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Categoria - Personagens Nomes próprios Autor(a): José Aureliano Oliveira - Conheça esse autor
História publicada em 08/04/2014
Seguindo a linha de raciocínio do Marcos Loureiro e do Nelson Coslovsky sobre nomes, na nossa família temos a tia Ana que teve oito filhos: Ana Maria, Ademir, Aquiles, Áurea, Angela, Anselmo, Arnaldo e Andreia, a caçula. Temos também meu primo o Marcos casado com a Maria Sueli com três filhas: Marcela, Mariana e Marília. 
 
Na época da colonização aqui da região da Alta Paulista, meu pai tinha o primo Ronaldo e dois irmãos: o Alberto e Plínio. O Plínio foi o que desgarrou da família e mudou para Sampa ainda garoto, indo morar com um tio no bairro do Ipiranga. Passaram se os anos e o Ronaldo casou e teve o seu primeiro filho. Sua esposa a Mariazinha, como era tratada, pediu a ele que assim que fosse à cidade para registrar o rebento com o nome de “José Vicente de Carvalho”. No cartorário da cidade, diziam que lá era o local de reunião do pessoal, devido ao pouco serviço da época. E o primo do papai perdeu a manhã todo papeando e quase na hora do almoço é que veio a pergunta:
- Como vai ser o nome do garoto?
- Vicente de Carvalho respondeu Ronaldo.
 
O documento estando pronto foi guardado na gaveta do guarda-roupa e por lá ficou. Foi comunicado para toda a família e amigos o nascimento do “José Vicente”, que cresceu e assim foi chamado por todos. Estava para completar 14 anos e seu pai, Ronaldo, escreveu para o seu irmão em Sampa para ver se ele poderia arrumar um emprego na capital para o José Luiz. 
 
Quinze dias para ir a carta e mais 15 dias para chegar a resposta, com o Plínio concordando para que o José Luiz fosse para Sampa que ele iria arrumar um emprego com um amigo, que tinha uma marcenaria lá no Ipiranga. O Plínio buscou o sobrinho na Estação da Luz, passando a morar com ele e a tia. Foi apresentado ao dono da marcenaria e já ficou trabalhando, aprendendo o ofício como lustrador de móveis como experiência, se aprovado seria contratado. 
 
Depois de dois meses veio a confirmação que seria contratado e era para ele providenciar os documentos. Com a chegada da certidão é que foram descobrir que o seu nome não tinha o José. Só sei dizer que ele era apenas o “Vicente de Carvalho”, mas a maioria dos familiares chamavam ele por “José” (risos), e assim ficou pro resto da sua vida.
 
O meu nome e sobrenome vieram dos meus avós José e Aureliano. Ainda pequeno a mamãe sempre dizia: “Se você quiser que todos te chamem de ‘José’, tem que estudar e ser médico, porque assim te chamarão de Doutor José, agora se não for médico te chamarão simplesmente de ‘Zé’”.  E aqui estou eu o “ Zé Aureliano” com muita honra. 
 
Abraços a todos.
 
“E agora José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?”
Drumond de Andrade
 
 
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Publicado em 14/04/2014

Pois e Jose estive afastado do Site por algum tempo por motivo de saude , ainda nao estou 100% mas ja me arriscando a fazer comentarios embora esteja muito longe de ficar em dia com tantos textos escritos pelos amigos . Quero agradecer a mencao que voce fez num deles ao meu nome me considerando um dos seu amigos ,mas com certeza tenho voce como um dos muitos amigos que fiz neste Site que com admiracao e respeito nos correspondemos sem nunca nos termos conhecido , a nao ser virtualmente, obrigado pela consideracao . Quanto ao seu texto dos nomes propios na minha familia que tem origem espanhola o nome Joao (Felix) vem de longe , pois desde meu tataravo (pelo menos donde pude chegar com provas de certidoes de nascimento temos o nome Joao sobrevivendo pois quando nasceu meu primeiro filho continuei com a tradicao , e meu filho tambem me acompanhou , somente com uma pequena diferenca pois na Espanha seria Juan Felez porque a letra z foi substituido pelo x no Brasil. Mas lembro de um vizinho meu que ia no grupo escolar no meu tempo , e que era filho de espanhois quando a professora lhe perguntava seu nome ele dizia "Seito"ate que a professora um dia falou com a mae dele perguntando como era o nome do garoto ? no que ela respondeu " Jose " e que o Seito era uma maneira carinhosa de chama-lo em casa , e o garoto foi crescendo pensando que seu nome era mesmo Seito.Na verdade nem o diminutivo de Jose que em espanhol seria Joselito eles usavam , e nao fosse a curiosidade da professora o Jose seria Seito ate os dias de hoje se e que ele ainda vive. Abracos ao sempre amigo Jose Aureliano. Felix

Enviado por João Felix - [email protected]
Publicado em 10/04/2014

caro Jose Aureliano.......adivinhe meu apelido?...abraços do Zé Beira

Enviado por José Camargo Beira - [email protected]
Publicado em 10/04/2014

TENHO o nome da minha avó,e HELENA por agradecimento de minha mãe ao HOSPITAL STA. HELENA, gosto do meu nome ,afinal ,o nome é você quem faz.......

Enviado por Luzia Helena Junqueira - [email protected]
Publicado em 09/04/2014

Sábias palavras da nossa Benê, "é a gente quem faz o nome".Tem cada nome esdrúxulo por aí,filhos de famosos que querem ser tão diferentes que os tornam extranhos...Mas bem lembrado pela querida Margarida,que os cartórios antigamente registravam da forma que ouviam ou como era falado o nome da pobre criança que tinha depois a vergonhosa missão de carregar estes incômodos de terem os nomes pela metade ou com fonéticas engraçadas e perjorativas.

Enviado por Walquiria - [email protected]
Publicado em 09/04/2014

José, o nome é lindo. O meu sogro era também teu xará e eu nunca o chamei de "seu Zé". Gostei do texto. Parabéns. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 09/04/2014

E agora José?

Muito bom, parabéns!

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - [email protected]
Publicado em 08/04/2014

E agora José? boa pergunta, mas o importante é que você nos traz mais

um brilhante relato, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - [email protected]
Publicado em 08/04/2014

José Aureliano, um Zé, que não é um Zé qualquer, porque é muito querido. O

querido Zé Aureliano, alvinegro, gente boa.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - [email protected]
Publicado em 08/04/2014

Eu nunca me importei de me chamarem de Bene, Benedita ou Ditinha mas Dita era de me aborrecer.

Hoje nem me importo mais, foram meus pais que me deram esse nome, tão bonito por sinal.

E Zé é nome bonito também , quem faz o nome ser digno somos nós.

abraço

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - [email protected]
Publicado em 08/04/2014

José, às vezes fica até divertido contar casos sobre o nome das pessoas. Um amigo meu, professor, quando foi registrado pelo seu pai na hora de dizer o nome para o escrivão: quero que meu filho receba o nome de Nerso, que na verdade ele se referia a Nelson, mas pronunciou do jeito que sabia falar. Então ele foi registrado de Nerso. Sempre achei esquisito chamá-lo assim, mas o que fazer quando um não soube pronunciar corretamente e o outro não soube diferenciar. Assim deu o que deu e o Nerso, teve que conviver com este nome. Ele mesmo me contou essa historia. Deve ter muito casos assim. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - [email protected]
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