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Categoria - Outras histórias "Futing" Autor(a): Alvaro Glerean - Conheça esse autor
História publicada em 06/03/2013
Para que houvesse a união de casais, ou seja, para que um homem e uma mulher se conhecessem, namorassem, noivassem e depois culminasse em um casamento, a humanidade com o correr dos tempos foi descobrindo meios para que isso pudesse acontecer. Assim, surgiu, não sei quando a ideia de reunir por diversas regiões os habitantes do local e a partir daí acontecer o desejado.

Naturalmente esse acontecimento teria por finalidade, em última análise, o nascimento de seres que iriam contribuir no futuro para o bem coletivo. Assim foram aparecendo as reuniões para a comemoração de aniversários, os bailes de fim de semana, e, mais tarde, com o aparecimento da eletrônica, as reuniões, agora, com fins comerciais tais como boates, night clubes, e etc. e outros cujo nome não me ocorrem.

Muito antes disso, tipos de acontecimentos muito simples e realizados em plena via pública foram os muito populares "footings", para nós futings que consistiam em as moças desfilarem pela calçada em um vai e vem contínuo e os marmanjos geralmente encostados nas paredes. Nisso havia troca de olhares, sinais imperceptíveis para os demais que culminavam, no momento em que o rapaz, deixando de lado a timidez, aproximava-se da moça e tentava iniciar uma conversação.

Nem sempre isso dava certo, mas ninguém ficava aborrecido, pois fazia parte do jogo. Ou a garota não havia gostado, por alguma razão, do moço, ou estava de olho em um outro mais atraente. Restava aguardar outra oportunidade, quem sabe, às vezes, em um outro fim de semana...

Eu também, como bom filho de Deus, frequentei com amigos nas noites de domingo o futing das ruas Sebastião Pereira e das Palmeiras em Santa Cecília. Lembro-me que voltava da casa de meu avô no Brás, devorava a comida deixada na geladeira por minha mãe, ao som do rádio ligado em uma emissora que transmitia música clássica. Em seguida me dirigia ao tão aguardado futing. Interessante é que nessas andanças nunca tive a oportunidade de me ligar a uma das garotas (e olhe que havia muitas e bem bonitas). Fui conhecer minha futura esposa muito longe dalí.

Creio que na época me sentia feliz em ficar observando as feições e as expressões dos jovens quanto às reações que mostravam (prenuncio da futura profissão?). Havia as pessoas alegres, as tristonhas, as que demonstravam alguma esperança, as ansiosas, as conformadas. Enfim, uma extensa vitrine de comportamento humano.

Não tenho ideia se em algum lugar desta cidade ainda se pratica o futing. Em outras cidades acredito que sim. Mas, como todas as coisas agradáveis da vida insistem em ocupar seu cantinho em nossa memória, ocorreu-me compartilhar com os bons amigos deste site essas lembranças que me agradam ainda e muito. Isso não significa que minha vida não tenha sido agraciada com muitos acontecimentos felizes.

Tanto eu como meus amigos da época andávamos sempre "duros", com frequência não tendo dinheiro para o cafezinho no boteco da esquina. Em compensação éramos de fato felizes. Pois tínhamos o futing, as trocas de piadas, o desabrochar da vontade de ser alguém na vida acontecesse o que acontecesse. Todos imaginávamos constituir família, ter filhos, netos...

Com o passar do tempo nossa memória é enriquecida com muitos outros acontecimentos, só que agora com realidades boas ou más e não mais apenas com sonhos, se bem que sonhar é fundamental (eu que o diga). No meu caso lembro-me com frequência de fatos acontecidos tanto na infância quanto na adolescência e dos mais recentes. Tenho certeza de que isso é bom.

O futing foi importante porque ajudou no sentido de que se iniciasse em mim a noção da amizade, da descoberta das coisa boas, da visão agradável do início do amor. Em resumo, desde há muito concluí que a natureza, segundo a implacável evolução nos presenteou com a infalível memória, nem sempre muito amiga, mas que nos estimula a sermos cada vez melhores nos alertando a não repetir aquilo que não deu certo, visando assim nosso melhoramento.

Imagino que os que me dignaram com sua leitura, alguns pelo menos iniciaram também seu aprendizado pelo futing. Imagino que se recordem dele tão agradavelmente quanto eu.


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Publicado em 15/03/2013 Que saudades daquela epoca,realmente eramos felizes por tão pouco.Cansei de ir da Igreja até a praça fazendo footings em Miraselva-PR ANOS 70. Enviado por ARI ALMEIDA - [email protected]
Publicado em 07/03/2013 No Braz ele era feito na Av.Rangel Pestana entre a Piratininga e Martin Buchard, e tinhamos a concorrencia dos Cadetes da Aereonautica que ficavam aquartelados no predio que hoje habita o Museu dos Imigrantes na Visconde Parnaiba . Eles tinham o direito como nos em participar , mas sempre haviam os confrontos , logicamente porque eles ganhavam os olhares das meninas bem mais que nos. Bom texto parabens Abracos Felix Enviado por João Felix - [email protected]
Publicado em 07/03/2013 Álvaro - Até os anos 60 fechavam dois quarteirões da rua principal aqui de Vera em frente ao Cinema. Acabando a secção como você diz, eles ficavam nas sarjetas e as moças indo e voltando no centro da Rua. Ai aumentou o número de carroças e esse hábito teve que ser mudado para a Praça da Matriz, em volta do coreto. Boas lembranças – Um forte abraço... Enviado por José Aureliano Oliveira - [email protected]
Publicado em 07/03/2013 Quando jovem eu ia muito nas Quermesses da Igreja ou no Parque de diversões quando se instalava na cidade,nós meninas passeávamos de um lado para o outro,mas nunca tinha ouvido falar que isto era "FUTING",será? Enviado por walquiria rocha machado - [email protected]
Publicado em 07/03/2013 Alvaro, eu não sou ainda desta época, mas não perdia um único bailinho nas garagens da Prada Inglesa. eram neles que as coisas aconteciam, ou não!!! Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 06/03/2013 Álvaro, o seu texto foi agradabilíssimo. Eu conheci o footing no interior de Minas Gerais, quando visitávamos os nossos parentes no sul do Estado. Eu, criança, achava que era só passeio aos sábados e quartas. Na época eu nem imaginava que era uma situação propícia à paquera. Mas era bom. A minha prima e eu conversávamos muito naquela hora e era um momento especial. Gostei muito de recordar com você esses momentos agradáveis da vida, que marcam a juventude. Belíssimo texto. Um grande abraço. Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 06/03/2013 Morei há aproximadamente cinco anos em Araras/SP e na praça da matriz via muito dessa prática. Após a missa, meu marido e eu ficávamos um pouco na praça, saboreando a delícia da cidade: pipoca com queijo provolone! Andávamos um pouco e depois nos sentávamos nos incontáveis bancos espalhados nessa praça muito bonita e ficávamos observando as pessoas circulando, passeando ou simplesmente curtindo a beleza e a calma do lugar! Eram pessoas jovens repetindo, provavelmente sem saber, passos e atitudes de seus ascendentes! Bela lembrança a sua! Parabéns pelo texto! Abraço Célia Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - [email protected]
Publicado em 06/03/2013 Alvaro, eu me lembro dessas paqueras, mas em quermesses e parques de diversão, bom tema,parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
Publicado em 06/03/2013 NO bairro da Penha acontecia muito isso, bem perto da Igreja da Penha. Bons tempos. Um abraço. Enviado por margarida peramezza - [email protected]
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