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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Curiosidades, ofícios e profissões do Bixiga nos anos 60 Autor(a): Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - Conheça esse autor
História publicada em 24/09/2012
Como menina curiosa que sempre fui, observava atentamente tudo ao meu redor. Já escrevendo para o site São Paulo Minha Cidade, um dia recebi uma solicitação. Era um jovem pesquisador da USP, atuando na casa de Yaiá no Bixiga. Ele me fez algumas perguntas e entre elas quais eram as profissões existentes no Bixiga na época em que lá residi. Pensei e fui relembrando de tudo que vi, senti e vivi em meados e final dos anos 60. É sobre isso que resolvi escrever e registrar hoje, pois achei muito interessante pensar e relatar ao jovem o que observei. Acho também importante compartilhar e receber complementos, observações, sugestões, etc.

Iniciei com a profissão de barbeiro, de nosso primo Orlando, pois aos sábados lá estava ele, na vila em que residiam meus tios, para exercer seu nobre ofício. Também me lembrei de Dona Paquita, a espanhola baixinha, de coque, já grisalha, que era lavadeira e carregava as trouxas de roupa na cabeça, com o corpo ereto e sempre dialogando com as pessoas. Lembrei dos irmãos Belizzi que eram padeiros, de Dona Carmela Luzzo que possuía um bar, que recebia muita gente para provar os quitutes e cantar, inclusive Adoniran Barbosa e Elis Regina. Lembrei de Dona Tereza Braga que fazia bolos e doces deliciosos. Também do Sr. Agostinho Luzzo, sapateiro. Havia também a alfaiataria dos senhores Tito e Ninon.

A Art Flor fabricava vários tipos de arranjos e eu gostava de observar como eram colocadas as pétalas das rosas. Dona Maria Amélia, a pianista, jovem e solteira, ministrava suas lições em casa. Havia também o bar do Geni, a vendedora de produtos de Avon, Dona Kanako, residente em um prédio, e a pensão de Dona Thereza, que servia comida em casa e à domicílio. Mais adiante também a costureira, especialista em vestidos de festa e de noiva, chamada Marianinha.

Lembro-me de Alice, a cabeleireira de origem oriental, que todos procuravam muito por seu excelente trabalho e simpatia. De feirantes, me recordo ainda do casal de italianos: Vicente e Gina, que vendiam enfeites de cabelo. Do fotógrafo Tucci, com lindas imagens em preto e branco, de crianças e de casamentos nas vitrines. Do motorista particular e de táxi, Sr. Vicente, que dirigiu para Adhemar de Barros e também para a Sra. Odete. Do Sr. José, de origem árabe, que vendia roupas de cama no bairro. Todos procuravam também pela farmácia do japonês para tomar injeções e pedir indicações de remédios. Na Rua Rocha também existia muitas tinturarias, lavanderias e alguns bares. Em um prédio, no final da rua, já quase chegando à Avenida Nove de Julho, residiu a cantora Cláudia, que depois ficou muito conhecida pela beleza de sua voz e por ter interpretado a música “Não chores por mim Argentina”, homenageando Evita Perón.

Lembrei também de Dona Natalina, costureira. De passistas, sambistas, porta-bandeiras, da escola de samba “Vai-vai”, que moravam também na Rua Almirante Marques de Leão. Recordar é viver, já diziam os poetas. Deixo aqui um pouco destas lembranças. Grata pela oportunidade!


