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Categoria - Outras histórias A casa de praia Autor(a): Luiz Carlos da Silva - Conheça esse autor
História publicada em 16/10/2013

Existiu uma época em que eu trabalhava numa indústria de computadores em São Paulo e constantemente locomovia-me pelas ruas da grande metrópole de táxi, pois o serviço era feito em outras fábricas que forneciam periféricos para empresa onde eu trabalhava e foi assim que acabei conhecendo um motorista que tinha uma casa em Massaguaçú em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo.

Nossas constantes conversas durante o trajeto, que às vezes era muito longo, sempre giravam em torno de praias, férias, descanso entre várias buzinadas de carros que passavam por nós freneticamente em busca do não chegar atrasado e entre várias cortadas e alguns sorrisos chegávamos ao nosso destino.

Em um determinado dia o motorista ofereceu a sua casa da praia para eu descansar com minha família durante minhas férias e imediatamente aceitei e disse que passaria os 30 dias no litoral e foi assim que nos despedimos com a entrega da chave da casa e no outro dia estávamos descendo a serra com destino a tão sonhada férias na praia.

A nossa alegria era inefável e assim que chegamos na casa deparamos com um enorme quintal, um lindo e frondoso abacateiro que serviu para colocarmos nossas redes de descanso e após uma longa e demorada limpeza estávamos preparados para apreciar o que existe de mais belo neste mundo: a praia.

Levantamos bem cedo e fomos conhecer nossos vizinhos e dissemos que iríamos à praia e pedimos que dessem uma “espiada” na casa e a simpatia e a humildade do senhor João, um velho caiçara que prontamente disse:

- “Pode ir sossegado que nós ficaremos olhando a casa, fiquem tranquilos que aqui é tudo parente.”

Com o passar dos dias nossa amizade com o velho caiçara e sua família ficou estabelecida e já os considerava como se fossem membros da nossa família.

Passamos os 30 dias na mais perfeita harmonia durante as minhas férias, passeamos muito e voltamos “tostados” pelo escaldante sol de 40 graus e cheio de felicidade para São Paulo.

Foram várias as nossas voltas à casa da praia e existiu uma época que quase todos os finais de semana lá estávamos nós para um merecido e repousante momento de alegria e felicidade que aquela casa, nosso vizinho e o mar tanto preenchiam nossas almas.

Num determinado final de semana chegamos à noite na casa e assim que terminamos a limpeza e colocamos todas nossas “tralhas” dentro da casa, fomos fazer uma breve visita ao senhor João e foi quando a sua esposa disse:

- “Nossa, que bom que vocês vieram, entra que vou servir um cafezinho pra vocês!”

A minha patroa ficou conversando demoradamente com a Dona Mariana, esposa do Senhor João e foi quando ela falou que estava muito feliz, pois o seu marido tinha conseguido um emprego de caseiro na casa de praia de um influente médico cirurgião de São Paulo e naquele momento o Senhor João estava limpando a casa do doutor e se nós aceitarmos, poderia nos levar até a mansão do proprietário para dar um “alô” para o senhor João.

Saímos muito felizes e passados alguns minutos estávamos diante de um castelo com câmaras por todo o muro e lá estava o Senhor João a abrir a pesada porta e convidando a gente para entrar e apreciar o luxo que era a casa onde ele trabalhava como caseiro.

Entramos cautelosamente e deparamos com uma linda piscina com água bem azul, limpinha, limpinha, algumas mesas colocadas ao redor e algumas lâmpadas iluminando todo o ambiente e imediatamente o humilde Senhor João falou que se quiséssemos poderíamos tomar um banho na piscina, pois os patrões não viriam naquele final de semana e a piscina era toda nossa. Olhei para a patroa e questionei a nossa entrada e ela sorriu marotamente e disse:

- “Se o Senhor João está nos convidando não há objeção, entremos agora.”

Corremos até nossa casa e trouxemos nossas roupas de banho, dois salames, algumas cervejas, um refrigerante e lançamos nossos corpos intrusos naquela linda piscina e após alguns minutos em que nossa felicidade parecia não caber em todo o litoral, apareceu o Senhor João com ar de muita culpa e pediu gentilmente para sairmos apressados da piscina que o seu patrão tinha chegado sem avisar e havia a necessidade de sairmos rapidamente pela porta dos fundos e lá estávamos nós saindo pelas portas dos fundos com as roupas nas mãos, o salame e algumas latas de cervejas e sorrindo muito pelo hilário momento que jamais esqueceremos.

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Publicado em 17/10/2013

Em uma época das nossas vidas,o maior sonho era poder passar alguns dias em uma casa socegada na praia...Hoje com a marginalidade isto é um pesadelo!!!

Enviado por Walquiria Rocha Machado - [email protected]
Publicado em 16/10/2013

Hilário mesmo, mas seu João queria ser gentil.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - [email protected]
Publicado em 16/10/2013

Luiz, como é bom tirar férias! Pelo menos você usufruiu da casa do seu amigo e das praias maravilhosas do nosso litoral. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - [email protected]
Publicado em 16/10/2013

Luiz, o que espero que não tenha acontecido é o seu João ter perdido o emprego. Eu acho que houve um pouco de precipitação, sair pela porta dos fundos, não é um bom final de uma narrativa, Carlos. Continue, por favor, o motorista do taxi, continua te emprestando a chave?

Parabéns, Silva, sua história está ótima.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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