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Categoria - Personagens Meu pai e os três batutas do sertão Autor(a): Nelinho - Conheça esse autor
História publicada em 16/06/2014
Ontem tive um dia movimentadíssimo, pela manhã fui ao velório de um companheiro de trabalho da minha esposa, foi lá no Araçá. Após o almoço, fui ao Colégio São Francisco Xavier, aqui no Ipiranga, para ver os meus netinhos participarem das danças na festa junina. Após saborear milho verde, pastel de palmito, espetinho de linguiça e um crepe de queijo, tudo isso acompanhado de duas Skols em lata, fui para casa descansar. Minha esposa ficou por lá com o resto da família.
 
Cheguei em casa por volta das 19h.... Quando estava quase cochilando no sofá, a surpresa! o meu vizinho voltou a tocar o seu piano, que há muito tempo eu não ouvia! Entre muitas melodias que ele tocou duas delas me emocionaram muito. Foram duas toadas sertanejas que me fizeram lembrar de meu falecido pai. Enquanto eu ouvia as músicas, meus pensamentos se dirigiram para a velha casa onde meu avô morava, lá Rua Lucas Obes, 473. Nós não tínhamos rádio e morávamos na Rua Agostinho Gomes. Após o jantar íamos na casa do vovô para meu pai ouvir um programa que era apresentado na antiga Rádio Record chamado "Os três Batutas do Sertão", o trio formado por Raul Torres, Florêncio e Rielli, patrocinado pelo Sabão Minerva e era transmitido no horário das 19 às 19h30min, às segundas, quartas e sextas-feiras. Eles cantavam músicas chamadas "caipiras" e no início do programa o trio anunciava o patrocinador com uma música que dizia:
 
"Boa noite meus senhores, ‘acabemos’ de ‘chegá’
Boa noite meus senhores, ‘acabemos’ de ‘chegá’
Uai, uai, acabemos de ‘chegá’,
Junto com o Sabão Minerva
O sabão melhor que há...”
 
Duas músicas que eram interpretadas pelo trio eram as preferidas de meu pai, seus títulos eram "Colcha de Retalhos" e "Mourão da Porteira". Sempre que ele estava lidando com alguma coisa em casa, eu ouvia ele cantarolar essas composições. Assim, peço permissão aos meus amigos para transcrever abaixo as letras dessas canções em homenagem ao meu querido pai que partiu tão cedo:
 
Mourão da Porteira
 
"Lá no mourão esquerdo da porteira, onde encontrei você ‘prá’ despedir.
Uma lembrança minha derradeira, é um versinho que nele escrevi.
 
Você às vezes passa esbarrando nele. E a porteira bate ‘prá’ avisar.
Você não lembra que sinal é aquele. E nem sequer se lembra de olhar.
 
Aqui tão longe, pego na viola. E aquele verso começo a cantar.
Uma saudade é a dor que não consola. Quanto mais dói, a gente quer lembrar.
 
Você talvez não sabe o que é saudade. Uma lembrança você nunca sentiu.
Pois de esquecer às vezes tinha vontade. Esta vontade meu peito feriu.
 
No dia que doer seu coração. Sentindo a dor que eu também senti.
Você chorando passa no mourão. E lê os versos que nele escrevi.”
 
E a outra música infelizmente eu não me lembro da letra completa, só me vem à mente alguns versos que eram assim:
Colcha de retalhos
 
"Eu sei que hoje não te lembras dos dias amargos
Que junto de mim fizeste um lindo trabalho.
E nessa sua vida alegre tens o que queres
Eu sei que esqueceste agora a colcha de retalhos.
Agora na vida rica que estás vivendo
Terás como agasalho colcha de cetim,
Mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo
Tu hás de lembrar da colcha e também de mim...”
 
O vizinho tocou ainda mais algumas músicas românticas, mas essas duas mexeram com o meu coração, me transportaram no tempo e me fizeram verter algumas lágrimas. Saudades de meu querido pai, tenho certeza que ele, de onde estiver talvez esteja lendo estas minhas palavras. Que Deus o ilumine.
 
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Publicado em 20/08/2014

Há que bom é recordar, meus 12/13 anos de idade foi dessa época, radio record, radio excelsior, difudora, america do Hnô Totico, do Cartorio de Protestos com o Fazolin etc,existia tb. acho que na tupy aos finais do domingo a Festa na Roça, onde no final do programa o Lulu Belencase, cantava, Toca bandinha toca, vai tocando sem parar, vê se faz esta saudade ir bater noutro lugar, Parabens [email protected]

Enviado por João Marquezin - [email protected]
Publicado em 18/06/2014

Nelinho como e bom a gente lembrar dos velhos tempos , das musicas sertanejas. Como quando fui taxista eu saia muito cedo para trabalhar eu ligava o radio e escutava musicas sertanejas , ate quando dava pois quando chegava depois das 7 , ou mudava de estacao ou apagava o radio . Mas ate hoje eu tenho uns Cds desse tipo de musica e dentre eles um da Cascatinha e Inhana e a Colcha de Retalhos e uma das minhas preferidas. Parabens pelas velhas lembrancas .Abracos Felix

Enviado por João Felix - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Nelinho, querido, que memória a sua, irmão. "Os tres Batutas do Sertão", é claro que me lembro, minha mãe era LOUCA PRA OUVIR ESSE PROGRAMA. Torres, Florêncio e Rieli, na Record. Feliz sua iniciativa, Nelinho, parabéns.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Nelinho, ôba! Beleza? O pessoal de minha mãe é oriundo de São Manuel, terra de Tonico e Tinoco e, meus avós, já morando em São Paulo na Borges Lagoa 1064, eram fanáticos pelos 3 Batutas do Sertão. Eu achava chato porque era no horário do programa de aventuras e do Nhô Totico e a Escolinha da d. Olinda na Rádio Cultura... Me lembro bem de meu avô ppedindo: - Tira desse 'pograma' e põe nos 'caboco'!

Abraço do Ignacio

Enviado por Joaquim Ignácio de Souza Netto - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Belíssima homenagem ao Pai ! Assim como o seu o meu também partiu cedo e nos momentos em que algo os trazem de volta (como as musicas que você citou) nos sentimos crianças outra vez, amparados por eles. Grande abraço.

Enviado por Alfred Delatti - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Nelinho, lá em casa a gente ouvia isso tudo e mais Cascatinha e Inhana.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 17/06/2014

Que coração bonito você tem, Nelinho. Eu já havia percebido isso em outras ocasiões. Você é uma pessoa exemplar, que não esconde respeito, sentimentos e saudades no melhor sentido. Parabéns pelo texto e, o melhor, parabéns mesmo pelo consideração pelo sr. seu pai. Um grande abraço.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 16/06/2014

Ontem realmente foi bem movimentado e cheio de saudades.

Chorar as vezes faz bem.

E que Deus abencoe seu pai onde ele estiver.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - [email protected]
Publicado em 16/06/2014

"Viajar" no tempo de nossos pais sempre nos trás a saudade de dias festivos onde nossas alegrias pareciam infindáveis...

Enviado por Carlos Fatorelli - [email protected]
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