Histórias do futebol: episódios curiosos

Momentos curiosos sempre acontecem em jogos de futebol. Alguns hilariantes, outros espetaculares e às vezes alguns até trágicos. Relato a seguir quatro acontecimentos ocorridos em três jogos entre Santos x Palmeiras e um entre Santos x São Paulo. Para os dois primeiros não tenho a data precisa dos jogos, pois ficou na memória somente as curiosidades, mas seguramente foram entre 1953 e 1954.<br><br>1º jogo: – Santos x Palmeiras: Assisti a esse jogo das gerais do Estádio Municipal do Pacaembu. Jogava no Palmeiras nessa época, o melhor batedor da faltas de São Paulo e muito provavelmente do Brasil: Jair da Rosa Pinto (o Jajá da Barra Mansa). Houve uma falta a favor do Palmeiras há cerca de 15 metros da risca da grande área, quase frontal ao gol (do lado da Concha Acústica), um pouco mais a esquerda. Imediatamente o Santos iniciou a formação da barreira, mas o goleiro (Barbosinha), com gestos com as mãos, pedia para deixar livre. Pela localização que eu estava, quando o Jair chutou, tive a impressão que a bola iria para o canto esquerdo do goleiro, mas no meio do caminho ela fez uma curva e foi entrar no canto direito e Barbosinha ficou quase que estático no centro do gol. Lembro que um reporte esportivo, entrevistando Jair, perguntou, dentro de vários assuntos, se ele tinha algum segredo para bater faltas. Jair respondeu: – Tenho, mas vai morrer comigo. Em 28 de julho de 2005 veio a falecer, levando consigo o "seu segredo".<br><br>2º jogo: – Santos x Palmeiras: Não lembro se foi no Pacaembu ou no Parque Antártica. Esse jogo eu assisti pela televisão (TV Record – canal 7). Nessa época o time do Santos era bem modesto. Entre os onze clubes do Campeonato Paulista ele era o 6º. Além de São Paulo, Palmeiras e Corinthians, também a Portuguesa de Desportos e o Clube Atlético Ypiranga estavam melhores. Qualquer um do "trio de ferro", se perdesse para o Santos, seria uma tremenda zebra. Começa o jogo e o Palmeiras não se encontra em campo, é envolvido pelo Santos que termina o 1º tempo vencendo por 1 a 0. Na volta para o 2º tempo o Palmeiras é o 1º a entrar em campo. Alguns jogadores "batem bola" e outro grupo senta no gramado "batendo papo". O Santos demora para voltar e o Sílvio Luis, repórter de campo da TV Record, entra no gramado e dirige-se para o grupinho que estava sentado e de maneira irônica e sarcástica chega dizendo: – O que está acontecendo com o Palmeiras, perdendo um jogo fácil desse! O ponta esquerda Rodrigues "Tatu" vira-se para o repórter e diz: – Sílvio Luis, vai chamar o timinho do Santos, vai. Logo em seguida o Santos entra em campo e o jogo termina em 5 a 1 para o Palmeiras.<br><br>3º jogo: – Santos x Palmeiras: Dia 6 de março de 1958 – Estádio Municipal do Pacaembu. Ouvi a narração pela Rádio Jovem Pan. Esse jogo é de domínio público. Constantemente é lembrado, pois foi seguramente o mais espetacular e emocionante jogo disputado entre dois grandes clubes do futebol brasileiro. Começa o jogo e o Palmeiras sai na frente fazendo 1 a 0. Minutos depois o Santos empata e logo em seguida, e de virada, faz 2 a 1. O jogo continua e o Palmeiras empata 2 a 2. A partir daí o Santos tem uma sequência de três gols, terminando o 1º tempo em 5 a 2 para o time praiano. Nessa altura, torcedores do Palmeiras revoltados previam uma histórica goleada do Santos. Por sua vez, torcedores do Santos acreditavam em uma histórica goleada sobre o Palmeiras. Começa o 2º tempo. O Palmeiras volta com duas substituições e começa a fazer gols um atrás do outro chegando à inacreditável virada, passando a frente no placar: 6 a 5. O jogo se aproximava do final e quando faltavam sete minutos o Santos empata e faltando quatro minutos faz mais um decretando a 3ª e derradeira virada do jogo, vencendo por 7 a 6. Consta na imprensa da época relatos de cinco ataques cardíacos fatais, sendo que um deles teve origem no próprio Pacaembu. <br><br>4º jogo: Santos x São Paulo: Ocorrido em 31 de maio de 1942 – Estádio Municipal do Pacaembu. Assisti a esse jogo (com nove anos de idade) junto com meus pais. O que houve de surpreendente foram dois fatos incomuns, um curioso e outro trágico. O curioso foi que o ponta esquerda do São Paulo (Pardal), ao tentar chutar a bola, chutou a cabeça do goleiro do Santos (Capuano). O trágico foi a gravidade do lance que encerrou a carreira de um goleiro que estava apenas estreando no Santos. Escrevi com detalhes a história desse jogo no site do SPMC publicada em 19/10/2011. Quem não leu e deseja conhecê-la basta digitar no Google o seguinte título: "A trágica estréia de um goleiro argentino". <br><br><br>E-mail: [email protected]