos dizer que ele é o símbolo da Avenida Paulista. Concordo com o que ela diz: "gente" é a grande riqueza da Avenida Paulista, lá transita "gente" de todos os lugares e logicamente passam também pelo Conjunto Nacional, daí seu grande sucesso.
Finalizo com uma citação de Fernando Pessoa, da qual ela dá ênfase: "Deus quer, o homem sonha e a obra nasce". Esta é uma simples homenagem à cidade de São Paulo, ao Conjunto Nacional e a nossa querida Vilma Peramezza que como cidadã tem feito sua parte, portanto merece o nosso carinhoso aplauso. Que ela continue nos encantando por muitos e muitos anos, eu, os paulistanos e a todos que por ali transitam.
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