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Publicado em 21/11/2012 O Bixiga sempre foi rico em sua comunidade bairrista e, não poderia faltar inusitados profissionais locais. Havia um consertador de bonecas na rua São Domingos, quase esquina com a Major Diogo. Era um moreno forte e tinha um perfil fisionômico de lutador de luta livre. Dona Marina, que lavava e passava camisas para seu sustento, lá na Santo Antonio. Paralítica, exercia o seu mister como ninguém. Neuza, professora de piano, morava ao lado de dona Marina e ministrava suas aulas com um piano do tipo 'armário', coisa rara hoje em dia. A barbearia do Egydio, no início da Treze de Maio, com a clássica foto de calendário de Marilyn Monroe, nua, envolta em uma colcha de cetim vermelho. Abraços Enviado por nelson de assis - nel,[email protected]
Publicado em 25/09/2012 Puxa menina! Que memória prodigiosa e formidável a sua. Fiz um passeio com vc pelo velho e tradicional bairro do Bexiga. Ótimas lembranças Ana Maris. Abraço Grassi Enviado por J Grassi - [email protected]
Publicado em 25/09/2012 Ana, só depois de certa idade que passa um filme de diversos temas em nossa mente, sou da época ainda de pedir ajuda a telefonista para uma ligação, depois veio o telex e tinha a telexista, picotando aquelas fitas amarelas e fazia uma sujeira no chão, e fins de 1980 veio o fax, revolucionou os escritórios, e fax para todo lado agilizando o trabalho, e complementando essa decada de 90 a popularização da informatica, parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
Publicado em 25/09/2012 Ana é sempre muito gostoso ler alguma coisa sobre os bairros tradicionais de S. Paulo, sobretudo o Bixiga que me atri muito, ultimamente tenho ido par aquela região e faço o itinerario passando pelo Bixiga e numa noite dessas de calor deparei com algumas senhoras sentadas em cadeiras colocadas na calçada, na r. Rocha quase esquina com a r. Una, aí me lembrei deste site maravilhoso e seus escritores que contam muita coisa bonita sobre os nossos bairros, parabens pelo seu texto e um abraço. Enviado por João Sant´Anna - [email protected]
Publicado em 24/09/2012 Ana Maris, você me fez dar um passeio no nosso Bixiga profissional. Lembrei de mujitos dos qaue foram aqui citados e, entre os que não foram citados lembrei do Zé Maria e do Nicola do Bar e Bilhar Rex. do Luiz e seu Irmão Nelson (ambos falecidos) do Bar e Lanches Urupes da Major Diogo. Valeu! Enviado por Miguel S. G. Chammas - [email protected]
Publicado em 24/09/2012 Ana Maris, vc fez-me lembrar de meu bairro Brooklin/Parada Petrópolis que praticamente tinha personagens parecidos com o que vc citou, mas tudo mudou. Parabéns pela excelente memória. Aquele abraço. Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
Publicado em 24/09/2012 Ana, esse era o tempo em que eu ainda não conhecia o Bixiga. Só fui conhecê-lo mais tarde, no final dos anos 70, quando jovem e então eu saía para passear. Sempre tive muita curiosidade em conhecer a dona Carmela. Se você puder contar mais sobre ela eu ficaria agradecida. Mas o seu texto foi instigante, bonito , elegante como sempre. Parabéns, Ana. Escreva mais sobre esse bairro poético, especial, encantador. Um beijo. Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 24/09/2012 Parece que acordei e me vi no Teatro Zácaro, assistindo a comédia do Ary Fontoura. Quanta besteira gostosa. Saíamos do Prédio da Embratel na Rua dos Ingleses e almoçávamos, nas cantinas do Bexiga. O Celso ( Japonês) funcionário da Embratel nos levava para comermos “ Cabrito ensopado” . Hummmm deu água na boca. Abraços Ana. Enviado por José Aureliano Oliveira - [email protected]
Publicado em 24/09/2012 Amiga,Ana Maris você se lembra da vila Joaquim
Antunes perto da rua Rui Barbosa,abracos
Enviado por antonio pinto alves - [email protected]
Publicado em 24/09/2012 Lendo seu texto Ana Maris, fui percebendo a grandeza e a riqueza do Bixiga, que ficou mais famoso na cidade que a Bela Vista seu nome original. Acho uma delicia tudo isso. Viva o Bixiga. Enviado por Arthur Miranda - [email protected]
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