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Categoria - Paisagens e lugares Carnaval inesquecível Autor(a): Ana Donady - Conheça esse autor
História publicada em 01/03/2012
Sempre gostei de Carnaval. Quando eu era menina, sempre íamos brincar o Carnaval em salões do bairro do Brás onde nasci. Clube dos motoristas, ou dos gráficos na Rua da Figueira, e tinha uma tarde que o Sr. João nosso vizinho que tinha um caminhãozinho nos levava a dar umas voltas no bairro, juntava umas crianças, colocava todas na traseira do caminhão e lá íamos nós com serpentina, confete, lança-perfume e muito barulho. Era a maior folia! E meu pai deixava tudo, pois não tinha perigo nenhum naquele tempo. E assim eram nossos Carnavais...


Em 1956 eu tinha 12 anos e tinha umas amigas que eram mais velhas que eu, elas já tinham 14 anos e, naquele Carnaval, elas resolveram ir num salão que a entrada era proibida para menores de 14 anos. Quando me contaram eu também queria ir, mas como? Passei a noite inteira sem dormir pensando o que fazer. Naquela manhã de Carnaval eu tive uma ótima ideia. Pedi emprestado pra minha amiga Mercedes que morava na Rua Caetano Pinto a certidão de nascimento dela, pois ela já tinha 14 anos, ela me emprestou agora eu tinha que convencer meu pai a me deixar ir, mas não convenci. Foi uma choradeira só! Meu pai, vendo todo aquele drama que eu fiz, disse que só me deixaria ir acompanhada da minha mãe. E para mim tudo bem.

Na hora do baile lá fomos todas juntas, minhas amigas, eu e minha mãe levando na bolsa a certidão de nascimento da Mercedes. Minhas amigas eram maiores e mais desenvolvidas um pouco mais que eu, realmente eu não aparentava ter mais idade. Quando chegamos, elas já foram entrando e na minha vez de entrar o porteiro me pediu documento, minha mãe pegou o documento da bolsa e entregou para o porteiro, ele abriu, olhou e me perguntou:
- “Minha linda, qual é o nome da sua avó?”
Eu logo pensei... O nome da minha avó eu sei, pois é igual o meu, mas o nome da avó da minha amiga Mercedes como é que eu ia saber? Pois em casa com o documento na mão eu nem tive o trabalho de ler a certidão de nascimento de tanta certeza que eu ia entrar no baile. O porteiro para me assustar falou que ia me prender e eu já comecei a chorar. Bem, vim chorando a volta toda até em casa e minha mãe apavorada acreditando no que podia ter acontecido.

Quando chegamos minha mãe contou e foi aquela gozação com meus primos, tios, avós, pois morávamos todos juntos na Rua Maria Domitilla. E eu não parava de chorar... Já me chamavam de manteiga derretida porque eu chorava por qualquer coisa. Meu pai chorava junto, com dó de mim, e ai ele teve uma ideia. Fazer um baile de Carnaval em casa e todos aprovaram.

Logo foi encostando os móveis da sala, enfeitou todo com serpentina e confete, chamou umas amigas e uns meninos da nossa idade, ligou o rádio que só tocava musicas de Carnaval nesses dias, minha mãe preparou lanches, sucos e brincamos muitas horas, e eu já estava feliz porque ai sim eu tive um Carnaval gostoso e sem nenhum problema.

Todos os anos quando chega o Carnaval eu me lembro dessa passagem da minha vida e choro, mas agora de saudades. Damos muita risada, quando comento com meus filhos e netos. Jamais vou esquecer enquanto viver.

Obrigado pai, onde o senhor estiver. Foi o melhor Carnaval da minha infância! Inesquecível!


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Publicado em 07/05/2012 Bons tempos Ana, eu também sempre gostei de carnaval mas era difícil, para matinee era preciso menos de 16 e para brincar à noite só com 18. Trabalhei na Maria Marcolina nos anos de 1957/1958. Também contribuí para o sindicato dos gráficos Rua da Figueira. Nos tempos de menor sempre brinquei carnaval no Ibirapuera e na Rua da Parada Inglesa, (travessa da Av. Ataliba Leonel), onde a molecada se divertia pra valer ao som de autos falantes. Abraços! Enviado por Joaquim Ribeiro Oliveira - [email protected]
Publicado em 30/03/2012 Ana, muito simpática a sua estória! Gostei! Que bom podermos ter lindas lembranças, não? Abraço Célia Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - [email protected]
Publicado em 08/03/2012 Aninha, se fosse hoje, o Conselho Tutelar iria fazer um fusuê em cima de sua mãe...Ainda bem que naquele tempo não era tão rigida a coisa... Hehehe!! Enviado por mary clair peron - [email protected]
Publicado em 07/03/2012 OLá lindinha! É verdade!!!! que saudade!!!! Eu eu só tenho lembranças maravilhosas da nossa amizade que perdura até hoje!!!! Brigadão "maninha" Enviado por Maraiza - [email protected]
Publicado em 07/03/2012 Ana, só mesmo quem não teve sua infância no Bras não se lembraria de tantos fatos, é verdade o perigo não era tão eminente, tínhamos uma liberdade privilegiada, pois nossos pais nos conheciam, hoje parece que os pais não conhecem os filhos e vice versa, mas é real seu relato pois já ouvi comentários a respeito, um abração minha linda. Enviado por Branca Rosa Pannuci - [email protected]
Publicado em 06/03/2012 Salve Ana! Muito boa sua história, emocionante....A ingenuidade era presença constante naquele tempo, né.Parabéns pelo texto e apareça sempre pra contar nossos causos da nossa querida Maria Domitilia,nós eramos felizes com simplicidades. Abração minha querida. MC Enviado por mary clair peron - [email protected]
Publicado em 05/03/2012 Muito bonito, hein dona Ana? Falsa identidade dá cadeia!!! Brincadeira à parte, pelo seu relato, você pode ver como as coisas eram mais rigorosas na nossa época. Filme proibido era proibido mesmo. Hoje é só pegar na locadora...
um grande abraço Ana, e parabéns.
Enviado por zezé - [email protected]
Publicado em 04/03/2012 Obrigado a todos pelos comentarios.
AnaDonady
Enviado por Ana Donady - [email protected]
Publicado em 04/03/2012 Uma historia simples de como eram os carnavsis de antigamente, lança perfume,confete,serpentina,bailes em clubes e carros e caminhões tentando reviver um corso já se estinguido naquela época. Ana,ainda assim são gratas recordações. Que linda familia voce tinha, essa atitude de seu pai tornou esse carnaval inesquecivil para voce e que chegou a me emocionar. Abraços. Enviado por jose guirado - [email protected]
Publicado em 03/03/2012 Ana, basta ser do Braz e da Maria Domitilia pra ser criador de boas ideias. Taí, seu pai logo arrumou as coisas pra todo mundo ficar contente.
Parabéns, Donady.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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