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Categoria - Outras histórias Sala de espera da quimioterapia Autor(a): Ana Lucia Simúes Salgado Treccalli - Conheça esse autor
História publicada em 22/08/2012
Nasci e cresci na Rua Albuquerque Lins, perto da Praça Marechal Deodoro. Essa praça costumava ser um local de passeio - tenho fotos tiradas nos canteiros de roseiras! Agora foram espremidas embaixo do "minhocão", destruída pelo trânsito enlouquecedor e dela talvez ninguém se lembre mais como nos velhos tempos.

Fiquei saudosista porque depois de 40 anos morando do outro lado da cidade - no bairro do Brooklin - agora uma vez por semana atravesso toda a cidade para frequentar uma sala de espera do setor de quimioterapia de um dos hospitais mais antigos de São Paulo - o Santa Cecília.

Gostaria de ter voltado ao meu velho bairro em outras circunstâncias, mas ficar esperando o tratamento de meu marido me fez observar tudo com mais atenção e cuidado, com os olhos despidos de qualquer preconceito.

O que se aprende em poucas horas na sala de espera da quimioterapia não se aprende durante uma vida quase inteira. Só quem já frequentou tal espaço sabe disso.

A realidade de quem precisa desse tratamento é dura, sofrida. O prazo para a busca da cura é impossível de ser fixado, depende de cada paciente. Para uns é muito longo e doloroso, para outros mais rápido e suportável. Mas, é sempre difícil porque se o físico está mal, o psicológico está pior ainda.

Quando chega o horário, os pacientes entram e os "cuidadores" ficam na sala de espera. É de se salientar que alguns doentes comparecem sozinhos, sem acompanhantes e quando chegam, logo puxam prosa, ansiosos por uma conversa que os anime, lhes dê um pouco de conforto.

Na quimioterapia se vê de tudo: pessoas idosas, de meia idade, jovens e - o pior de tudo - crianças mais crescidas, pequenas e até mesmo bebês. Quando se olha para o lado, sempre se vê alguém em piores condições do que o seu ente querido que está se tratando. Mas, isso não serve – de forma alguma - de consolo. Ao contrário, é motivo de tristeza.

Enquanto esperam a saída dos pacientes, os acompanhantes acabam fazendo amizade, já que se encontram semanal ou mensalmente e são sempre os mesmos.

Isso só nos faz lembrar uma coisa: somos todos iguais. Na hora da doença - seja ela grave ou não - não existem diferenças de cor, de credo, sociais e outras tantas. Estamos todos sujeitos durante o tratamento aos conhecimentos dos médicos, à paciência dos enfermeiros. Estamos literalmente nas mãos de Deus, impotentes quanto ao resultado de tudo o que está sendo feito.

Nessa mesma sala onde se lê, faz tricô, trocam receitas, cochila um pouquinho também se ouvem críticas ou elogios ao convênio médico - que, no caso, damos graças a Deus de ter.

No meu caso, o convênio que muitos criticam, tem sido muito bom e incansável no atendimento ao meu parente que está sendo tratado com competência, amor e atenção. Diga-se que não é dos convênios mais famosos, tem seus defeitos, mas nesta fase difícil de nossas vidas tem sido excelente!

Assim, na sala de espera da quimioterapia, recebemos mais uma lição de vida: o que é necessário em nossas vidas é o amor e a humildade de reconhecer que todos somos irmãos - de uma forma ou de outra - e que não é preciso esperar uma doença ou outro evento para acreditar realmente nisso e começar a agir de forma diferente, porque nunca é tarde para mudar, para recomeçar. Deus nos dá sempre mais uma oportunidade!


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Publicado em 22/08/2012 Texto, realmente, emocionante, Ana Lúcia, nele você explica bem as verdades, o que é a vida, como na realidade têm que ser os procedimentos de nós habitantes da terra. Que Deus lhes dê bastante força e que vocês vençam essa batalha. Força, Fé em Deus sempre. Grande abraço a você e seu espôso - Pedro Luiz -. Enviado por Pedro Luiz Boscato - [email protected]
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