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Categoria - Outras histórias Como era o Largo da Concórdia... O Largo de minha infância Autor(a): Dorival Bertaglia - Conheça esse autor
História publicada em 03/10/2012
Ali tinha o Teatro Colombo, nome tirado do lindo Teatro Colon de Buenos Aires, que existe e resiste até hoje. Uma Associação de italianos e descendentes tinha comprado o imóvel e o transformara em teatro; lembro-me das frisas e dos camarotes, as cadeiras aveludadas, onde anualmente eram recebidas companhias de ópera italianas. O pessoal, na maioria operários e operárias, colocava seus melhores ternos e vestidos para assisti-las.

Foi ali, na sua porta central que foi montado um palco onde em 26 de setembro de 1952 cantou pela última vez o Rei da Voz - Francisco Alves. Com medo de viajar de avião ele voltou ao Rio de Janeiro pela Via Dutra e na altura de Taubaté seu carro se chocou com outro e ele faleceu. Eu assisti sua última apresentação, levado pelas mãos da minha prima Diva. Para comparar com os dias atuais ele era uma espécie de Roberto Carlos da época. Na noite seguinte, voltando de um casamento com meus pais recebemos a notícia de sua morte por um vizinho.

Voltando a falar do Largo, atrás do Teatro Colombo tinha um ponto de carroças de aluguel e dois bebedouros para os cavalos saciarem a sede. Ali, onde hoje é a Caixa Econômica Federal, também ficava a fábrica Peixe - onde eram fabricados produtos como marmeladas e goiabadas. Inúmeros caminhões carregados de matérias-primas ficavam a espera do lado de fora da fábrica até chegar a sua vez de serem descarregados. Nós - a molecada - íamos pedir para os motoristas dos caminhões as deliciosas goiabas e eles nos permitiam tirar algumas que estavam acondicionadas nas caixas abertas que lotavam suas carrocerias. Nós lustrávamos umas tantas delas para vendermos na feira do domingo e ganharmos algum dinheiro para entrar na matinê do Cine Oberdan.

Em um dos lados do Largo ficava a sede de um clube de futebol chamado Minas Gerais, ao lado de uma das saídas do Cine Babilônia; nos sábados e domingos havia baile na sede do clube...

O trânsito na Rangel Pestana era intenso e moroso por causa da proximidade da porteira do Brás; isso até 1968 quando o Adhemar de Barros, então governador de São Paulo, inaugurou o primeiro Viaduto - o do Gasômetro, para desafogar o trânsito. A inauguração veio com aquela inesquecível música, cuja letra começava dizendo: “Adeus, adeus, porteira do Brás; já vai embora e já vai tarde de mais"

Tempos depois fizeram um segundo viaduto, desta vez na própria Avenida Rangel Pestana. Naqueles tempos as famílias passeavam tranquilamente pelo Largo, curtindo os sábados e domingos, depois de assistirem a missa na Igreja do Pari ou na Igreja de São João. Na Rangel Pestana existia uma loja chamada Loja dos dois mil réis, que na realidade era uma das Lojas Americanas.

Nossa! Hoje o Largo de minha infância está tão diferente!


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Publicado em 22/12/2013

Dorival,

Somente hoje tive oportunidade de lêr essa sua narrativa, o que me fez relembrar os bons tempos daquela época. Fui morador da Saião Lobato, tempos do futebol na rua, lembro de voce na editora Abril, do seu irmão, sua mãe, de outros amigos como: Miguel, Pato Roco, Guto, Cursino e de tantos outros. Tempo do bilhar 88, da Boite Eros, Imperador, enfim de tantas coisas boas. Grato pela linda lembrança.

