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Categoria - Personagens Pesquisa Histórica Autor(a): Luiz C. Peron - Conheça esse autor
História publicada em 03/07/2014
O título pode enganar, mas é apenas o nome de uma pequena despretensiosa e real história:
 
Mudamos de São Paulo, para uma quase pequena cidade do interior, há mais de dez anos.
 
Pode parecer irreal, mas algumas caixas de papelão da mudança, continuam lacradas. Duvido que contenham qualquer coisa de importante. "Grana" com certeza não.
 
Estimulado por um e-mail recebido há alguns dias, resolvi tentar encontrar os "Salvo-Conduto" de meus avós italianos, cujas cópias tenho certeza de que estão em alguma daquelas referidas caixas. Não defiro dos idosos teimosos ou persistentes, e fui à luta!
 
Na primeira das caixas, talvez a mais empoeirada de todas, encontrei uma série de documentos, fotos amareladas, diplomas do curso primário meu e da esposa, dos pequenos... Fiquei admirando a caligrafia do preenchimento e invejando-a. 
 
Encontrei outras coisas, cuja importância o tempo apagou.
 
Mas, bem dobrada, uma folha de papel pautada, talvez de 50 x 50 cm, escrita com tinta e caneta mosquitinho. Lá estava a árvore genealógica de D.Pedro II completa até a sétima geração. Com locais, datas de nascimento e morte. Algumas pequenas rasuras e observações a lápis.
 
Como foi parar lá, francamente não sei. Não era minha, embora já a tivesse visto há muitos anos. Surrupiada? Garanto que não.
 
Frequentei, entre 1955 a 1958, o Ginásio Estadual Alexandre de Gusmão, onde o corpo docente era ocupado por professores... Professores... Berta, Cretela, Ferrari, Angelina e outras jóias do ensino. Havia também o Prof. José Bueno de Azevedo, monarquista ferrenho, que participava inclusive do programa "Desafio aos Catedráticos" se não me engano da rádio Cultura, juntamente com Menotti del`Pichia, Aristóteles Orsini e outros. 
 
Mas o referido professor (de história) tinha como característica principal não se preocupar com o programa escolar da matéria, fatos e datas, que dizia já estarem nos livros. Ele queria que os alunos desenvolvessem a árvore genealógica própria e dava notas mensais ao chamar cada um dos alunos perguntando se tinham algum fato novo a acrescentar em seu trabalho. 
 
Quando algum aluno trazia nova informação ou documento, ele o parabenizava e acrescentava notas às suas avaliações. Quando o aluno nada apresentava de novo, era criticado de forma contundente com termos pesados.
 
Usava um pequeno óculos e franzia a testa e o lábio superior ao tentar ler alguma coisa. Daí, os alunos o apelidaram de Bodinho.
 
Fazia questão de ressaltar que era “paulista quatrocentão”, além de repetir constantemente uma frase que hoje estaria perfeitamente atual: "Os amigos do rei serão sempre os primeiros".
 
Tentava nos ensinar: “Sejam espertos".
 
Até hoje, lembro-me como martelava repetidas vezes palavras para definir a tal de "pesquisa histórica": “Um nome, uma chave. Uma chave, dois nomes. Um nome... Isto é história, o resto não interessa.”
 
Nunca soube de alguém que ele tenha reprovado. Mas história, pelo menos eu, nada aprendi.
 
Tentou de todas as formas ser o paraninfo da nossa turma, mas a maioria não foi "amiga do Rei" e a escolhida foi Da. Angelina.
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Publicado em 22/07/2014

Caro Luiz,estive ausente por um tempo,mas retornei ao site,e lendo este seu relato escolar no Alexandre de Gusmão,me veio a mente o período de de 1990 em que meu filho tentou frequentar esta escola,pois eu morava perto dali.Ele tinha 9 anos e eu já havia tentado várias escolas particulares e semi especiais,para que ele ao menos se alfabetizasse...sem sucesso, lembro de ter saído dali cabisbaixa e com óculos escuros para esconder minha tristeza e as minhas lágrimas...

Hoje reconheço que a escola não teve culpa,meu filho precisou realmente de escola especializada para se alfabetizar...Ele foi um presente que Deus colocou em meu caminho com apenas 3 dias de vida e que a luta que eu tive para vê-lo crescer e se tornar independente foi a maior escola e o maior aprendizado que eu tive na vida...

Enviado por Walquiria - [email protected]
Publicado em 04/07/2014

Luiz, faz mais de dez anos que você mudou e ainda não desfez toda a mudança? Então você deve ser como eu, guarda até papel de bala.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 03/07/2014

Luiz, infelizmente muitos professores se enganam e se perdem no meio do caminho. Muitas vezes eu também me perdi, mas acreditava estar fazendo o melhor. Belo texto e ótimas memórias. Parabéns e um grande abraço.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 03/07/2014

Peron, eu quase fui para o Alexandre de Gusmão, mas meu pai preferiu a Escola Técnica São Carlos lá na Rua Costa Aguiar, mas seu professor tinha razão, os amigos do rei serão sempre os primeiros, parabéns pelo "histórico" texto.

Enviado por Nelinho - [email protected]
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