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Categoria - Paisagens e lugares Moema, ex-Indianópolis Autor(a): Mario Lopomo - Conheça esse autor
História publicada em 28/06/2012

No início dos anos 1950, eu não conhecia o nome Moema. Para todos o nome do bairro era Indianópolis, não sei por que cargas d’água Indianópolis ficou sendo somente a Avenida. Eis que de repente ali ficou sendo o bairro Moema.

No início dos anos 1950 a prefeitura, para homenagear a raça Árabe, trocou o nome da Avenida Indianópolis para Rua República do Líbano. Houve uma revolta do povo que tirou as placas jogando-as fora. Depois, através de um acordo entre moradores e prefeitura, esta avenida ficou com os dois nomes. República do Líbano até a Avenida IV Centenário, continuando como Avenida Indianópolis.

Mas, a principal via de Moema já era a Avenida Ibirapuera. Com suas pistas divididas por uma “canaleta” por onde passavam os bondes que vinham do Largo Sete de Setembro (Liberdade) indo até a Avenida Adolfo Pinheiro (Santo Amaro). Até 1972, a Avenida Ibirapuera ficou com esse nome de "cabo a rabo". Mas, com a morte do Zé da farmácia, (José de Oliveira Almeida Diniz) foi dado seu nome a uma parte da avenida a esse grande benemérito que foi o homenageado.

Zé da Farmácia era conhecido por ser um farmacêutico benemérito, foi candidato a vereador por muitas vezes, representando o bairro de Santo Amaro, e perdia todas as eleições que concorria. Era muito amigo de Roque Petroni Junior, também farmacêutico, dono de uma humilde farmácia na Vila Cordeiro (Brooklin Velho) a Farmácia Nossa Senhora Aparecida.

Ambos tinham o mesmo ideal: estar sempre ao lado das pessoas necessitadas. Além de Zé da Farmácia e Roque Petroni, também Roque Petrella, que era médico, se integrou aos dois, formando um trio da filantropia, que aos domingos iam de casa em casa ver como estavam aqueles moradores que tanto consumiam seus produtos.

Porém, em outubro de 1972, José de Oliveira Diniz, o Zé da farmácia, candidatou-se novamente a vereador e desta vez ganhou, mas em janeiro de 1973, dois meses antes de tomar posse, "Zé da Farmácia" veio a falecer quando estava trabalhando em sua farmácia no bairro Santo Amaro.

Em homenagem a esse grande benemérito a Avenida Indianópolis passou a ter o nome original do Zé da farmácia, José de Oliveira Almeida Diniz, a partir de um determinado setor, dando prosseguimento a Avenida Indianópolis.

O bonde Santo Amaro foi "o último dos moicanos". Ele, que passava pela Avenida Ibirapuera, teve seu último trajeto em 1968, tendo como passageiro ilustre o prefeito Faria Lima. Apenas ele resistia às demais linhas de bondes, que já tinham sido retiradas de circulação.

Nessa confusão, Moema-Indianópolis, havia dois lados a saber: uma parte tinha denominações de Pássaros e outra de Índios. O povo costumava dizer Moema Pássaros e Moema Índios. E o nome Indianópolis foi sendo esquecido e esse nome ficou na memória do povo apenas a Avenida que tem seu início próximo à Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, beirando a cerca do Parque Ibirapuera.

Eu, como estudante, normalmente tomava o bonde na Liberdade (Largo Sete de Setembro) e descia na Avenida dos Eucaliptos para ir ao Brooklin. Ali, tinha a denominação de Vila Helena e bem em frente tinha a Fiação Indiana, uma enorme fábrica de tecidos, terreno onde hoje se situa o Shopping Ibirapuera.

Já que falamos em Avenida dos Eucaliptos, essa via era conhecida somente na boca do povo porque, oficialmente, ela não existe. No registro da prefeitura consta o nome oficial Rua João Castaldi. Veja o exemplo: se alguém perguntar onde fica a panificadora Empório Santa Marcelina todo mundo vai dizer que é na Avenida dos Eucaliptos. Mas, ao verificar o cupom fiscal verá que a razão social consta Rua João Castaldi.

São coisas dessa grande cidade que, desde criança, ouvi dizer que cresceu desordenadamente. Outra rua que, por muito tempo, não havia uma denominação oficial era onde eu morei de 1951 a 1986. Ela beirava o córrego da Traição e toda a sua extensão, por isso o nome que o povo deu a ela era "Avenida da Traição", aproveitando o nome do córrego. Porém em 1970, quando o córrego começou a ser canalizado e por cima dele ficou sendo uma Avenida, seu nome passou a ser Avenida dos Bandeirantes, da barranca do Rio Pinheiros até o bairro do Jabaquara em uma extensão de cinco quilômetros.

Mas, muitos encontros de namorados anos atrás eram marcados no bairro de Moema, em frente à Igreja de Nossa Senhora de Aparecida ou então defronte ao prédio dos Brindes Pombo, pouco antes da igreja. Só não ia quem estava a fim de dar "um grupo" a quem estaria esperando. Porque desculpa de que era difícil de achar, ninguém engolia.


