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Categoria - São Paulo do século XXI O que houve com a Conselheiro? Autor(a): Arnaldo Martinez Capel - Conheça esse autor
História publicada em 04/02/2014
Passar naquela rua era muito bom. Trabalhar nela, melhor ainda, coisa que eu fiz durante seis anos. O quarteirão entre a Praça Ramos de Azevedo e a Rua Sete de Abril era encabeçado pelo então gigante Mappin, sempre lotado em qualquer época do ano e, do lado oposto, por uma loja de moda feminina. 
 
Caminhando em direção à Rua Sete de Abril, um bom número de vitrines, incluindo a da lateral do Mappin, fazia desfilar diante dos nossos olhos uma grande variedade de produtos, mas o ponto forte da Conselheiro era o comércio de equipamentos fotográficos, de som, de cinema (o filme Super 8 vivia sua fase áurea na década de 70), além de excelentes lojas de ótica e bancos. 
 
Os restaurantes Três Razões, Gironda, América e Atlântico tinham clientela garantida por conta dos funcionários das lojas e escritórios locais e do público em geral, pois o comércio era intenso naquele trecho da Rua Conselheiro Crispiniano, que até metade da década de 70 não era calçadão como é hoje, e o tráfego fluía no sentido Avenida São João.
 
Uma figura bem conhecida e muito simpática que também trabalhava naquele quarteirão era a de um senhor armênio, de aproximadamente sessenta anos, que vendia esfihas abertas, em um minúsculo espaço que ele alugara à porta do restaurante Três Razões. Todas as manhãs, a caminho do trabalho, eu me deliciava com pelo menos meia dúzia daquela iguaria, enquanto ouvia, com prazer, aquele simpático senhor falar um pouco de sua vida na Armênia. De seus lábios, ouvi muitos exemplos de honra e dignidade, além de ter aprendido algumas palavras e frases em seu idioma.
 
Apesar da minha preferência por aquele quarteirão da Conselheiro, o trecho abaixo, ou seja, da Praça Ramos até a Avenida São João, tinha bons atrativos também. Além das lojas menores, a enorme loja de roupas Piter, com sua fachada colorida e super iluminada por inúmeras lâmpadas, conquistou uma enorme clientela entre o público jovem, através de uma infinidade de roupas "na crista da onda", como se dizia então. Pouco abaixo da Piter, o imponente Cine Marrocos, com sua sala muito confortável e um mezanino, o "pulman", exibia excelentes filmes, muitos deles lançamentos "fresquinhos” da indústria cinematográfica.
 
Mas... o que houve com a Conselheiro? De vinte anos para cá aproximadamente ela sofreu uma modificação. Para pior, infelizmente. Lojas tradicionais foram fechando suas portas. Na melhor das hipóteses, algumas deram lugar a outras, menores e pouco, ou nada, conhecidas. Mas muitas portas permanecem fechadas. 
 
Pichações e cartazes oferecendo serviços, nas portas e paredes, proliferaram, poluindo visualmente um local outrora próspero e elegante, conferindo-lhe um clima de decadência. Hoje, ao passar pela Conselheiro, eu me pergunto continuamente e com um pouco de tristeza: o que causou tamanha transformação? O que deu errado na Conselheiro? Paro alguns segundos e olho, com profunda saudade, os locais onde, por muitos anos, funcionaram a Fototica, a G. Aronson, a Colorcenter, a Cinótica, a Akopol, o Mappin e os restaurantes mencionados, nos quais sempre me alimentava com comida simples e bem feita.
 
Que saudade de tudo isso!
 
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Publicado em 15/02/2014

Caro Arnaldo,

A partir dos anos 60, por 13 anos trabalhei na Conselheiro Crispiniano, 379, no Edifício San Marino em frente ao Quartel General do 2º exercito.

Na esquina na Avenida São João existia uma camisaria em frente o Restaurante Pelicano, do outro lado da rua o Restaurante Marrocos e em frente a Piter, a Sensação Modas, e todo este ambiente me traz boas lembranças. Por estes dias depois de longo tempo passei com a minha esposa, por esta rua e com profunda tristeza, vi o que se tornou a Rua Conselheiro Crispiniano, uma degradação. Sujeira, pichações, prédios invadidos, terra sem lei.

Deixou em mim um sentimento de descaso, por conta das autoridades.

Que saudades dos bons tempos!

Abraços. Toni Gouvea

Enviado por Toni - [email protected]
Publicado em 05/02/2014

Recordações doloridas, as vezes porém, agradáveis no sentido do progresso e melhoria que só são sentidas pelos que tem, agora, a IDADE QUE VC TINHA QUANDO FEZ ESTE PASSEIO. PARABÉNS, ARNALDO.

MODESTO

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 05/02/2014

Infelizmente Arnaldo, não foi só a Conselheiro não. Foi todo o centro velho. Que pena, muita pena mesmo.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - [email protected]
Publicado em 04/02/2014

Arnaldo, fico triste como você, quando fico sabendo que pedacinhos de São Paulo se acabam assim. Restando apenas as nossas lembranças para contar a historia.Uma pena! Abraços.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - [email protected]
Publicado em 04/02/2014

Arnaldo - Meu cunhado tinha uma filmadora e um projetor para filmes S/8. Sempre estava com ele nas lojas da Conselheiro para comprar filmes e fazer as revelações. Outra coisa no final da década de 50 estive no cine Marrocos levado pela minha vizinha e meu amigo José Roberto para assistirmos a estreia do filme A Dama e o Vagabundo. Legal ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - [email protected]
Publicado em 04/02/2014

Arnaldo, não passo nesse roteiro que voce descreveu há uns 20 anos e fico triste em saber do que aconteceu ali, mas creio que se repete o que houve em outos locais tradicionais de Sampa. Como a cidade é dinâmica ela cresce em todas as direções, sempre aparece um novo centro comercial, industrial e residencial, mas não deveriam deixar morrer o que ja teve e tem história.- Onde está a revitalização do centro?, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
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