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Categoria - Outras histórias Cracolândia Autor(a): Ana Lucia Simúes Salgado Treccalli - Conheça esse autor
História publicada em 02/02/2012
Nestes últimos dias tenho visto pela televisão e pelos jornais, os fatos que acontecem na região atualmente conhecida como cracolândia e senti uma tristeza muito grande. Parece uma cena de guerra, agora com os prédios sendo demolidos para evitar novas invasões de viciados e traficantes. Veio também a pergunta: “Como tudo isso acabou acontecendo? Foi descuido das autoridades, especulação imobiliária, degradação e inversão de valores, falta de oportunidades para os menos favorecidos ou o que? Não sei explicar”.

Vieram à minha mente lembranças de infância e adolescência. Nasci, cresci e vivi por aquelas bandas e só saí dali quando me casei. Nasci na Rua Albuquerque Lins, quase na esquina com a Rua Barra Funda e estudei na Praça da República, no Instituto de Educação Caetano de Campos.

Por isso, conheço bem "aquelas bandas" por onde se podia andar e passear tranquilamente. Rua Dino Bueno onde moravam queridos amigos e colegas de escola, Alameda Barão de Limeira, Largo Coração de Jesus onde está o Liceu Coração de Jesus e a belíssima igreja a ele anexa e onde tantas vezes fui à missa. Também no Liceu freqüentávamos as animadas e concorridas quermesses das festas juninas.

E fazíamos tudo isso a pé, na companhia dos amigos, nas "turmas", sem medo, felizes da vida. Bons tempos, boas amizades.

A região, na época era formada por casas de comércio, alguns casarões antigos, do tempo em que a região - chamada Campos Elíseos, era habitada por pessoas mais abastadas. Lá moravam também as famílias de classe média e aquelas menos favorecidas, mas que ainda conseguiam viver com alguma dignidade. Havia um pouco mais adiante uma parte do bairro não tão bem frequentado, mas que nem de perto podia ser comparado ao que aconteceu àquela região nos tempos atuais.

Não se pode esquecer também da estação rodoviária que movimentava a região junto com a Estação da Luz. Era uma São Paulo mais humana. Menos cruel? Não sei explicar. Só sei dizer que, ao ver a situação atual daquela região me vieram à mente e ao coração as lembranças e as saudades!


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Publicado em 03/02/2012 Tem um pinheirinho começando em Parelheiros,em breve dará problema,com certeza. Ou seja logo terão água,luz,carteiros,coleta de lixo,tdo. oficializado,depois expurga-se na "porrada". Enviado por vilton giglio - [email protected]
Publicado em 03/02/2012 Cara Prima, imagino bem como se sente. Tb eu, ao retornar, três anos atrás ao Centro, para uma entrevista da Folha no Ponto Chic.
Ali, tudo bem , mas subindo a São João já se via o tamanho da catástrofe: bandos de zumbis caidos em plena avenida, manchando totalmente a reputação e a paisagem de São Paulo. Espero realmente que esta atual operação amenise o problema; não podemos continuar tendo tal chaga em pleno coração da cidade. Abraços.
Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 02/02/2012 Um bairro que era protegido e ornamentado pelo Duque de Caxias empunhando sua espada, obra impar do nosso Brecheret. Enviado por Pedro Cardoso - [email protected]
Publicado em 02/02/2012 Ana Lucia. O espanto é o meu também. Eu acho que muitos procuram uma resposta sobre a cracolândia. Quando as autoridades usam a pomada errada, a coceira não sara somente muda de lugar. Enviado por Anthony Mennitto - [email protected]
Publicado em 02/02/2012 Ana Lucia, é com tristeza que nós presenciamos estas cenas atuais, num lugar tão lindo como era, no que se tornou, criando medo ao frequentar aquelas paragens tão cheias de histórias, será que os poderosos só acordaram para o problema agora? Não seria mais fácil ter cortado o mal pela raiz do que chegar nesse ponto? Ignorando aqueles pobres homens, mulheres e crianças que foram se avolumando a olhos vistos?Sinceramente... Não tenho palavras.Sônia Enviado por Sonia Maria de Paula - [email protected]
Publicado em 02/02/2012 Ana: Sei lá. (???) ...Parece que em algumas situações, o progresso e o regresso andam de mãos dadas, e se estabelecem simultaneamente. Um traz o progresso e o bem estar à sociedade, porquanto, o outro só traz destruição. Os políticos fazem obras, esquecendo dos efeitos colaterais que carecem de uma medida social tão importante quanto as obras de cimento. A verdade é que a cracolândia extrapolou no seu direito de alí permanecer, e precisa ser extirpada da vida paulistana já. Minha Maestra ! Enviado por Xico Lemmi sãopaulino - [email protected]
Publicado em 02/02/2012 Na verdade quase todo o centro da cidade está, dia a dia, se deteriorando. Onde outrora funcionavam belos cinemas, bares e restaurantes famosos, agora virou ponto de encontro de gente pouco recomendável. Por conta disso, vou muito pouco ao centro. Os grandes bairros, como a minha Lapa, dispõem de tudo aquilo de que necessitamos. Enviado por Tony Silva - [email protected]
Publicado em 02/02/2012 Cracolandia em SP é igual ao "Bronx" em York,cada um tem seus drogados,usuarios, q. merece comuma diferença,lá é mais velha a cidade dos usuarios,aqui é recente,isso é uma tragedia anunciada,assim como o tal eca,os"di meno" serão os assassinos amanhã com certeza,não sabemos o q. ocorre nos bastidores da fundação casa. Pois lá estão os aprendizes de marginais,infelizmente,o país precisa de escola em periodo integral ou mais horas nas escolas sem distinção de nada e nem preconceitos velados. Enviado por vilton giglio - [email protected]
Publicado em 02/02/2012 não é o crack a epidemia a ser enfrentada, mas o abandono de populações marginalizadas que não encontram lugar nessa sociedade do individualismo. Talvez por isso eles se juntam nos guetos, onde ainda encontram a solidariedade dos iguais, já que a sociedade não tem lugar para esta gente que não soube encontrar seu lugar. É a partir dos guetos, lugares que geralmente são depósitos de lixo, que os abandonados gritam à sociedade que são o lixo humano sobrante dessa sociedade egoísta. Enviado por sergio emiliano - [email protected]
Publicado em 02/02/2012 Ana, realmente muitas saudades. Hoje lidar com essa crueldade da existência provoca os mais terríveis sentimentos.Texto oportuno e bem escrito o seu. Um abraço. Enviado por Vera Moratta - [email protected]
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