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Publicado em 12/12/2012 A av. Ibirapuera dos anos 1970-1980 também fez parte do minha história de vida... Na infância, passeávamos com meu pai pelas obras da av. da Traição, que ia sendo aberta, para "sair por aí algures", ou "para ver buraco", como ele dizia, em meio a tubulões de concreto e máquinas estacionadas... Mais tarde, depois que ele adquiriu seu primeiro carro (um Fusca 1300 1969 vermelho escuro, CY-0799) houve o período em que as compras de supermercado aos sábados (que antes eram feitas a pé no supermercado Morita do Brooklin, onde morávamos) passaram a ser feitas no CGV, supermercado e agência de carros usados, depois Supermercado Mambo e hoje Pão de Açúcar, em frente ao atual shopping Ibirapuera. Às vezes íamos ao antigo Supermercado Argenzio, onde era vendida famosa mussarela de búfala. Próximo aos Brindes Pombo havia uma loja da rede Procopio Sports, onde meu pai comprou meu primeiro time de botão, do Palmeiras, da marca Brianezi (na época chamado pelos moleques de "botão oficial"). Frequentamos por algum tempo a igreja de Moema, onde assistíamos à missa dominical, mais por insistência de minha avó paterna catolicíssima, que chegara a "internar" meu pai em um seminário, do qual foi expulso por, entre outros feitos, surrar um professor (segundo anotado em sua caderneta escolar) e ter deflagrado um artefato explosivo na privada enquanto ali estava um outro padre... expulsão que oficialmente foi justificada como "falta de vocação"... Na adolescência, eu e dois amigos do tempo da escola primária passávamos tardes inteiras no ainda recém-inaugurado shopping Ibirapuera, que tinha somente três pisos (Jurupis, Ibirapuera e Superior). Passeávamos ali até à noite, na hora que nos era permitido ficar na rua... Hoje frequento Moema ao levar minha filhinha à escola, e ao passar pela av. Ibirapuera lembro dessas histórias, que conto a ela. Enviado por Márcio Della Rosa - [email protected]
Publicado em 10/07/2012 Mario,o que vc. tem a dizer sôbre o bairro Monções? Sei que nessa região tinha muitas meninas bonitas,frequentava muitos bailes. Boa recordação.
Um abraço.
Enviado por vilton giglio - [email protected]
Publicado em 02/07/2012 Mário:quanta curiosidade num escrito só. Gostei
muito do relato.Nós da região agradecemos pelo aprendizado.Parabéns.
Enviado por heitor Iório - [email protected]
Publicado em 30/06/2012 Parabéns pelo relato detalhado de Moema,do surgimento das avenidas,personalidades de Santo Amaro e do nome Indianópolis.Um abraço! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - [email protected]
Publicado em 29/06/2012 Que belo ideal, desses farmaceuticos.
Estendendo a mão aos necessitados.
Enviado por Benedita Alves dos Anjos - [email protected]
Publicado em 29/06/2012 A Av. dos Eucaliptos é um desses absurdos de nomenclatura comuns na politicagem e burocracia municipal.
Na verdade, era MESMO Av. dos Eucaliptos. Havia até uma bela placa em azulejos com tal nome na esquina da Av. Ibirapuera, destruída por uma concessionária Renault e agora sob as obras da estação do metrô. A R. João Castaldi não existe, na realidade: é só um nome burocrático, que nunca pegou e ninguém se lembra dele. Já dos Eucaliptos, embora oficialmente não se chame assim, é eterno!!!!
Enviado por Eumir Salesiano - [email protected]
Publicado em 29/06/2012 Parabéns pelo texto. Adoro conhecer a história das cidades onde moro e de seus povos. Enviado por Marcio - [email protected]
Publicado em 29/06/2012 FALANDO DA TROCA DE NOMES DE RUAS EM SÃO PAULO, ATÉ HOJE NÃO ENTENDI. ACIMA DA AVENIDA CARIOCA TINHA UMA RUA COM O NOME: RUA TAPIRAPÉS, O TEMPO PASSOU TROCARAM O NOME PARA RUA BRÁS DE PINA? Enviado por JCOliveira - [email protected]
Publicado em 28/06/2012 Lopomo. Quanta saudades se esconde na sua brilhante narrativa. Oh! bondes. Lembra quando iamos de bonde até a represa de Sto.Amaro? Certas coisas aconteceram em São Paulo que eu nunca consegui decifrar. Grande abraço. Anthony Enviado por Anthony Mennitto - [email protected]
Publicado em 28/06/2012 Mário, me permite: Estou copiando para mandar para o Geraldo Diniz, irmão do Zé da Farmácia, pois ele é meu 'Mestre Pescador" do Pantanal e sempre me convida para pescar em MS. Parabéns ! Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
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