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Categoria - Outras histórias Memórias de um rapto amigável Autor(a): Miguel S. G. Chammas - Conheça esse autor
História publicada em 03/07/2012

Sempre fui adepto de brincadeiras com noivos e noivas, meus leitores já devem conhecer essa característica mercê de textos anteriores.

Muito bem, sexta-feira passada fui à São Paulo para buscar umas receitas que haviam sido deixadas para mim no Convênio. Como meu filho aniversariou dia 8 de maio, combinamos, então, de nos encontrarmos para pôr as conversas em dia e molhar as goelas, um tanto quanto secas pelo papo, com copos de Itaipava para lá de geladas.

Quando estávamos marcando o encontro, perguntei ao Alfredo onde seria e ele, de pronto, me disse: “- Pai, vamos nos encontrar em frente às catracas da Estação Vila Mariana do metrô. Conheço um barzinho “da hora” ali perto!”

Local decidido, horário combinado, nada mais havia a fazer do que esperar a data aprazada. Dia 8 de maio, pontualmente às 17h, cheguei ao ponto do encontro. Meu filho, como costuma acontecer, chegou um pouco (desta vez, pouco mesmo) atrasado.

Depois dos beijos normais, encetamos a caminhada até o tal barzinho. Quando chegamos ao local, "surpresa!", era um bar muito conhecido por mim anos atrás. Contei isso a ele e ouvi: “- Pô pai, onde você não conhece?” Entramos e sentamos em uma mesinha. Pedimos a primeira birra e começamos a tagarelar. No meio da conversa, comecei a me lembrar da última vez que ali estive e, depois de algumas gargalhadas, decidi contar ao Alfredo o que aconteceu naquele dia.

Foi assim: Estávamos nos anos 70, não me lembro exatamente a data exata, sei apenas que iríamos participar do casamento de um casal de grandes amigos, Valfrido e Léo. Ele morava, naquela época, na Vila Mariana, em uma casa no final de uma vila residencial, e a festa do casório seria realizada em sua casa. No dia, terminada a cerimônia religiosa, nos dirigimos ao local do “rega bofe”. Lá chegando, me deparei com o Vado, primo do noivo e também muito meu amigo. Então, conversa vai, conversa vem, resolvemos fazer uma brincadeira com o noivo. Qual seria a brincadeira? Roubar a noiva por uns momentos de boas gargalhadas.

Resolvidos, esperamos a noiva aparecer no início do corredor da Vila, fomos abraçá-la e com nossos abraços amigáveis fomos empurrando-a para dentro do meu carro. A Leo, “baiana arretada”, percebeu e aceitou a brincadeira. Entrou no carro. Entramos também e, sem dizer nada a mais ninguém, raptamos a noiva e a levamos para o bar onde eu estava agora sentado junto com meu filho. A brincadeira não terminou ali, eu ainda deixei o Vado e a Leo no bar tomando uma caipirinha oferecida pelo dono do bar, pelo inusitado da visita, e fui até minha casa no Bixiga buscar uma câmera fotográfica para registrar a ocorrência.

Na minha volta, depois de algumas fotos, entramos no carro e nos dirigimos até o Instituto Biológico no final da Avenida Conselheiro Rodrigues Alves. Lá chegando, assustamos a Leo pedindo que ela entrasse de sapatos e tudo no laguinho artificial, mas logo em seguida desmentimos e, entrando no carro, voltamos para a casa do noivo que, naquela altura, espumava de raiva e prometia quebras a minha cara e a cara do Vado.

Depois de uns poucos momentos de suspense o clima desanuviou, o casamento prosseguiu no meio de muitas gargalhadas regadas à cervejas e salgados diversos. Mais uma vez o bom senso havia prevalecido aos dissabores de uma boa e amigável brincadeira.


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Publicado em 05/07/2012 Caro Miguel, esse texto é muito bom. As vezes são locais que costumavamos frequentar e depois de algum tempo, voltamos e lembramos de coisas que passaram na época da mocidade. As brincadeiras com os recém casados como no caso ai narrado de "raptar" a noiva. São lembranças de um tempo bom e bem vivido. Um abraço Grassi Enviado por J Grassi - [email protected]
Publicado em 05/07/2012 Miguel do céu! Que bom que aceitaram a brincadeira! Eu teria dificuldade em aceitar. Um abraço. Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 04/07/2012 Qual o nome do festivo barzinho? Enviado por alexandre ronan da silva - [email protected]
Publicado em 03/07/2012 Meu caro Miguel. Texto original repleto de bons momentos e cerveja, é claro. Pelo menos a história acabou com um final bom e alegre. Abraços Anthony Enviado por Anthony Mennitto - [email protected]
Publicado em 03/07/2012 Miguel, na realidade você praticamente agiu como um cupido às avessas, ou seja no lugar de favorecer o casamento, você tentou impedi-lo (risos) Ainda bem que tudo era apenas uma brincadeira, como disse o meu querido amigo Peninha na musica da letra de sua autoria SONHOS. Enviado por Arthur Miranda - [email protected]
Publicado em 03/07/2012 Curiosa coincidência de bares, Miguel. Mas, bem você poderia ter ido ao famoso Jabuti, mestre em batidas e iscas de peixes, que fica quase defronte ao prédio do Biológico. Poderia economisar gasolina e gastar em boas cervejas. Abs. Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 03/07/2012 MIGUEL, na minha mococidade, no aniversario de um amigo, nos roubamos o BOLO do aniversariante,
depois do susto nos devolvemos o BOLO, foi so brincadeira,
Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
Publicado em 03/07/2012 Abrincadeira foi boa, mais se fosse na minha epoca em q o noivo ficava namorando a noiva de longe na sala de vizitas,e so pegava na máo, na hora da despedida.O pobre noivo ia morrer do coraçáo. fique com deus. Enviado por maria pia tiezzi mirabella - [email protected]
Publicado em 03/07/2012 Seu filho faz aniversário no mesmo dia que o meu...A sua história é muito engraçada adorei, contando o tempo, foi muito atrevida para a época. Vocês foram muito corajosos. Parabéns.
MC
Enviado por mary clair peron - [email protected]
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