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Categoria - Outras histórias A qualidade do meu saudoso Grupo Escolar Professor José Escobar do Ipiranga e meus queridos professores Autor(a): Aclibes Burgarelli - Conheça esse autor
História publicada em 27/01/2012

1945 - Manhã fria, muita neblina e necessidade de levantar-me às 6h para cumprir mais um dia de caminhada de dois mil metros, para chegar ao Grupo Escolar Professor José Escobar, na Rua Greenfeld, no Ipiranga. Morava eu no Moinho Velho do Ipiranga, em uma rua sem asfalto, sem água tratada, iluminação pública ou linha de ônibus.

1972 - Manhã fria, sem muita neblina porque a Serra do Mar ficara mais distante, por causa da explosão demográfica da Vila das Mercês, Rudge Ramos e São Bernardo do Campo, que a absorveu. Acordava meus filhos, para cumprirem mais um dia sem inicial caminhada, porque veículo escolar os transportaria até o Colégio São José do Ipiranga.

1945 - Uniformizado: calças curtas azul-marinho, camisa branca e uma bolsa de pano para o acondicionamento de um caderno, lápis (não existia lapiseira ou caneta esferográfica), caneta de madeira e penas "mosquitinho", mais a cartilha "Caminho Suave". Tomava o substancial café da manhã, fornecido pela "Caixa", com plena utilização do dinheiro público, no balcão da cozinha do Grupo, sob olha severo do senhor Edgard, o inspetor de alunos. Depois, todos perfilados, cantavam o hino nacional em frente à bandeira brasileira, devidamente hasteada, pavilhão que impunha respeito. Cada qual seguia, em fila indiana, à sala de aula e lá, todos em pé, aguardavam o ingresso da professora que autorizava a acomodação.

1972 - O micro-ônibus escolar transportava os alunos devidamente alimentados, com modernas mochilas, cadernos vários, lápis de cera, calculadoras, vários livros, rumo ao Colégio São José, onde adentravam aos gritos e empurrões, seguindo para as respectivas salas de aulas, sem qualquer formalidade quanto ao aguardo dos professores. Mas era considerado
um dos melhores colégios do Bairro do Ipiranga.

1945 - Meu maior temor era o momento de levar, para assinatura do meu pai, o famigerado boletim escolar e as assustadoras notas que recebíamos como aproveitamento - ou não aproveitamento. Se boas, recebíamos um "ainda bem". Se as notas fossem ruins, alguns castigos e restrição de brincadeiras com os amiguinhos.

1972 - O boletim continuou, fragilizado por ação do meio. Os castigos eram, por exemplo, deixar de ver televisão. O diálogo entre os pais e os filhos já era complicado; contudo, graças à rígida educação recebida, fiz questão de manter o temor (embora intimamente soubesse que era falso) para dar impressão que o grande castigo seria retirar meus filhos de uma escola paga para matriculá-los em escola pública, considerada "dos pobres". Veja só que grande castigo! O terrível castigo de 1972, em 1945 era um prêmio, porque, nas escolas públicas, havia ordem, critério, seriedade e dedicação dos mestres de minha infância. Nunca ouvi dizer que alguém fizesse greve na educação ou que o salário pago era baixo. Ao contrário o título de professor de escola primária era atestado de qualidade pessoal e cultural. O que dizer dos cursos Clássico e Científico? Era a glória.

2012 - Basta de comparações, porque todos já as conhecem; porém o que alguns, evidentemente os jovens pais, não sabem é que a educação, hoje considerada liberal, isto é educação sem atribuição de responsabilidade familiar, pessoal e social é a semente que germinará a geração de frustrados, desorientados, desalentados, temerosos, inseguros com futuro sem rumo, porque já não se sabe mais o que é qualidade escolar, cujo sistema muda da noite para o dia.

Estranho muito, hoje, saber que as matérias fundamentais para desenvolvimento do raciocínio, o Latim, por exemplo, que começava no primário e prosseguia nos segmentos Clássico ou Científico, cederam lugar ao estudo por meio de "testes", sem possibilidade de voltarem aos bancos escolares; ou seja, hoje se estuda para lembrar; no meu saudoso Grupo Escolar Professor José Escobar e nos estudos do Clássico, estudei para raciocinar.

