Leia as Histórias

Categoria - Outras histórias Al otro lado de río Autor(a): Alexandre Pereira Alves - Conheça esse autor
História publicada em 12/12/2012
"Nunca vi nem comi eu só ouço falar", embora não fosse o momento mais adequado os versos de Zeca Pagodinho pagodeavam em minha mente durante a missa em honra à “Nuestra Señora de Caacupé”, a padroeira do Paraguai, celebrada na igreja mais latina da cosmopolita São Paulo, a Igreja Nossa Senhora da Paz.

A canção brasileira ecoava em minha mente ao me recordar da imagem negativa frequentemente veiculada pela mídia sobre o país guarani. A palavra Paraguai tornou-se vergonhosamente sinônimo de fraude, negócios escusos ou qualidade duvidosa, acepções cristalizadas no imaginário do povo brasileiro. Por estar em um ambiente religioso me senti obrigado a fazer ainda que em silêncio o meu repúdio e retratação a perversidade que o meu país faz com a nação vizinha, opressão que remonta ao belicoso conflito aqui chamado Guerra do Paraguai, onde nosso exército dizimou milhares de paraguaios. Ao som de “guarânias” e emocionantes discursos em guarani, a animada, religiosa e numerosa comunidade paraguaia celebrou não somente a sua fé, mas suas raízes e assim a perpetuação de sua identidade!

Ao sair já não me lembrava mais do famigerado pagode, mas cantarolava: "Oh, Virgencita, de los milagros Tú que eres buena, oye mi ruego: vengo a pedirte que tus perdones lleguen a mí. Caudal de hechizos y de ternuras, hay en tus ojos, que son azules como ese cielo que cubre el suelo donde nací”.


E-mail: [email protected] E-mail: [email protected]
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 15/12/2012 Alexandre respeito é bom e eu gosto. Esta deveria ser a maneira da sociedade respeitar os costumes de outro País,de outra cultura,de outra nação.
Más a realidade não é bem esta.
Parabéns pelo belo texto.
Regis Paiva
Enviado por Regis Paiva - [email protected]
Publicado em 13/12/2012 Alexandre – A vida moderna hoje em dia coloca rótulo em tudo que ve pela frente. Evidentemente que, tratando se do povo Paraguaio que fazem parte da nossa América, são considerados por nós nossos hermanos com muita honra. O futebol fica a parte ok. Abraços... Enviado por José Aureliano Oliveira - [email protected]
Publicado em 12/12/2012 Na divisa, já em território paraguaio, tem um monumento com uma placa que diz assim: Aqui "alguns" bravos paraguaios morreram pelas mãos de "um" covarde brasileiro. Enviado por juvenal cardoso - [email protected]
Publicado em 12/12/2012 Como não nos emocionarmos diante do seu cantarolar em parag. Eu me casei, com meu primeiro e falecido marido nessa igreja que era conhecida como a igreja dos italianos. Veja só, agora é dos paraguaios. Sobre a guerra do Paraguaia eu havia aprendido que Francisco Solano Lopes, o ditador da época, limpava os pés em uma bandeira do Brasil que colocara na saída de seu gabinete. A história sempre comporta três versões, a dos vencedores, a dos vencidos e a oficial. O povo, claro, é quem sempre perde.. Enviado por Trini Pantiga - [email protected]
« Anterior 1 Próxima »