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Categoria - Personagens A vingança do Mané Gordo Autor(a): Arthur Miranda (Tutu) - Conheça esse autor
História publicada em 16/10/2013
Nos anos 50, eu e meu amigo Manoel Junqueira, que por ser meio gordinho ficou conhecido como Mané Gordo, comandávamos um grupinho de uns 15 meninos, cuja “missão” era de, nos meses de junho e julho, correr atrás de balões, que naquele tempo infestavam os céus de nossa querida cidade (ainda não tínhamos a consciência do perigo que representa os balões acesos e soltos no espaço).
 
Havia sempre no ar balões de todos os tipos e formatos, como: balão pião, almofada com faixa, sem faixa, balão caixa de dose, ou 24 folhas, balão mexerica, careca de padre, balão cruz, estrela, zepelim de duas ou mais bocas, charutos em pé, charutos deitados de duas ou mais bocas, e vai por aí a fora. Houve dias em que, junto com meus amigos, eu pude contar uns 15 balões circulando pelo céu, e isso só no bairro da Freguesia.
 
Nosso trabalho consistia em localizar o balão prestes a cair em um raio de 600 metros, ir atrás, e, no momento que o mesmo estivesse a uns 15 metros do chão, nós formávamos de mãos dadas um cerco em torno do local exato em que o balão deveria cair, não permitindo que outros meninos de fora do grupo que também avistaram citado balão pudessem alcançá-lo. Enquanto dois dos nossos (fazíamos o devido revezamento) tomavam posse do balão facilmente, claro que sempre muito avariado, devido à chuva de pedras e paus, que os outros meninos que foram impedidos pelo nosso cerco do acesso ao balão fatalmente atiravam nos balões, e que por várias vezes acertavam também nossas cabeças, coisa que jamais esqueci, pois até hoje carrego os sinais de duas pedradas que levei na cabeça, quando, contrariando os conselhos de minha saudosa mãe, vivia participando dessas perigosas ações.
 
Um dia, ganhei de presente no meu aniversário um capacete Ramenzoni e como era cantado na propaganda pelo genial e até hoje muito saudoso para mim, o querido humorista radiofônico Nhô Totico, criador da famosa Escolinha de Dona Olinda, o mesmo passou a proteger minha cabeça. Esse famoso programa radiofônico era transmitido pela Radio América, ao vivo, diretamente do seu auditório, situado à Rua da Consolação, esquina com a Rua São Luiz.
 
Um dia, eu e esse Mané pegamos um lindo e enorme balão mexerica, logo que pegamos notamos que havia preso nele um pedaço de fio com um bilhete amarrado nele, que dizia:
 
“Quem pegar esse balão é um @!#$&”.
 
Mané leu, se virou para mim e prometeu:
- Tutu, vou me vingar do cara que soltou esse balão.
- Como? A gente não sabe quem foi!
- Você vai ver! - respondeu ele.
 
Oito dias depois, o Mané gordo anunciou para toda a molecada do bairro que iria soltar aquele mesmo balão que, como era enorme, acabou dando o maior ibope na Freguesia do Ó inteira.
 
No dia acertado, que era um sábado às 16h, depois de termos passado boa parte da manhã produzindo a tocha ou mecha que iria impulsionar o enorme balão para o alto, a qual resolvemos fazer em forma de cruz, com muita parafina, breu, dois maços de velas mais meio saco de estopa, largamos a mesma já pronta e devidamente montada em uma vasilha com óleo diesel.
 
Na hora de soltar, com muita gente ajudando, no momento em que a mecha já estava acesa, o Mané cochichou baixinho em meu ouvido ao mesmo tempo em que amarrava um bilhetinho no balão:
- Tutu, vou sacanear os caras que soltaram esse balão a semana passada.
 
O Balão já estava subindo, quando eu li que o Mané escreveu no bilhete o seguinte:
 
“Quem soltou esse balão é que é um @!#$&”.
 
Os anos se passaram e toda aquela molecada agora já adulta... Por muitos anos ao recordar esse fato continuaria tirando o maior sarro da cara dele (risos).
 
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Publicado em 20/10/2013

Não tenho dúvidas que o Mané no caso era Murruga...

Bons tempos Tutu. corri muito para pegar balões.

Havia uma competição entre os garotos de quem pegaria mais na temporada.

Grande abraço

Enviado por Marcos Falcon - [email protected]
Publicado em 18/10/2013

Tudo bem que é perigoso e não deve ser feito, mas que balão é bonito é.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 17/10/2013

Voce levou um monte de palavrões por ter pego o balão.E depois seu amigo Mané(que era um Mané mesmo)mandou de volta o balão dizendo outro monte de palavrões para quem tinha soltado aquele balão que no caso eram voces mesmos!!Grrrrrrrrrrr

Enviado por Walquiria Rocha Machado - [email protected]
Publicado em 16/10/2013

Arthur, que infância abençoada você teve. Agradeça sinceramente esse tempo, pois tudo indica que você não teve que queimar etapas da vida. Por isso é tão genial. Lindo mesmo. Adorei. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 16/10/2013

Será que o balão chegou ao seu destino?

Ou a vingança foi em vão.

Gostei muito do texto.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - [email protected]
Publicado em 16/10/2013

Arthur, voce mencionou tipos de balão que eu nem lembrava mais,mas realmente era dificil pergar um balão inteiro, e voce lembra quando pegavamos o balão era um puxa daqui e de lá e o pior era depois todo mundo com as mãos e o rosto preto da fuligem interna do balão, parabéns pela lembrança, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
Publicado em 16/10/2013

O palavrão QUE O Mané escreveu no bilhete foi: QUEM SOLTOU ESSE BALÃO É QUE É UM FILHO DE UMA "SANTA" MÃE. Arthur Miranda

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - [email protected]
Publicado em 16/10/2013

Tutu...Tutu..., o Mané Gordo só não é espinafrado por mim, porque não o conheço. Ele comprometeu vc também. Gostei da sua hilariante história, Arthur, parabéns.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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