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Categoria - Personagens Renato Canini Autor(a): Luiz Simões Saidenberg - Conheça esse autor
História publicada em 13/11/2013
6h30 da manhã e a Rádio Estadão dá a notícia: Renato Canini falecera em sua cidade, Pelotas, aos 77 anos. Creio que de forma tranquila, o coração falhara. Liguei ao amigo Shimamoto, mas ele já sabia, em uma transmissão de madrugada, outro já o havia notificado, postando a notícia de um jornal gaúcho.
 
Renato Canini, que se notabilizou por deixar mais brasileiro o Zé Carioca, fazendo constar favelas ao fundo das histórias, colocando personagens negros em atuação. Enfim, com um “carioquismo” autêntico. Mas os estúdios Disney não gostaram do “realismo brasileiro.” Além de que, muito pessoal, seu desenho afastava-se cada vez mais da padronização “disneyana”.
 
Assim, desenhou o Zé Carioca por seis anos, muitas vezes em parceria com meu irmão Ivan, que escrevia os roteiros, tomando também parte em tal “abrasileiramento”. Canini foi então afastado da ala Disney da Editora Abril, mas continuou, sempre evoluindo, com outras personagens, como o ecológico indiozinho Tibica e o satírico caubói Cactus Kid.
 
Conhecia-o há mais de 50 anos, quando Shimamoto e eu fomos passar um período em Porto Alegre, na cooperativa de HQs nacionalistas fundada por Brizola. Trabalhamos na então moderna sobreloja da Rua da Praia, com os gaúchos Flávio Luiz Teixeira, também falecido, e o simpático e discreto Canini. Fomos muito bem acolhidos por eles, e convidados a almoçar nas casas desses novos amigos. Eram, os dois, excelentes pessoas, e Canini, além de tudo, muito religioso. Um verdadeiro santo.
 
A cooperativa, por ser demasiado política e regional, não deu certo. Mas a lembrança dos amigos feitos por lá nunca me deixou. Quando se iniciou a era da informática, também a das redescobertas, e Shima enviou-me o endereço do Canini, podendo assim reatar a velha amizade. Se bem que com Internet o Renato não mexia. Chegou a ganhar um computador, mas doou-o à irmã.
 
Então, via correio mesmo, vim a saber que havia se casado e agora morava em Pelotas, tendo ainda um apartamento em Porto Alegre. E foi para lá que nos dirigimos, minha esposa e eu, em novembro de 2002. Voltava a ver o amigo, e a agradável cidade, após exatamente 40 anos.
 
Foi uma bela visita e o Grande Canini, com sua esposa Lourdes, nos acompanhou aos velhos e nostálgicos pontos da cidade. Quantos sentimentos, de alegria, tristeza e mesmo raiva, afluíram-me á mente ao percorrer as ruas que tão bem havia conhecido, com fantasmas do passado seguindo-me a cada passo.
 
Continuamos a nos corresponder - por carta - e eu sonhava em retornar à capital gaúcha. Afinal fazia mais de dez anos de nossa visita. Mas, sempre premido pelo tempo, esta volta foi sendo adiada. E agora Canini se vai, já com o passaporte carimbado para o “Céu dos Bons”, de forma inesperada. Concedido prematuramente, mas mais que justo.
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Publicado em 23/11/2013

Muito obrigado, amigos.

Desculpem se tenho escrito pouco, e tb pouco assessado o site. Mas, agora as coisas estáo entrando nos eixos, e prometo faz~e-lo assíduamente. Canini era, mesmo, destas pessoas que não mais parecem existir, bom e correto ao extremo, humilde e discrete, dedicado á sua Bíblia diária, ao passo que era venerado por todos cartunistas gauchos, uma celebridade lá. Grande abraço a todos.

Enviado por Luiz Simões Saidenberg - [email protected]
Publicado em 17/11/2013

Luiz,sinto que não tenha reencontrado seu amigo mais uma vez ante de partir, mas valeu conhecer um pouco mais dele. Parabéns pela linda homenagem e que Deus tenha compaixão pela sua alma.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - [email protected]
Publicado em 14/11/2013

Sempre acredito que na história há pessoas de suma importância que remetem aos ditos homens da macro-história sejam visualizados. Sempre gostei de histórias em quadrinhos e uma das preferidas era Zé Carioca, mas não sabia destas particularidades. Parabéns pela crônica e das lembranças de seu amigo.

Enviado por Carlos Fatorelli - [email protected]
Publicado em 14/11/2013

Meu caro Saidenberg, se a tristeza bate em vc, chega até a mim que, mesmo não o conhecendo, sinto as injustiças cometidas pela Disney. Lembro das historietas do Zé com motivos cariocas. Lembrei-me de um amigo, o catalão que desenhava as capas da revista "Exame", Jose Figueiras Figueirola, que chegou a me passar uns "biscatinhos" pra colocar textos em português nos "balãozinhos" das historinhas.

Pela sua descrição sobre a imagem da pessoa do Canini, posso aquilatar a saudável amizade que unia vcs. É uma pena vc não ter podido encontra-lo novamente antes de ele ir embora. Porém, as amizades construídas na mais bela demonstração de fidelidade, nunca morre, deixa sempre os momentos inesquecíveis em que vcs vivenciaram. Parabéns pela sua recordações tão bem descritas, Luiz.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 14/11/2013

Que bom que seu amigo foi para o "Céu dos Bons"

Com certeza foi um bom homem.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - [email protected]
Publicado em 13/11/2013

Luiz, infelizmente somos mortais mas, de qualquer forma ficaram as boas lembranças dos momentos vividos, que seu amigo Canini descanse em paz, parabéns pelo seu texto.

Enviado por Nelinho - [email protected]
Publicado em 13/11/2013

Luiz, que felicidade ter uma amizade assim! Que o seu amigo encontre muita paz nessa nova caminhada. Parabéns pelo texto e pelo sentimento. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 13/11/2013

Seus personagens eram tão bons que acabaram ficando mais famosos do que ele, assim como acontece com todos os grandes artistas. Mas os bons sempre serão lembrados e para sempre. Parabéns Saidenberg por essa homenagem ao excelente Renato Canini.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - [email protected]
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