Leia as Histórias

Categoria - Outras histórias Bolachinha de nata Autor(a): Benedita Alves dos Anjos - Conheça esse autor
História publicada em 03/07/2014

No quintal uma fornalha,

Na cozinha de chão batido,minha mãe amassava as bolachinhas.

Ia no galinheiro, apanhava os ovos, o açúcar cristal do saco a um canto da sala.

Ia ao armário e apanhava a farinha, e nesse tempo não existia supermercado, então, tudo era à granel.

E o fermento era bicarbonato de sódio

Ah! e a manteiga que meu pai fazia, colhendo as natas do leite.

Então a fornalha era acesa, e o crepitar da lenha que estava meio molhada espantava algum bicho que por ventura havia.

E, quando só existiam brasas, já era hora de retirar tudo, cinzas e brasas, e já estava bem quente.

Varria com uma vassourinha e jogava uma folha de palha. Se acendesse, era hora de colocar os biscoitos.

E logo que assava, minha mãe retirava e guardava na lata.

Os biscoitos de polvilho eram a mesma coisa, a gente sentia o cheiro de longe.

E o polvilho minha mãe fazia com aquela paciência que só ela tinha.

E, na hora da partida, minha mãe fazia eu levar uma merenda.

E o trem apitava,

Uma bolachinha eu comia,

E as lágrimas pingavam.

E o trem na curva apitava,

E mais uma bolachinha eu comia.

E quando lá chegava,

No lavatório em baixo da pia,

As bolachinhas eu escondia.

E quando a saudade apertava,

No meu dia a dia,

Eu pro dormitório corria,

E mais uma bolachinha eu comia.

Mas eu economizava,

E, certo dia, enquanto procurava,

A doce bolachinha,

O fungo já esverdeava,

E tristemente no lixo eu jogava,

O resto da saudade.

E-mail: [email protected]
Localização da história
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 07/07/2014

Linda trova sobre biscoitos, não há como não gostar de biscoitos feitos em casa. Parabéns, Dos Anjos.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 04/07/2014

Você é de uma doçura só comparável às bolachinhas de nata. Linda sua história.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 03/07/2014

Benê do céu, que coisa linda! Você escreveu tão bem que o seu texto se tornou um filme colorido, manso e carregado de meiguice. Parabéns, minha querida. Você deu um show. Um beijo.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 03/07/2014

Benedita:

O resto, realmente, é saudade.....

Da singeleza de suas palavras; o carinho de quem guarda doces lembranças...

Meus humildes parabens....

Enviado por Luiz C. Peron - [email protected]
Publicado em 03/07/2014

Benedita, é realmente maravilhoso esse seu relato, um mixto de poesia e saudade de um tempo que já vai longe, parabéns pelo saudoso texto.

Enviado por Nelinho - [email protected]
« Anterior 1 Próxima »