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Categoria - Outras histórias Em 1973 cheguei a Sampa Autor(a): Denira Venancio - Conheça esse autor
História publicada em 20/07/2012
No ano de 1973, no bairro da Estação da Luz (na linda rodoviária), cheguei de trem, com quatro anos de idade. Nem estranhei, achei tudo de bom. Sem casa, logo fomos para um albergue que se chamava “Cetrem”, na redondeza. Foi um lugar de triagem, ficamos pouco tempo e logo fomos encaminhados para a imigração, no Braz.

Lá, começou minha vida: aprendi a ler com a professora Elenir, que hoje deve estar “descansando”. O livro usado era o “Caminho Suave” (saga Didi e Fábio). Apesar do lugar, tive muitas alegrias; foi um tempo que deixou só saudades. Como não tinha moradia fixa, comecei uma vida de aventura: fomos do Braz para a Vila Clementino, onde nasceu meu irmão; de lá, fomos para Calmon Viana, onde conheci o “Soul”. As calças eram boca-de-sino e, das mulheres, a maioria eram bordadas. O Black era o penteado que fazia sucesso, a música era a alegria daquele tempo; muitas coisas eram boas.

Mas, voltamos para o Braz. Nesse tempo, comecei a ter a visão de que eu estava em um lugar bom para viver: as ruas muito cheias com comércios, indústrias, fábricas, tudo ao alcance de todos - emprego, onde minha mãe escolhia... Mas, o aluguel foi nos apertando e aí fomos, de novo, mudando de lugar: agora, era Jardim.

Onde eu vivia, na represa de água, éramos todos amigos, comecei a conhecê-los; a sobrevivência era escassa para todos (muito humildes). O lugar era longe, mas, vamos que vamos... Estava acostumando-me com o lugar quando vem minha mãe novamente... Mudamos de lugar e para mais longe: interior de Sampa – Mairinque, onde eu fui para a roça e, lá, tive que comer até Tanajura: mato no linguajar popular (sei lá que granja que era). Era ovo, galinha e feijão. Nos canaviais tinham muita cana, todos os dias e história de terror também. Água? Só na lata, ao longe, e banho? Fora de casa.
A lamparina iluminava a casa (eu até hoje gosto do cheiro do querosene). O cheiro de barro também agradava e ele era a nossa brincadeira. Era um lugar de paz, mas, voltamos para a capital (isso já no ano de 1979, novamente, na imigração). Lá, ficamos mais um tempo e fomos morar no Jardim São Jorge Domitila, Avenida 27.

Com doze anos o lugar era sinistro, aparentemente, mas fui me adaptando, conhecendo novos amigos: Claudia, Inácia, Sandra, Lena, Claudio, Sergio finado, Luizinho finado, Lia, Valtinho, Nelcinho, Regis, Laide, Soraia, Tuta, Chiquinha, Lurdona, Marivaldo, Minhau, Pedro Maluco, Pinguim, Ana Lucia, Adriana, Valeria, Cristina, Nene, Titica, Marcia, Tica, Vania, Luzia, Guega, Zuma, Dinalva, Jane, Berenice, Laudicelia, Leninha, Angela, Renata, Juliana, Simone, Neni, Moseies, Barroso, Japonês, Begue, Consul, Emilia, Monica, Dulce Maria, Xuxa, Caki, Granpola, Thais, Denise, Luciana ,Cassia, Dora, Lica, Cida, Michele, Valkiria... Tem muitas pessoas que fazem parte da minha história, mas, vou relacionar as lembranças (os amados também fazem parte: Pinguim, amor platônico; Evaldo 1; Sidney, pai dos meus 3 filhos, Marcos, Jorge, Denis, Flavio, Edinho, Donizete, Renato, Andre. Esse homem teve parte nessa caminhada da vida em Sampa. Hoje, sou vovó de 4 netos, moro em Interlagos. Os tempos não voltam mais. Que saudades!


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Publicado em 23/07/2012 Linda e comovente história de vida. Pelo tanto de gente que faz parte da sua história você deve ser uma pessoa cativante, guerreira e forte. Parabéns pelos netinhos que devem estar orgulhosos dessa vovó lutadora. Enviado por Trini Pantiga - [email protected]
Publicado em 23/07/2012 História comovente e interessante, e com certeza, muito dificil. Tudo isso de deu uma força interior muito grande, e não esqueceu os amigos e entes queridos. Parabens, continue escrevendo. Enviado por Hermes C. Figueiredo - [email protected]
Publicado em 22/07/2012 Denira . Acredito que para todos nos essa época foi dificil. Mas todos que aqui escrevem seus relatos adoraram viver nesse tempo, inclusive eu.
A saudade e tão grande daqueles tempos que tinha um gostinho de vida maravilhosa. Abraços
Enviado por jose aureliano oliveira - joseaurelianooliveira,[email protected]
Publicado em 20/07/2012 Minha querida,como os albergues que acolhia e dava oportunidades mudaram..Mas sua família teve vida de ciganos,e na sua inocente infância tudo era bom. A lembrança de sua prof. Elenir,e e os lugares que morou foi a herança que ficou em seu coração.A dureza e a pobreza do sítio,deve ter feito de você uma pessoa melhor,a saudade dos seus amigos e dos amados que fizeram você feliz em alguma época da sua vida também engrandece as suas lembranças... Enviado por walquiria rocha machado - [email protected]
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