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Categoria - Paisagens e lugares “Perambulando São Paulo, fábricas e vilas” - parte I Autor(a): Aparecida de Lourdes Micossi Perez - Conheça esse autor
História publicada em 16/02/2012

Feriado em Santos (26/01), e eu, moradora da cidade atualmente, participei de uma excursão organizada pelo SESC/Santos à minha terra natal, Sampa.

Sempre visitei pontos culturais da capital como: Ibirapuera, Museu da Língua Portuguesa, MASP e outros e fui pega de surpresa nesse passeio que fiz a uma parte bucólica da Sampa do início do século XIX, quando da industrialização da capital.

Essas vilas surgiram com o crescimento de São Paulo e consequente imigração, principalmente de europeus. Pelo preço baixo dos terrenos nas várzeas, foram sendo construídas vilas de casas com preço acessível que serviriam de moradia aos operários; algumas ao lado das indústrias, porque havia necessidade dos patrões manterem os operários próximos, uma forma de controle social: assim se evitaria greves e manifestações e também não interessaria aos empregados perderem a moradia, por cujo aluguel pagavam valores baixos. Por outro lado, investidores começaram a construir como forma de investimento, algumas em terrenos bem localizados, visando atender a classe média da época.

A Vila Itororó, situada no 'Bixiga', é da década de 20: formada por uma casa grande de propriedade de Francisco de Castro, um rico português (a primeira casa com piscina particular em São Paulo) e mais 37 casas simples alugadas que lhe garantiriam uma boa renda. A água da piscina era captada em nascente própria no rio Itororó, hoje Av. 23 de Maio. Percebe-se a imponência dessa casa para a época, mas com detalhes um tanto exagerados em seu acabamento.

Posteriormente seu proprietário precisou vender a vila e mais recentemente ela foi tombada pelo governo, com o intuito de se transformar em espaço cultural. Os moradores inconformados tiveram que deixar suas casas, cenários de histórias de vidas e sonhos ali vividos.

Está tudo em reconstrução, mas preocupa a morosidade das obras em relação ao tempo que passa e deixa suas marcas. Será que conseguirão resgatar as características originais? E os sonhos, brincadeiras de crianças, lembranças, as emoções ali vividas, alguém devolverá aos ex-moradores?


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Publicado em 08/03/2012 Pois é, a gente gostaria muito que essas coisas todas fossem lembradas, porque é a nossa história. Não podemos deixar o passado se apagar. Parabéns, Cida, pela sua pesquisa. Deise Domingues Giannini Enviado por deise domingues giannini - [email protected]
Publicado em 22/02/2012 Cida, uma excursão difrente e muito bem vinda. Espero outras visitas e relatos. Parabéns Enviado por Ivette Gomes Moreira - [email protected]il.com
Publicado em 19/02/2012 Cida, muito bom trazer lugares de sampa que desconheço.Espero que esta Vila seja totalmente restaurada. Um grande abraço. Enviado por margarida p peramezza - [email protected]
Publicado em 17/02/2012 Belo texto, Cida. A Vila Itororó, um estranho palacete feito com peças díspares de um teatro, mas depois transformou-se num cortiço. Da última vez que a vi, estava muito deteriorada, parecia prestes a ruir. Espero que finalmente seja restaurada em sua antiga, e exótica majestade. Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 17/02/2012 Essa é a Vila Itororó:
http://saudadesampa.nafoto.net/photo20110423090252.html
Enviado por Almir - [email protected]
Publicado em 16/02/2012 HOUVE UM LAPSO E ESCREVI SÉCULO XIX - LEIA-SE SÉCULO XX Enviado por Cida Micossi - [email protected]
Publicado em 16/02/2012 Cida, me lembro de quando ainda criança da vila Itororó isso em 1944, parabéns por trazes de volta essas relíquias paulistanas. Enviado por Arthur Miranda - [email protected]
Publicado em 16/02/2012 POR UM LAPSO ESCREVI SÉCULO XIX EM VEZ DE SÉCULO XX. Enviado por Cida Micossi - [email protected]
Publicado em 16/02/2012 O que você contou... lembra-me dos "desapropriados pelo metrô" com uma diferença: seus antigos moradores poderão vê-las e nelas, colocar suas lembranças. Os que perderam suas casas pelo metrô, também perderam suas raízes e, junto com elas, seus valores também. É triste tudo isso... em nome do progresso! Abraços Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - [email protected]
Publicado em 16/02/2012 Infelismente esse é o preço do progresso, Cida, não há como evitar essa transformação, independente de seus proprietários cuidarem tão bem da construção. Texto interessante, Micossi., parabéns.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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