Homenagem aos Mortos

Faço aqui um desabafo: será que sou a única saudosista que ainda não chegou na terceira idade ?
Queria fazer uma homenagem aos mortos; não aos parentes, mas aos locais que foram ícones na minha vida de consumista paulistana e que se foram recentemente.
Quem se lembra da Casa Pequena, loja de ferramentas da esquina da Cardeal Arcoverde com a Teodoro Sampaio, "onde as paralelas se encontram"? Que de pequena não tinha muito, estando mais para escura ou taciturna, nos seus dias estrebuchantes ?
E do Restaurante Parreirinha, onde se comia rã, na Rua Marquês de Itu (se não me falha a memória, essa danada), que se gabava de ter recebido várias celebridades artísticas na época em que o Centro abrigava a ribalta?
E do Lírico, restaurante-lanchonete da Líbero Badaró que vendia sanduíches sensacionais e tinha caixa registradora no balcão, ao alcance do grito dos garçons?
E da Casa Califórnia na Rua São Bento, que nos seus dias de moribunda oferecia, além da deliciosa lingüiça no sanduíche, baratas rolando pelo salão?
Tudo isso eu vi, eu vivi. Sem falar no Hilton da Avenida Ipiranga, no Restaurante Paddock da São Luís, e outros locais menos famosos… E preferi chegar à conclusão de que sempre vai haver locais que vêm e vão na cidade para a gente homenagear, senão a gente não tem história pra contar.