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Categoria - Outras histórias Lições de um dia de chuva Autor(a): Hilton Takahashi - Conheça esse autor
História publicada em 22/10/2013

Numa repartição pública, o escriturário diz ao seu superior:

- "Posso jogar estes velhos, inúteis e obsoletos arquivos de papel que ocupam tanto espaço?"

Responde o chefe:

 -"Sim, mas antes tire uma cópia de todos!"

Este hipotético diálogo ilustra um sério e real cotidiano. Mais precisamente ocorrido no dia 16 de outubro. Sob uma insistente e forte chuva, me refugiei na providencial marquise de uma agência da CEF, situada na Avenida do Cursino, agência do Jardim da Saúde e aproveitei a ocasião para abrir uma poupança com os minguados reais que se salvaram de minha febre consumista.

Adentrei o "sagrado recinto", enfrentei uma pequena fila e ao me dirigir à atendente, me solicitaram a senha que deveria ter sido retirada na entrada. Não vi nenhum aviso sobre isto. Retornei e peguei outra fila para chegar a um pequeníssimo balcão onde uma gentil funcionária decide nossos destinos. Apresentou-me uma relação de documentos originais e uma cópia de todos. Incrível! Em pleno século 21, com tantos computadores disponíveis não bastaria que escaneassem os documentos, nos poupando de sair (na chuva) em busca de uma copiadora? Ah! Bancos são deficitários e vivem no vermelho? Perdoem a ignorância. Sem alternativa, peguei a senha, a lista dos documentos e saí (na chuva torrencial) à procura de uma copiadora.

Ao avistar um graduado da agência que trajava um impecável e vistoso terno escuro, risca de giz, demonstrei meu inconformismo. Ele concordou em gênero, número e grau com meus argumentos e ainda informou que poupanças podem ser abertas em quaisquer casas lotéricas e até em imobiliárias. Perdoem a ignorância novamente.

Com os documentos devidamente xerocados, resolvi checar tais informações. Na lotérica mais próxima, não resisti ao aviso da sena acumulada e primeiramente preenchi um volante, afinal sou brasileiro; profissão: "Esperança!" Ato contínuo, pensei: “Heureca!” Preenchi um extenso formulário, apresentei os documentos e estava aberta minha tão "sonhada poupança".

Ao chegar em casa me dei conta da senha e a relação dos documentos entregues pela atendente externa da CEF. Observando a lista, notei um pequeno pormenor que minha constante ignorância não entendeu. Li bem no alto do papel em letras maiúsculas: "Caixa Econômica Ferderal". Lições de um dia de chuva na vida de um desinformado.

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Publicado em 01/11/2013

Você tem razão Hilton. Mais deficitário que os nossos bancos, só os nossos bolsos.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 23/10/2013

Hilton, se alguma coisa tem que dar errado, ela dará, lei de Murphy, parabens pelo texto, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
Publicado em 22/10/2013

É bem verdade mesmo, Takahashi, estes bancos, quando soberbamente apresentam seus fabulosos lucros anuais, esquecem da mais simples das tratativas com seu cliente: atender bem e com a facilidade que a vida moderna oferece. Infelizmente, colocam "robôs" nos atendimentos imediatos. Sua escrita está muito elegante pra uma bronca bem dada. Parabéns, Hilton. (tenho um compadre de nome Hiroo Takahashi, é seu parente?).

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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