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Categoria - Outras histórias Galatassaray X São Paulo Autor(a): Dorival Bertaglia - Conheça esse autor
História publicada em 28/09/2012
Corria o ano de 1952. Entravamos no quarto mês desse ano. Eu, um moleque de 12 anos. Em uma terça-feira comum, após o almoço, fui encontrar meus amigos na porta do Cine Oberdan, na Rua Saião Lobato, para bater uma bola, dado que ali o trânsito era pouco.

Ali mesmo morava um dos amigos que nos avisou que o São Paulo jogaria na Europa. O clube estava fazendo uma turnê e o jogo seria na Turquia, contra um clube chamado Galatassaray. Nunca ninguém tinha ouvido o nome desse clube; era um desconhecido absoluto.

Deve ficar entendido que naqueles tempos a comunicação era muito difícil, TV era insipiente, a cópia era no mimeógrafo (que sujeira!), a máquina de calcular era a Facit – é - aquela mesmo de rodar a manivela e a máquina de escrever era a Remington.

Ninguém sabia exatamente por onde o São Paulo andava; os resultados chegavam um dia depois. Mas a notícia dada pelo amigo era que o jogo iria se realizar e uma rádio iria transmitir: se tratava da Rádio Record. O locutor: Geraldo José de Almeida.

Naqueles tempos, no Brás, tinha muito palmeirense, por causa da colônia que ali se concentrava, poucos corinthianos e quase nenhum são-paulino. Mas, “porca miséria”, o amigo que ali morava na Rua Saião Lobato - de nome Silvio - era um dos são-paulinos. Ele colocou o rádio na janela da casa e enquanto jogávamos nossa pelada fomos ouvindo a transmissão.

Começou o jogo e um gol do Galatassaray; pouco depois 2x0 para o time turco. E assim foi 3x0, 4x0, 5x0. Aí paramos com o nosso futebol e ficamos atentos ouvindo o jogo. O Silvio estava branco de raiva e não acreditava na coisa. Mas o placar foi aumentando, e aumentando até chegar em 9x0. Minha memória não tem certeza do placar final, mas parece que foi 9x0.

Bem, para a história pouco interessa. A verdade é que o placar foi enorme a favor do desconhecido Galatassaray. Precisamos dar água com açúcar para o Silvio; fizemos de tudo para acalmá-lo; ele estava petrificado. Dava pena!

O locutor Geraldo José de Almeida, são-paulino fanático que, em soluços, chegou ao final da transmissão não conseguindo explicar a acachapante derrota. Foi então que veio a explicação; simplesmente era um primeiro de abril e tudo foi um enorme teatro.


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Publicado em 01/10/2012 Dorival, eu me lembro como se fosse hoje. Eu estava na rua Saldanha da Gama, vigiando um Nash, 1948, que o meu tio mecânico deveria reparar e fora comprar peças no centro da cidade. Lembro-me que houve uma penalidade para o tricolor, que ..."foi defendida pelo goleiro do Galatassaray", que sacanagem fizeram com a gente... Um abraço Rossi. Enviado por antonio rossi dos santos - [email protected]
Publicado em 28/09/2012 Lembro dessa passagem, se fosse verdade o Geraldo José de Almeida voltaria, pra casa na horizontal, coitado. Bela recordação, Bertaglia.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 28/09/2012 DORIVAL. O parágrafo final do vosso texto foi maravilhoso. Ainda bem que era primeiro de Abril. Hoje, passado meio século da tal brincadeira, se eu ficasse ao lado do autor desta brincadeira, sem dúvida, iria critica-lo por ter tido idéia tão cruel. Viva o S.Paulo FC. Valeu ! Enviado por xico lemmi sãopaulino - [email protected]
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