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Categoria - Outras histórias Como nos velhos tempos Autor(a): Luiz Simões Saidenberg - Conheça esse autor
História publicada em 20/03/2012

- “Rua Boa Vista, 290? No Jockey Club?”.
- “Sim. É só chegar lá e você encontra o restaurante” – disse o amigo.

Fui ao Google Maps. Estamos todos ficando assim. É melhor recorrer à internet do que a memória, ou aos guias Levy, Quatro Rodas e outros, que sempre nos guiaram ao longo dos tempos.

O fantástico mapa virtual, capaz de aterrissar em quase qualquer rua do globo e fazer-nos percorrê-la em três dimensões, nem se moveu. A região de hipódromo não apontava também qualquer restaurante nas imediações. Sei que existe um dentro, mas que Rua Boa Vista seria? Dentro dele?

Então caiu a ficha. Tinham combinado o almoço no centro da cidade, na velha Rua Boa Vista, e embora não tivesse entrado no restaurante do Jockey, conhecia-o de passagem, com seu belo logotipo dourado na vidraça. Fiquei imaginado como seria o vetusto restaurante, no nono andar de um prédio central.

E não me decepcionei: antigos móveis, de madeiras há tempos em extinção, bons quadros, tapeçarias, candelabros dourados e belos lustres pendentes. Os garçons com ar solene, magnífica visão da sua grande varanda, onde almoçamos.

Boa comida, boa conversa... Para chegar lá não paguei um centavo. Deixei o carro em uma ruazinha sem zona azul, próxima à Praça da Árvore e dali o metrô grátis até o São Bento.

Saindo do almoço e percorrendo as ruas ilustres, com seus prédios “art decô”. Aproveitei para levar a turma à imperdível exposição "Índia!" no Centro Cultural Banco do Brasil. Já a tinha visto, com esposa, no sábado, mas vale a pena ver de novo.

Adentramos a magia da Índia dos arianos, dos sufis, dos sadus, brâmanes, budistas, janistas, islâmicos, moguls e finalmente dos cristãos, influenciados pelos portugueses. Maravilhas de um país totalmente desvairado, a humanidade pululante em suas mais variadas formas. Como um sonho, ou pesadelo, conforme a interpretação.

Imaginemo-nos em minúsculos táxis, mais parecidos com lambretas, desviando-nos no trânsito louco de outras engenhocas iguais, carros, vacas, camelos e elefantes, como acontecia nos sonhos de Little Nemo, antigo herói de quadrinhos, obra de Windsor Mc Kay.

Saindo dali, em um verão quase tão escaldante quanto o da terra dos moguls, mudamos de país. Na Praça Antonio Prado um café parisiense, toldos verdes e cadeirinhas no calçadão, para um chope refrescante. Ou como Hemingway no Lipp, “une biére a la préssion”, com as “cervelas e pommes a l´huile”, de Paris é uma festa.

Enfim, depois de tantos anos procurando, ali estava: uma São Paulo como nos velhos tempos.


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Publicado em 31/03/2012 Sr.Saidenberg, é uma área muito especial com cabines telefônicas diferenciadas, bancas de revistas com padrão internacional, o início da São João e a sensação de estarmos mergulhados numa São Paulo atemporal. Abraços. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 26/03/2012 Eu tardo mas não falho, Luiz. Que sábado delicioso você passou! Estivemos (ao seu lado) passeando pela India ( com todas suas crenças), França e pousamos na nossa São Paulo dos velhos tempos. Recordar é viver! Abraços Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - [email protected]
Publicado em 26/03/2012 Sua descrição é tão primorosa que parece-me que conheço esses lugares! Parabéns! Abraço Célia Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - [email protected]
Publicado em 22/03/2012 EITA! NadaCOMO FAZER 60 ANOS E PEGAR A CARTEIRINHA PARA BATER PERNA POR SAMPA! qUE BOM QUE VOCÊ DÁ NOTÍCIA QUE AINDA EXISTE ALGUMA COISA DA sÃO pAULO ANTIGA POR AÍ. Enviado por Ivette Gomes Moreira - [email protected]
Publicado em 22/03/2012 Luiz, passeio fascinante e maravilhoso, tanto quanto sua narrativa cheia de detalhes. Gostei de te saber novamente no centro de Sampa. Enviado por Miguel S. G. Chammas - [email protected]
Publicado em 22/03/2012 Saidenberg com sua maravilhosa cronica voce me levou de volta aos anos 50 e no mesmo predio donde esta o restaurante no nono andar estava no terreo bem na esquina da Ladeira a famosa Quitandinha unico lugar permetido de se apostar fora do Jokey Club la nos fins de semana se formava uma verdadeira romaria de apostadores e quase todos tinham uma barbada imbativel (que quase nunca pagavam place)rs rs Otimo texto como sempre .Abracos Felix Enviado por Joao Felix - [email protected]
Publicado em 21/03/2012 Caro Luiz, mais uma vez um texto digno de sua inteligência. Muito bem escrito, percorrendo a Rua Boa Vista e indo a um restaurante do Jockey Club. com seu belo logotipo e depois uma esticada até ao Centro Cultural Banco do Brasil observando a magia da India. Parabéns! Um abraço Grassi Enviado por J Grassi - [email protected]
Publicado em 21/03/2012 caras e caros amigos, muito obrigado. Foi uma bela excursão, mesmo, que recomendo. O restaurante é o do Jockey, Rua Boa Vista 290, 9o. andar. Quanto ao café, não lembro o nome, mas é bem na Pça. Antonio Prado, defronte ao coreto que ali existe. Abraços. Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 21/03/2012 Luiz, peguei "carona"junto com você no trajeto desde a Praça da Árvore, os locais citados eu já percorri algumas vezes, só não conheço o restaurante do Jockey, boas lembranças, parabéns pelo texto, abraços, Leonello.- Enviado por leonello tesser (Nelinho) - [email protected]
Publicado em 21/03/2012 Luiz, você como sempre dá show de bola. Brilhante. Abraços do
Mancini
Enviado por Mancinid - [email protected]
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