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Categoria - Outras histórias Memórias de velhos Carnavais Autor(a): Miguel S. G. Chammas - Conheça esse autor
História publicada em 04/06/2012

“Có có có có ró co co
Có có có có ró co co
O galo tem saudades
Da galinha carijó”

Marchinhas de Carnaval, quantas saudades!
Outro dia, conversando com minha esposa e companheira, em virtude de estar me preparando para concorrer ao Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas da Fundição Progresso e Rede Globo, cantarolei algumas marchinhas dos velhos carnavais.

Comecei lembrando-me de uma marchinha que dizia:
“A Princesa encontrou
seu grande amor
e quis casar.
Mas a corte não deixou
por que o tal
Não é real.
De que vale ser princesa então?
Ter palácios só pra inglês ver?
De que vale governar
e não mandar em seu coração...?”

Passei depois para outra marchinha que dizia assim:
“Me dá um gelinho aí
Que estou a cem por hora
Se não pássaro calor ô ô
Eu jogo a roupa fora.”

Depois veio aquela que dizia:
“Ei você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”

Sempre fui um carnavalesco de primeira linha e as marchinhas de Carnaval eram, juntamente com os sambas, decoradas por mim de imediato. Depois, o espetáculo de Carnaval, marca registrada do Rio de Janeiro, foi se alastrando, tomando conta de outras capitais e se tornando um verdadeiro produto de exportação. Chamariz de turista ávido por ver corpos balançando ao som do batuque de um samba enredo, que, em minha opinião, já não tem mais o andamento de samba e lembra muito uma marchinha mais cadenciada, porém, não tão cadenciada como a marcha-rancho.

Essa mudança, constatei, retirou das ruas o Carnaval verdadeiro, cheio das alegrias e galhofas, às vezes inocentes, que permitiam ao povo, inclusive as classes menos privilegiadas extravasarem suas emoções, esquecendo, por poucas horas, todas as tristezas e inquietações sofridas.

O Carnaval puro, o entrudo que veio da Europa para se naturalizar brasileiro de quatro costados, tendo como seu hino nacional o “Abre Alas” de Chiquinha Gonzaga, foi banido de nossas vidas. Então, ainda sentindo a frustração pelo desaparecimento desse Carnaval perguntei-me e questionei minha esposa: “Será que foram as Escolas de Samba que eliminaram essa festa? Será que foi a violência que a cada dia grassa mais a culpada? Acho mesmo que foi um pouco de tudo isso que roubou a alegria verdadeira dos três dias de reinado de Momo.”

Se eu fosse um mandante prestigiado, um político de renome, ou até, um apadrinhado da presidente, iria lutar para antecipar o grande espetáculo das Escolas de Samba por alguns dias, quem sabe por uma semana, e exigir que o povo viesse para as ruas, que os Blocos do Sujo ocupassem seus lugares de destaque nos Três dias de Alegria, que as grandes sociedades voltassem a promover seus bailes Carnavalescos e seus Concursos de Fantasia, que os compositores voltassem a compor marchinhas carnavalescas e que os cantores voltassem a gravá-las.

Já pensaram em quantas famílias poderiam voltar a sobreviver dessas medidas?

O passado só volta para os velhos intransigentes como eu, os moços não sentiram o gostoso prazer dos Carnavais, e não podem almejar senti-lo agora. Eles nunca viram o Cordão Carnavalesco “Vai-Vai” desfilar com todo o seu esplendor e pujança na Avenida Nove de Julho, no Anhangabaú, na Avenida São João ou mesmo nas ruas do Bixiga. Não viram nem participaram dos grandes e tradicionais bailes de Carnaval dos clubes de Sampa (Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Portuguesa) ou dos salões tradicionais como Royal, Professorado, Araken, Paulistano, Mauá, entre tantos.

Sem chances! Vou continuar cantarolando, sozinho, no meu canto:
“Linda loirinha
Loirinha
que me faz sonhar... Eu sou o pirata da perna de pau
do olho de vidro
da cara de mau.... Eu fui às touradas de Madri
parabatchibunbubum
Quem sabe, sabe
Conhece bem
Como é gostoso gostar de alguém... Maria Escandalosa
desde criança
sempre deu alteração... Se a canoa não virar
olé, olé, olá...”


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Publicado em 04/06/2012 Linda crônica sobre a beleza dos carnavais de outrora,os bailes famosos e até a letra de divertidas e inesquecíveis marchinhas.Parabéns! Grande abraço! Ana Maris Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - [email protected]
Publicado em 04/06/2012 Miguel, você esqueceu da mais famosa canção carnavalesca. Do tempo de nossos Pais e que nossa juventude sempre cantava. A Jardineira: > Ó jardineira
Por que estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros
E depois morreu

Vem jardineira
Vem meu amor
Não fiques triste
Que este mundo
Todo é teu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu
Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
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