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Categoria - Personagens Memórias do que sobrou Autor(a): Miguel S. G. Chammas - Conheça esse autor
História publicada em 16/07/2012

Estou sentado no sofá da minha casa, na Praia Grande, sozinho, pois a Sonia está trabalhando em Rio Claro e não tinha como voltar. Meu computador está quieto na minha frente, mas não tenho vontade de usá-lo, não me ocorre nenhuma ideia para desenvolver um novo texto.

Termino de tomar o ultimo gole da cerveja que havia aberto para comemorar meu “niver” e olho ao redor buscando alguma coisa para prender a minha atenção sem ser a TV, que está sempre a me fazer companhia. Nada acontece.

Olho novamente para o computador e trago-o para mais perto. Começo a dar trabalho à minha memória.

Depois de muitos anos registrando memórias acho que esgotei as minhas reservas, mas não desisto, procuro saber se sobrou alguma coisa, então lembro que: Sobrou a lembrança do lugar onde nasci, a Maternidade São Paulo, e que hoje não existe mais; Sobrou a lembrança da velha casa da Rua Augusta onde vivi minha infância; Sobrou a lembrança dos tios e primos que comigo moravam; Sobrou a lembrança da Escola Santa Monica, onde aprendi minhas lições do curso primário, minhas aulas de religião, minhas brincadeiras no recreio. Forço um pouco mais e me lembro: Sobrou minha vida juvenil também ali na Rua Augusta; Sobrou lembrança do Grupo Escolar São Paulo, do Colégio Frederico Ozanam, da fanfarra, dos amigos da juventude, dos bailinhos dançados ao som de "Pick-up e Sus Negritos"...

Sobrou, ainda, minha vida boêmia, meus salões de baile, minhas gafieiras, minhas diversas namoradas; Sobrou a lembrança de alguns anos bons de meu casamento e de muitos anos ruins desse mesmo casamento; Sobrou a lembrança boa do nascimento de meus filhos, inclusive, a chegada sem prévio aviso do meu filho Alfredo; Sobrou a é lembrança da entrada em minha vida da mulher que hoje, minha companheira, amiga, enfermeira, enfim, é o amor que sempre esperei e um dia ganhei.

Então pude dar uma súbita parada de meus pensamentos e, em um ato de verdadeira contrição, concordar que depois de todas essas sobras de lembranças fui, sou e serei um homem rico e feliz.

Agradeço a Deus pela memória que me concedeu e pela vida que me permitiu viver.


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Publicado em 20/07/2012 Miguel como campeao das memorias deste Site( mais de 200) , e que por sinal uma melhor que a outra , e depois desse agradecimento que voce faz a Deus por ele te ter concedido essa Graca so podemos dizer AMEM ! ! ! Abracos Felix Enviado por Joao Felix - [email protected]
Publicado em 19/07/2012 Quando sua memória esgotar ( o que eu não acredito, comece a contar historias dos encontros com as redondas, tenho saudades de todas elas, dos encontros do grupo nos finais de ano. Aquele encontro aqui em Lorena eu e a Denise jamais esqueceremos, Acho que tem muita historia nesses encontros. Enviado por Arthur Miranda - [email protected]
Publicado em 17/07/2012 Sr. Miguel, lembra-se que me ordenou que não parasse de escrever para este site maravilhoso? Eu lhe obedeci. Agora faço minhas as suas palavras, pode parar não, quero lêr muitas memórias que sei ainda estão por vir, é só fazer um esforcinho e pronto, sua mente se clareará e nos oferecerá mais uma bela história, estarei a espera..abraços Maria Thereza. Enviado por Maria Thereza Marangoni - [email protected]
Publicado em 17/07/2012 Miguel,minha vó faleceu aos 107 anos e contando histórias,portanto amigo vc. esta começando.
Um abraço.
Enviado por vilton giglio - [email protected]
Publicado em 17/07/2012 Sem dúvida, uma vida rica e feliz. E não se preocupe, Miguel. Se se esgotaram - o que duvido- suas memórias passadas, aí está o Hoje, vivo e vibrante, na sua frente. É muito mais importante que o outrora. Há muito tb a escrever sobre ele! Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 17/07/2012 É Sr Chammas como diz o ditado oque a gente leva da vida é a vida que se leva.Parabens pelo belo texto.
Alexandre
Enviado por alexandre ronan da silva - [email protected]
Publicado em 17/07/2012 Nossas memórias, nossas lembranças são um grande tesouro que nos cabe preservar! Digo isso pois sei o quanto é triste uma pessoa perder verdadeiramente a memória! A pessoa perde, junto com a memória, sua identidade! Minha querida mãe foi vítima daquele tenebroso alemão, o Alzheimer e sei o que a perda de memória representa!
Curta e cultive as suas lembranças, suas memórias pois tem ainda muita coisa para nos contar e encantar! Abraço Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - [email protected]
Publicado em 17/07/2012 Caro Miguel, você fez um balanço dos anos vividos, da emoções neles contidos, desde a doce meninice até da juventude passada e hoje, sentado em frente do computador acha que não tem mais nada a nos contar. Engano seu! A nossa memória, é prodigiosa e sempre tem algo para recordar. Foi por isso, que você elaborou essa sua bela recordação de um tempo já passado e hoje, ainda muito bem vivido. Abraço Grassi Enviado por J Grassi - [email protected]
Publicado em 17/07/2012 Habib. Aqui na Bahia, todas as sobras a gente 'ajunta' e faz um 'arrumadinho'. Com voce não foi diferente. Seu arrumadinho ainda tem muitas sobras para serem acrescentadas às suas já famosas memórias. Abraços. Enviado por Nelson de Assis - [email protected]
Publicado em 16/07/2012 E isso aí Miguel.Parabéns pelas belas recordações!E pode ter certeza. Você não é rico, mas um multi milionário,Um abraço. Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
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