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Categoria - Paisagens e lugares Na época dos cinemas em São Paulo Autor(a): Nelinho - Conheça esse autor
História publicada em 10/06/2014
No último domingo fui à Panificadora Larsol para adquirir 1 litro de leite e os pães para o lanche da noite. Os frequentadores são quase sempre os mesmos. Enquanto esperamos o atendimento vamos entabulando conversações sobre política, futebol, fazendo piadas e gozações com os atenciosos balconistas da panificadora.
 
A fornada de pães ainda não havia chegado nos cestos e a atendente nos informou que haveria uma demora de 10 minutos. Enquanto aguardávamos, formamos uma rodinha no balcão e começamos um alegre bate-papo focando vários assuntos, quando alguém da turma lembrou do tempo em que se podia ir ao cinema com a família no bairro e no centro da cidade, e as matinês aqui no bairro do Ipiranga.
 
Assim cada um foi lembrando de um cinema e um filme que deixou saudades. Foram citados vários títulos: Cine Comodoro, na Av. São João, com o filme "As Sete Maravilhas do Mundo"; Cine Itapura, na baixada do Glicério, com o filme "Assim Estava Escrito", com Lana Turner, Kirk Douglas, Walter Pidgeon e Dick Powel; Cine Ópera, na Rua Dom José de Barros, com o filme "Ticonderoga - O Forte da Vingança" em terceira dimensão; Olido, no Largo do Paissandu, com o filme "Tarde Demais Para Esquecer", com Cary Grant e Deborah Kerr; Cine Clímax, na Rua Espírito Santo, na Aclimação, com o filme "Da Terra Nascem Os Homens", com Gregory Peck e Jean Simons; Cine Alhambra, na Rua Direita, o filme "Deus lhe Pague", com Arturo de Cordova...
 
Aqui no Ipiranga tivemos os cinemas: Anchieta, Samarone, Paroquial, Pedro I, Monumento, Soberano, Maracanã e Ipiranga Palácio. Em 1953 o teto do Cine Anchieta desabou após a última sessão da noite, os filmes exibidos eram "Tarzan e a Fúria Selvagem" e "Bambi". Felizmente o fato ocorreu 2 horas após a sala já estar fechada. A reinauguração se deu em janeiro de 1954 com o filme "Canção do Sheik", com Kathryn Grayson e Gordon MacRae. O Cine Samarone foi inaugurado com o filme "As Chaves do Reino", com Gregory Peck, e encerrou suas atividades em 1969 com o filme "Perigo á Vista", filme brasileiro com Agnaldo Rayol. O cantor ficou na sala de espera dando autógrafos aos espectadores. Não preciso dizer que foi uma loucura com as meninas todas rodeando o Agnaldo!
 
Um dos mais velhos da turma ainda citou o Cine Trianon e lembrou do filme "Eles se Casam com as Morenas", com a Jane Russel. Antes dos pães chegarem quentinhos ao balcão, ainda lembrei quando no Paroquial assisti o filme "O Ébrio", com Vicente Celestino e Gilda de Abreu. Nesse filme a cena mais emocionante foi quando o Vicente está na mesa do boteco, já tomado pelo álcool, quando chega a Gilda, abatida e desgrenhada para pedir perdão pela traição; ele então lhe dá o perdão, ela imagina que vai haver uma reconciliação e voltar aos velhos tempos mas ele então diz: "eu disse que perdoava, mas não reconciliava". O filme termina com ela saindo pela porta afora. 
 
Chegou minha vez e encerramos o agradável momento de recordações de um tempo que não volta mais!
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Publicado em 20/06/2014

Muito boa esta sua narrativa...como já comentado pela rapaziada nos levou a tempos bem distantes.Entre estas antigas lembranças lembro-me de ter assistido no extinto Cine Paganini que ficava no comecinho da Avenida Sao Miguel na Vila Esperança o filme " La Violetera" com Sarita Montiel... Parabéns Nelinho.

Enviado por Luiz Gonzaga Simões Garcia - [email protected]
Publicado em 16/06/2014

Bons tempos dos belos cinemas, mas hoje em dia as salas de exibições cinematográficas não tem mais o mesmo glamour. E o tempo passa, e as coisas mudam. assim como todos nós.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - [email protected]
Publicado em 16/06/2014

Magnifica suas lembranças !! Quantas lembranças de um tempo muito feliz!!

Que chego a sentir (pena) dos jovens de hoje por não poderem ter vivido o que nós acima dos cinquenta vivemos.

Lembrando também dos shows do antigo Teatro Santana, que ficava escondidinho a Rua Amador Bueno, próximo ao antigo cine Windsor, mas que mudou de nome e hoje chama-se Rua do Boticário.

Obrigado por boas e feliz lembranças

Enviado por Flavio Candido - [email protected]
Publicado em 14/06/2014

Nelinho, Nelinho, Nelinho, vc vai acabar com os idosos com estas recordações. Quanta saudades, da época em que nossas sedentas necesidades por aventuras, tinhamos nestes filmes o lenitivo destas ansiedades. Que tempinho bom, Nelinho, parabéns pelas lembranças.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 13/06/2014

Nelinho:

Morei no Ipiranga por muitos anos.

Os cinemas referidos em seu texto, fazem parte do arquivo que a minha memória armazena, num canto chamado saudades

Enviado por Luiz C. Peron - [email protected]
Publicado em 13/06/2014

Realmente como diz voce Nelinho para quem e velho como nos essas recordacoes ficaram la para tras e realmente nao voltam mais . Aqueles cinemas de antigamente sairam da moda . Hoje o povo ve os filmes em todos os cantos em seus Smart Phones .Bom texto . Abracos Felix

Enviado por João Felix - [email protected]
Publicado em 11/06/2014

Nelinho que memória, eu sei que Santo Amaro teve também uns 10 cinemas, mas recoradr os nomers dos filmes e atores, nem pensar, para béns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
Publicado em 10/06/2014

Recordar e viver.

parabens,

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - [email protected]
Publicado em 10/06/2014

Nelinho, que delícia... muitas vezes o meu pai falou desses cinemas. Muito legal mesmo.Parabéns. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 10/06/2014

Este é o Nelinho, além de boêmio inveterado, amante dos filmes de outrora. Valeu Nelo, tuas lembranças aumentaram minhas saudades.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - [email protected]
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