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Categoria - Personagens A surpresa Autor(a): Luiz C. Peron - Conheça esse autor
História publicada em 17/06/2014
Já há alguns anos longe de São Paulo, morando em uma ex-pacata cidade do interior, vou levando minha vida de aposentado brincando de trabalhar em uma pequena propriedade rural, herdada de meus pais... Vou executando trabalhos braçais principalmente em madeira, me contentando quando alguma sai próximo daquilo que imaginei...  Procuro me sentir útil.
 
Ao cair à tarde, volto para casa preocupado, não em descansar, mas em como passar as horas. Nesta época de Copa do Mundo, não dá para assistir televisão de tantas notícias, entrevistas, relatos a respeito. Embora goste de assistir pela TV um bom jogo... O excesso da mídia aborrece.
 
Após o jantar, venho até meu companheiro computador, e fico ora viajando através do Google Earth, ora procurando ouvir algumas músicas antigas, me deliciando com letras das mesmas, e admirando as analogias usadas pelos autores, para expor seus sentimentos...
 
Em um destes passeios, ouvi uma música... Rosa, de Pixinguinha...
 
E o arquivo da memória, volta ao filme ao início dos anos 60.
 
Jovem, jogava (pensava que) de zagueiro em um time da vila onde morava na Vila Nair, Ipiranga. E dentre alguns companheiros se destacava pela versatilidade, o Baltazar, na verdade Sebastião, um “negão” calado, sereno. Morava até que distante de nossa vila, para lá da estrada da Vergueiro, e nunca fazia parte da turminha que passava as noitinhas reunida na esquina perto da sede do time, contando piadas, pequenas aventuras, e se deliciando quando o nosso barítono Zampanô, nos acompanhava cantando cançonetas italianas...
 
Uma daquelas noites, a turminha já quase ia se desmanchando, quando surgiu o tal do Baltazar, carregando um violão. Aproximou-se despertando nossa curiosidade, principalmente pelo violão... Entre perguntas e piadas, começou dedilhar o instrumento e para nossa surpresa, cantou "Rosa"... E a extensa letra da música foi cantada até o final, para admiração da moçada...
 
E ao pedido de "canta outra", levantou-se e simplesmente disse:
- “Só sei esta...”
 
E foi-se embora, deixando-nos ali abolhados...
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Publicado em 23/06/2014

Luiz, Rosa é uma das musicas mais primorosas paginas musicais do nosso Brasil, parabéns pelo ótimo texto. E boa Copa.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - [email protected]
Publicado em 18/06/2014

Há pessoas de pouca fala, mas que transmite algo que enraíza em nossas lembranças que jamais esquecemos do fato. Aposentar é ir para o aposento, coisa que devemos "aposentar" e cuidar de algo como afazeres para preencher a mente de coisas úteis.

Enviado por Carlos Fatorelli - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Luiz, em época de copa a midia absorve a maioria dos programas, mas sempre sobra tempo para uma boa música, e a Vila Nair é minha velha conhecida, tenho parentes que ainda moram lá, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Que engraçado, Luiz. Hoje eu estava cantado "Rosa" sem saber que você havia escrito algo sobre ela. É a mais extensa letra de música brasileira. Lindíssima. Quanto ao seu texto, uma delícia. Parabéns e gostei de saber que você gosta de trabalhar numa pequena propriedade rural. Estou pensando seriamente em adquirir uma e aprender a lidar com a terra e plantar alguma coisa. Deve ser divino. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Curioso e bem trabalhado texto de entretenimento, com pinceladas de um modernismo atuante. Bela proza, Luiz, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Muito bom, humor muito fino! Gostei... ainda estou rindo...

Abraço do Ignacio

Enviado por Joaquim Ignácio de Souza Netto - [email protected]
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