Década de 60, estávamos talvez no momento de maior transição da humanidade, corrida espacial, contracultura, mini-saia, Pelé, revoluções estudantis pipocando tanto aqui quanto mundo afora, Guerra Fria, Beatles, Roberto, Elvis, Rita Pavone, generais, censura, Che Guevara, Fidel, Kennedy, inocência, inocentes úteis, etc… etc…
Vivíamos praticamente no coração de São Paulo, no bairro onde aprendemos que era o "lugar onde quase tudo começou", no meu velho e querido Braz.
A partir daqui, gostaria de me dirigir nas próximas linhas às pessoas que conheceram, frequentaram e se deliciaram com os churros da Rua Ana Nery, 282, na Mooca baixa, lugar que era conhecido assim, "Mooca baixa".
Por analogia referente à frase dita por Jesus Cristo em certa parábola, "quem não cometeu nenhum pecado, atire a primeira pedra", repito “quem foi do Braz ou da Mooca baixa na época citada acima, e não conheceu e provou os churros da Rua Ana Nery, que atire a primeira pedra".
Lá era verdadeiramente um lugar mágico, mais ou menos uns quarenta metros quadrados, tamanho este que praticamente nenhum dos frequentadores notava. Aquelas paredes pareciam mais "janelas que iam ao infinito", que, praticamente ao olhá-las, quase sempre lá pela madrugada, nos faziam sonhar, viajar no tempo, refletir nas aventuras, nas festas, nos bailes, nas paixões que deixávamos horas antes. Sim, porque após qualquer evento de final de semana, tinha que terminar lá, a noite só acabava lá.
Mesmo quando não se tinha o que fazer ou aonde ir, esperávamos a madrugada para ir na Ana Nery tomar um café, feito exatamente como antigamente, e saborear uns churros, e logicamente pedir uma "roda" para viagem, que, aliás, justificava qualquer atraso (como, por exemplo, chegar às 07h00 da manhã em casa).
Até velório! Se por acaso coincidisse com o funcionamento da casa de churros, dávamos uma escapada e íamos lá.
Enfim, com motivo ou sem, toda madrugada de sexta ou de sábado, "tudo terminava lá".
Com certa tristeza, e praticamente sentindo uma sensação de que alguma parte de mim lá ficou, tento descobrir, me vem na lembrança "aquelas paredes", "aquele lugar", o "semblante" dos que lá serviam (a família do Toninho Garcia Lopes), o "burburinho" dos amigos que toda a vez em que lá estava sempre encontrava.
Insisto, tento não admitir, mas acabo tendo a certeza de que "tudo lá terminou".
Homenagem à família Garcia Lopes.
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