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Categoria - São Paulo do século XXI E durma-se com um barulho desses! Autor(a): Hilton Takahashi - Conheça esse autor
História publicada em 27/06/2014
Poucos dias passados, uma emissora de rádio, – entre a Pan, Estadão, CBN e a Bandeirantes, não me recordo precisamente qual – transmitia reportagem externa sobre a praga urbana que são os poluidores sonoros com suas discotecas ambulantes. Espalhando seus ensurdecedores decibéis, perturbam os que sonham com a voz do silêncio e tranquilidade quando estão repousando para enfrentar as dificuldades e obrigações do dia seguinte. Isto seria o normal para a maioria dos indefesos trabalhadores.
 
Na Avenida Ricardo Jafet, bairro da Saúde, próximo ao Shopping Plaza Sul, a equipe jornalística interpelava diversos motoristas, alegres "no último". 
 
Indagada a respeito, uma jovem ao lado de seu acompanhante no interior de um destes "vistosos" e barulhentos veículos, declarou candidamente:
 
– É gostoso, todos olham prá gente! 
 
Confesso minha incapacidade de compreender tal raciocínio. Sinal dos tempos ou houve uma reviravolta no conceito de ser feliz e respeitar os direitos do próximo? Quanto mais progresso e modernidade maior a regressão?
 
Eles chegam intrépidos e mesmo à distância são ouvidos — durante o dia, noite ou madrugada. Não respeitam a proximidade de hospitais, escolas, igrejas ou delegacias. O desconforto é geral, principalmente entre idosos, crianças e enfermos. Trocando em miúdos, nos agridem a qualquer hora.
 
Existe a regulamentação (Lei 15.777/13) e decreto 54.734/13, publicados no Diário Oficial que coíbem a poluição sonora em carros. Mas quem respeita? Às vezes, o volume é tão intenso que faz vibrar nossas janelas e portas. E sem exageros, o chão e paredes. Quando fica estacionado defronte à nossa moradia, é o inferno total.
 
Quem já foi despertado abruptamente durante a madrugada e de raiva até perdeu o sono, certamente se mostrará solidário ao corriqueiro problema exposto. 
 
Invocando minha "síndrome de cachorro vira-lata", termo magistralmente criado por Nelson Rodrigues, peço a licença para relatar um pequeno fato que testemunhei durante os "longos fins de semana perdidos" em que (sobre)vivi na cidade de Tóquio:
 
Morei em uma estreita e minúscula ruazinha sem saída e na residência da esquina haviam dois cachorros soltos no enorme jardim típico japonês. Tomei conhecimento posteriormente, que lá residia uma professora de piano e seus familiares. 
 
Acreditem, nunca escutei o som de um acorde musical, a simples execução de " O bife" por um aluno principiante e nem sequer o latido dos cães. Aprendi como lá o respeito é sagrado e irrestrito.
 
Uma dúvida atroz sobrevoa minha cabeça e cabe a básica indagação: por que será que nunca ouvi nestes “veículos-discotecas”, um bom chorinho, uma boa MPB ou uma música clássica? E durma-se com um barulho desses!
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Publicado em 01/07/2014

Hilton, nada pior que o desrespeito e o egoísmo. Um desclassificado diz:"é gostoso, todos olham para a gente". Não tem nem a vergonha de se dizer carente??? Realmente, meu caro, está difícil demais lidar com essa praga chamada "falta de vergonha na cara". Nem sei como comentar o seu relato. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 28/06/2014

Hilton, atualmente estamos vivendo uma fase de total desrespeito ao próximo e uma crescente falta de educação e civilidade, e parece que a coisa vai piorar, é uma pena, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - [email protected]
Publicado em 27/06/2014

Pois é, Hilton, somos todos refens da mesma praga auditiva. Eu gosto, também de ouvir um pouco mais alto uma orquestra sinfônica mas, em casa. Nas ruas, um estrondo estranho que eles querem rotular de "música", é na verdade uma invasão aos ouvidos dos transeuntes. Parabéns pelo texto, Takahashi.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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