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Categoria - Outras histórias Quando vim morar no Brooklin Autor(a): Ana Lucia Simúes Salgado Treccalli - Conheça esse autor
História publicada em 20/09/2012
Em 1971 quando vim morar no Brooklin boa parte das ruas ainda eram de terra e nelas não havia iluminação pública. Todas as noites meu marido ia me esperar no ponto de ônibus que ficava na esquina da Rua Pensilvânia com a Guaraiuva, quando eu chegava do trabalho, para que eu não descesse a rua sozinha e no escuro só quebrado por algumas luzes que as famílias deixavam acesas para iluminar o jardim e ajudar as pessoas que chegavam à noite.

Estranhei a mudança porque eu morava na Rua Albuquerque Lins esquina com a Rua Barra Funda - local movimentado e barulhento por causa do Cine São Pedro e dos bondes que passavam na esquina. No Brooklin havia muito silêncio e grilos cantando no meu jardim! Como tudo mudou! Hoje é impossível andar no meio da rua como estávamos acostumados mesmo porque não havia trânsito. O de hoje não permite mais isso.

A Avenida Luiz Carlos Berrini que era apenas um córrego se transformou em um polo comercial fervilhante por causa dos muitos edifícios com bancos, firmas, escritórios, a exemplo do que aconteceu na Avenida Paulista décadas atrás. E sei disso porque passei boa parte de minha infância e adolescência na casa de meus avós na Alameda Santos perto da Rua Pamplona e acompanhei o desenvolvimento daquela região que passou de bairro residencial e tranquilo para centro nervoso de comércio, bancos, escritórios, fervilhante de gente e trânsito.

O mesmo está acontecendo no Brooklin. De manhã e no fim da tarde, o trânsito é caótico porque as ruas do bairro até então apenas residencial, não aguentam o fluxo de veículos que aumentou imensamente. No horário do almoço as mesmas ruas são invadidas pela multidão de funcionários, dos edifícios ali construídos, a procura de restaurantes e padarias para uma refeição.

Muitas casas de famílias que conheci e com quem eu e meus filhos convivemos se transformaram em restaurantes, lojas, prestadoras de serviços, ou foram demolidas em massa - quarteirões inteiros - para dar lugar a prédios de apartamento ou de escritórios.

Mas, uma coisa boa está acontecendo. As pracinhas do bairro antes completamente abandonadas estão pouco a pouco sendo recuperadas e mantidas em ordem porque as pessoas as procuram para sentar um pouco depois do almoço, conversar, tomar um sorvete.

Os bons tempos de sossego e grilos no jardim se foram, mas nem tudo é ruim. O progresso é necessário, precisamos dele e, como se dizia antigamente - São Paulo não pode parar e os incomodados que se mudem!

As maritacas e bem-te-vis ainda não mudaram e nos acordam todas as manhãs e fazem algazarra nas árvores da rua e no meu telhado, descendo até o meu quintal para comer a comida do canarinho. Eu também não mudo, pelo menos por enquanto. Os prédios estão chegando perto "do meu quarteirão", mas moro no mesmo lugar - agora asfaltado e com luz na rua e trânsito pesado durante a semana - um pouco sufocado pelos prédios que estão acabando com os quarteirões inteiros de sobrados com quintal e jardim.

O Brooklin mudou, ficou agitado, mas quem mora aqui ainda o acha um lugar agradável para morar!


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Publicado em 04/10/2012 O Brooklin é um dos melhores bairro para se morar, morei muito tempo na rua california, minha avó falava que a av. padre antonio se chamada "av. central". Enviado por walyson trautenmuller - [email protected]
Publicado em 21/09/2012 Essas transformações na região são tão rápidas que por vezes espanta-nos depararmos com quarteirões existentes que somem repentinamente, ficando a impressão da máxima de “tudo que é sólido desmancha no ar”! Como lidar com esse “progresso” em busca da modernidade sempre, num ciclo de “destruição e reconstrução” constante? Santo Amaro parece ser agora o alvo do setor imobiliário desta cidade que se verticaliza, desmoronando aquilo que fez parte de nossa história. Parabéns pela sua identidade com o Brooklin. Enviado por Carlos Fatorelli - [email protected]
Publicado em 21/09/2012 Ana grato pelas boas notícias do Brooklin. Enviado por Clesio de Luca - [email protected]
Publicado em 20/09/2012 Cara Ana, estamos na mesma situação de vcs, no mesmo bairro. Os espigões, as Babeis monstruosas se avizinham, esmagando tudo. Mas nossa ruazinha resiste, e nós com ela, pois ainda é um bom lugar para se viver. Abs. Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 20/09/2012 Ana Lúcia, Felicidades a você e sua família. (a) Chico. Enviado por xico lemmi sãopaulino - [email protected]
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