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Categoria - Outras histórias Já que não existe saída, rir é o melhor remédio Autor(a): Arthur Miranda (Tutu) - Conheça esse autor
História publicada em 23/10/2013
Em 1972, eu trabalhava na TV Record, no programa “Praça da Alegria”, onde eu interpretava o papel do personagem do “E Eu Sabia?”, juntamente com o grande escritor, comediante e produtor de televisão, Manoel de Nóbrega, pessoa até hoje muito querida e lembrada pelo público e por todos os que, como eu, tiveram o privilégio de trabalhar com ele.
 
Eu já estava presente para o ensaio geral do programa, no auditório da TV Record, na Rua Augusta, quando fui avisado que havia falecido um parente meu e que o velório estava acontecendo na capela do Cemitério da Goiabeira, no bairro do Jaguaré.
 
Nóbrega, pessoa sempre muito compreensiva e atenciosa, deu sua permissão para que eu me ausentasse do ensaio e fosse para o velório, e assim deixei o ensaio e fui direto para o citado local.
 
Lá chegando, dirigi-me para o salão onde acontecia o velório e, como sempre acontece nessas ocasiões, fui topando com inúmeras pessoas (parentes e amigos) que há muitos anos não via, alguns até que eu nem mais os reconhecia, porque a última vez que eu tive oportunidade de vê-los éramos ainda bem jovens.
 
Como acontece na maioria dos velórios, depois de algum tempo de meditação e oração acontece certo “recreio” e surge, no meio dos bate-papos, recordações do passado, histórias sobre o falecido e fatalmente o tradicional momento das piadas, sempre acompanhadas de risos contidos para não chocar os sentimentos de pessoas conservadoras ou mais chegadas ao falecido, que possam julgar aquela desconcentração natural, como falta de respeito para com a dor do próximo.
 
E assim a espera pelo enterro, que só aconteceria no dia seguinte, na alta madrugada, ficou recheada com inúmeras piadas, contadas por mim e por várias outras pessoas presentes.
 
Entre várias piadas, houve algumas que giravam em torno de velórios, como essa que eu nunca mais esqueci:
 
A do bêbado que entrou em um velório lotado e, ao chegar perto do caixão todo enfeitado com flores e velas acesas, achou que o mesmo era uma festa de aniversário ou casamento.
 
Então cantou parabéns, soprou apagando as velas e, com uma faca, passou a cortar o defunto (risos).
 
Foi quando uma nova pessoa chegou para o velório e, ao chegar perto do caixão, teceu vários elogios ao falecido dizendo que o defunto, em vida, foi muito importante para ele, que sempre fora uma ótima pessoa, elogiando o seu grande caráter, sua ética etc., etc. e tal.
 
Nessa altura, alguém do nosso grupinho comentou:
- “Puxa”! Gostaria que alguém dissesse coisas bonitas assim, no meu velório.
 
Ouviu-se a seguir várias pessoas repetindo: Eu também, eu também, eu também.
 
Alguém do meu lado olhou para mim e perguntou à queima-roupa:
- Tutu! O que você gostaria que fosse dito sobre você, no dia do seu velório, por seus amigos e parentes?
- No meu velório? Respondi, surpreso.
- No meu velório, gostaria que alguém dissesse bem alto:
- Vejam! Milagre! Milagre! Ele estaá se mexendo! O Tutu está vivo.
 
Foi uma gargalheira geral.
 
Por isso, eu juro que farei tudo para não faltar em meu velório, só para testemunhar se isso poderá de fato acontecer comigo (risos). Quem viver e estiver presente, verá.
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Publicado em 25/10/2013

Arthur, espero que este dia demore muito, mas muito mesmo a chegar.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 24/10/2013

Arthur, eu espero , sinceramente, que tudo isso demore muito a acontecer. Um abraço e parabéns pela crônica tão bem humorada.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 24/10/2013

Começar a se mexer e levantar do caixão no seu próprio velório é ganhar o prêmio da mega sena...

Enviado por Walquiria Rocha Machado - [email protected]
Publicado em 23/10/2013

Tutu, espero, sinceramente, que você possa dizer palavras identicas no meu "bota fora"....

Enviado por Miguel S. G. Chammas - [email protected]
Publicado em 23/10/2013

Oi, Tutu, mais uma dessa e vc vai virar o principal personagem dessa fábula. Estou curioso de saber, que parte coube a vc na partilha que o bêbado fez do defunto. Gostei da sua recordação, Tutu, desembucha mais algumas de seu tempo de glória na TV. Parabéns, lorenense.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 23/10/2013

ahahahah

Uma boa piada.

Essa velório não foi monótono.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - [email protected]
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