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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas A rua Bravinha Autor(a): Aclibes Burgarelli - Conheça esse autor
História publicada em 20/06/2007

Nasci no Moinho Velho, Ipiranga, mais propriamente na Rua Dravinha, nº 9 (porque existia - e ainda existe a Rua Drava). Rua curta, mais ou menos 100 metros. Rua de terra batida, em declive não muito acentuado e que se caracterizava com a bela paisagem que existia. Ao longo da rua podia ser visto o Alto do Ipiranga, sem prédios ou construções altas. Quando chovia a rua transformava-se em barro e dificultava o tráfego de carroças. O lixo era coletado por uma carroça puxada por cinco cavalos; o leite era entregue em uma pequena carroça, fechada com uma porta na traseira e no interior algumas pedras de gelo. Correio...nem pensar. Gás, absolutamente nenhum. Os fogões eram aquecidos com carvão vegetal. Aliás, meu pai, no fundo do quintal, construiu um barracão de mais ou menos 50m² e o transformou em carvoaria e eu, sem poder reclamar, era o pequeno carvoeiro. Mas a profissão tinha lá suas vantagens. O carvoeiro necessitava de um bom banho à noite e isso somente era possível em uma banheira. Sim, minha casa possuía uma grande banheira de ferro, água de poço, aquecida com eletricidade e o indispensável sabão de cinzas, habilmente feito pela minha querida mãe (soda cáustica, restos de sebo de carne e cinzas de carvão queimado). Era uma beleza o banho cuja água terminava totalmente negra por causa do pó do carvão. Pois bem, na frente de minha casa meu pai colocou uma pequena placa, mais ou menos com estes dizeres: Carvoaria B.B. B.B. eram as letras do nome do meu pai, Benjamin, mas, as pessoas da época, ou melhor, os moradores da rua diziam "carvoaria bem bravinha", conotando o fato de meu pai ser muito sisudo. A rua, ao depois da segunda guerra mudou de nome e acredite quem quiser, a placa, inexplicavelmente, foi substituída por esta: RUA BRAVINHA. Até hoje não sei porque, é evidente que as alusões feitas pelos moradores é uma grande coincidência. A. Burgarelli.

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Publicado em 16/05/2012 Morei no começo da Rua Drava, entre 1956/1957, entre 04 e 05 anos de idade, minha mãe pagava aluguel numa casa cujo terreno era acidentado, no começo da rua lembro dos ovos de Páscoa Palmira, minha avó morava na rua onde começava a rua Drava na casa de uma Sra Alemã que se chamava Vera. Enviado por Roberto - [email protected]
Publicado em 17/06/2011 Parabéns. História é vida. É preciso saber viver. Enviado por Glaucia Rolim Rosa - [email protected]
Publicado em 23/07/2010 Caro amigo e adolescente profburga, bons e saudoso tempo, eu sou da rua belgrado o mané da quitanda, acredito que estivemos juntos com seu primo no Colégio Modelo, Profs. Irineu, Pedrinho e Nilo. Somos adolescentes da Sétima idade, jamais velhos. Um grande abraço. Enviado por Manoel Linares Pretel - [email protected]
Publicado em 07/04/2010 Conheci toda essa região, e lembro bem de como era. Rua Américo Samarone com suas chácaras, Bomba de vento. Em casa pra saber se o sabão de cinzas estava no ponto minha mãe injetava uma moeda de cobre "PATACA", dái confirmava se estava no ponto. Até hoje eu lamento de ter perdido a moeda "PATACA". Enviado por JCOliveira - [email protected]
Publicado em 19/05/2009 Caro Dr.Euclides Burgarelli
Interessantíma a memória do Bairro onde V.Excia.nasceu e tudo o que viveu em sua infancia.
Conhecendo-o pessoalmente, embora não nos vejamos ha muitos anos, sua história de vida é um exemplo e deveria publicar uma biografia de sua vida, para exemplo aos mais jovens.
Abraços
Enviado por Marilia e André Infanti - [email protected]
Publicado em 02/04/2008 Caro Aclibes
Viajei no tempo com seu relato. Meus avós eram italianos e moravam em um belo casarão neoclássico aqui em Belo Horizonte. O banheiro tinha a banheira de ferro e minha avó fazia o sabão de cinzas com a gordura de porco e cinzas do fogão a lenha que ficava na cozinha e fornecia também água aquecida para os banhos através da serpentina de cobre que dele saia.
O leiteiro passava de manhã em um caminhão e os moradores faziam fila para "tirar o litro", que era medido por uma torneira com uma garrafa grudada e virada para cima. (Anos 60)
Na pia do lavabo da sala de jantar, havia um sabonete bola pendurado por uma correntinha.
Essa casa era praticamente autosuficiente, pois quase tudo o que a família necessitava era produzido por lá mesmo. Tinha horta, pomar completo, criação de galinhas, porcos, cabras, coelhos, patos, oficina de marcenaria, quarto de costura com máquina de bordar e outra para só costurar, adega(que guardava além de vinho e aguardente, mantimentos, compotas etc.
Tudo isso em um terreno na área central de BH e com uns 1000m + ou -.
Não existia o desperdício, tudo era muito lógico. Uma pena se perder isso em troca dos confortos atuais.
Saudações,
Beth
Enviado por Beth - [email protected]
Publicado em 17/10/2007 Prezado Aclibes: tua história me fez lembrar de um colega do curso primário; também era filho de carvoeiro e ajudava o pai, após o horário escolar. Era uma atividade que ainda resistia —o ano era 1960—, pelos lados do Jaçanã na Zona Norte. Muito tocante este teu relato vivido e narrado. Após a leitura, fui dar uma olhada no guia de ruas da cidade. Anos atrás, me perdi pelas ruas do Moinho Velho, ao tentar escapar da avenida que nos leva à rodovia Anchieta. Da experiência retive um certo senso de localização; e, ao ler “A rua Bravinha”, fiquei a imaginar as vistas e “skylines” da tua infância. Tua história vivida nos subúrbios de São Paulo, e que presumo, sejam os anos da década de 1940, parecem saídos da pena de um Émile Zola ou Anatole France, acerca dos subúrbios parisienses de fins do século XIX. No mesmo guia, descubro também uma surpreendente coincidência: a rua Bravinha é uma pequena travessa da rua Anatole France. Enviado por Lúcio Kume - [email protected]
Publicado em 21/06/2007 De Dravinha essa rua passou a Bravinha, então deve ser mesmo uma homenagem a seu pai e à carvoaria. Belo relato ! Enviado por Luiz S.Saidenberg - [email protected]
Publicado em 20/06/2007 Coisas bem tipicas dos anos 1940-50, passei por tudo isso. Se bem que carvoeiro, nunca fui, mas amigo de carvoeiro, fui...de varios. No meu bairro tambem a entrega do leite era feito desse jeito. Agora sabão de cinzas, novidade para mim. belo texto Enviado por Mario Lopomo - [email protected]
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