Enviado por Mazinho - [email protected]
Publicado em 25/10/2012 Olá Dorival! Eu também estive presente no largo da concórdia, em 1964. Na ocasião tinha 13 anos e trabalhava num escritório de contabilidade situado no prédio que existe ainda hoje ao lado do viaduto Gasômetro, esquina com o largo. O nome do escritório era Moacir Santana. Lembro-me que no centro do largo havia um ponto de parada de bondes da CMTC. É muito bom recordar aquela época. Parabéns pela materia. Enviado por Antonio Aguilar Neto - [email protected]
Publicado em 13/10/2012 Eu , Therezinha , gostei muito da sua narrativa , sobre o Largo da Concórdia . Gostaria de saber se Vc conheceu o Odilon , que morava em frente o Largo,como o Teatro Colombo ? Gostaria muito de poder conversar com Vc , sobre esta Família , que tinham pensões, hotéis ... eu procuro por eles , há anos . Vou entrar no seu e-mail. Abraços! Enviado por Therezinha Domingos - [email protected]
Publicado em 06/10/2012 Sr.Bertaglia, excelente descrição e recordações. Não existia ali um teatro de alumínio? Quanto ao ano de 1968 a que se refere o prefeito era Faria Lima (1965-69), precedido por Prestes Maia e depois de Faria Lima veio o Maluf. Abraço do Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 04/10/2012 Dorival muito boa lembranca do nosso sempre querido e saudoso bairro do Braz ,o teatro Colombo , a despedida da vida do Chico Alves , o Minas Gerais dos meus bailes carnavalescos , o cine Babilonia, que ficava na esquina da Rangel com o Largo, o tragico cine Oberdan donde morreram tantas inocentes criancas naquele incendio no fim dos anos 30.Muitas lembrancas encarnadas na minha mente.So uma pequena discordia quando dizes que o viaduto do Gasometro foi inaugurado em 1968.Realmente o que foi inaugurado mais ou menos nessa data foi o da Rangel Pestana o Nalberto Marino .Pois o Dr Ademar de Barros inaugurou o Gasometro no dia 27 de dezembro de 1949 , eu fui testemunha ocular dessa inauguracao. Veja a cronica que escrevi a respeito publicada pelo Site em 21-12.2011 (Um Presente de Natal para Sao Paulo).Em 1968 o Dr Ademar de Barros ja estava com seus direitos cassados pela ditadura que imperava no Brasil e vivendo no exilio .So acredito que voce se enganou nas datas ,mas foi uma lembranca maravilhos a tua .Abracos Felix Enviado por Joao Felix - [email protected]
Publicado em 04/10/2012 Dorival - Recordo também sobre as casas do Norte . Nas ruas paralelas ao Largo - Rua Miller, Almeida Lima e Joaquim Nabuco tinham essas casas, onde ficavam dependuradas na porta dessas casas as carnes de "Sol" mais conhecida como "Jabá". Na minha rua tinha varias pensões e a maioria eram pessoas do Norte. Nos finais de semana estavam lá comprando Jabá, Farinha de Mandioca, Feijão não sei do que, rapadura etc. Abraços ... Enviado por Jose Aureliano Oliveira - [email protected]
Publicado em 04/10/2012 Dorival, Lembro que por volta do final dos anos 60, começo dos anos 70, havia no Largo da Concórdia um violão feito de cimento armado que homenageava Francisco Alves, ou Chico Viola como queira alguns. Depois desta última reforma,2010 / 2011, sumiram com o violão e a memória a Francisco Alves, o Rei da Voz. Na placa, aos pés da homenagem, estava escrito: "Aqui, no dia 26 de setembro de 1952, Francisco Alves fez sua última apresentação". Enviado por Pedro Nastri - [email protected]
Publicado em 04/10/2012 Caro João Felix


Realmente, você tem razão. Estava meio confuso com as datas das duas inaugurações. Em 1949 o Adhemar era governador. O que eu me lembro é que na inauguração ele num carro quebrou uma porteira feita de gesso na inauguração. Eu acho, mas só acho, sem ter certeza que ele também fez a outa ponte quando era Prefeito em 1.968.
Enviado por Dorival Bertaglia - [email protected]
Publicado em 03/10/2012 Dorival, lembro-me bem do Largo que você descreveu. Meu avô morava na rua 21 de Abril, quase esquina com a Rua Bresser (era dentista)e eu, meu irmão e minha mãe, iamos todas as quintas-feiras visitá-lo.
Na verdade, hoje nada sobrou do Largo famoso.
Enviado por Miguel S. G. Chammas - [email protected]
Publicado em 03/10/2012 Pois é o Largo da Concórdia e São Paulo inteiro
está diferente.Estive no Bairro onde cresci,e não reconheci mais nada,nem ao menos as casas restaram
Agora só nos resta guardar dentro de nós, estas doces lembranças...
Enviado por walquiria rocha machado - [email protected]
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