Recentemente ouvi uma notícia no sentido de que as grades de matemática nas escolas, tanto quanto o ensino da língua portuguesa, em breve serão reduzidas o que me leva a crer que, no futuro, por certo, serão optativas. Aonde chegaremos?

Evidentemente falo por mim, sem querer confronto, mas certo é que, graças ao modo no qual se nortearam meus estudos, isto é estudar para aprender a raciocinar, mesmo sem ser filho de pessoas abastadas, a marginalidade ou os entorpecentes não me surpreenderam, uma vez que tive sucesso garantido na minha atividade profissional e, hoje, mesmo aposentado, continuo no trabalho contente por poder aplicar o que aprendi.


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Publicado em 04/02/2012 Estava eu no ponto de ônibus em frente do Grupo Escolar Professor José Escobar, muitas pessoas também, e vejo lá dois meninos vestidos iguais, cantando musicas sertanejas. Não sabia quem eram eles, mas o tempo passou. Eram eles Cristian e Half. Enviado por JCOliveira - [email protected]
Publicado em 30/01/2012 Recordo que, ao lado desta escola tinha a famosa C.O.A.P., que era uma espécie de mercadinho de secos e molhados. Em frente tinha ponto de ônibus, logo abaixo o Ponto Fábrica, local de saída e chegada dos Bondes (abertos e o camarões). Enviado por JCOliveira - [email protected]
Publicado em 30/01/2012 Chuck Noland (Tom Hanks) um inspetor da Federal Express (FedEx), multinacional encarregada de enviar cargas e correspondências, que tem por função checar vários escritórios da empresa pelo planeta. Porém, em uma de suas costumeiras viagens ocorre um acidente, que o deixa preso em uma ilha completamente deserta por 4 anos. Com sua noiva (Helen Hunt) e seus amigos imaginando que ele morrera no acidente, Chuck precisa lutar para sobreviver, tanto fisicamente quanto emocionalmente, a fim de que um dia consiga retornar civilização Enviado por Luiz Carlos Marques - Luigy - - [email protected]
Publicado em 30/01/2012 Prof. Belissima comparação das escolas em decadas diferentes.
Precisamos lutar para que a escola publica tenha qualidade para todos.
Enviado por Luiz Carlos Marques - Luigy - - [email protected]
Publicado em 29/01/2012 Sr.Aclibes, tive oportunidade de estudar assim como o Sr. para raciocinar e aplicar meus conhecimentos, hoje sou professora e ao longo dos anos em que venho lecionando, tenho presenciado a falta de responsabilidade, a má vontade, a displicência com que os alunos, cada ano que passa deixam de se interessar pelos estudos em nome de novas fórmulas de ensino que nos é colocada "goela abaixo" sem mesmo sermos consultados se é isso o que queremos. É preocupante, mas seu comentário é real.Sônia. Enviado por Sonia Maria de Paula - [email protected]
Publicado em 28/01/2012 que bom vc ter sitado, epocas passadas e as presentes, a educaçào era de berço, os pais ensinavam trabalhar è mais importante do q esdudar, vcs vào comer papeis, a escola foi demolida,por ter sido construida em cima do brejo vc lembra da queda do cine anchieta e do bazar do seu hemrique era em frente a escola era uma figura, no natal se vestia de papai noel dava doçès para as crianças.
sempre teve altos e baixos q bom vc ter estudado e aproveitado bem, seja feliz fique com deus parabens
Enviado por maria pia tiezzi mirabella - [email protected]
Publicado em 28/01/2012 Pois é, aqui em Porto Ferreira também é a mesma coisa, o ensino deixa a desejar. Enviado por JCOliveira - [email protected]
Publicado em 27/01/2012 Sr. Aclibes, o sr. tem toda a razão. E todas as pessoas minimamente críticas sabem que o sr. fala a verdade, pois no assunto "educação", as pessoas foram se perdendo radicalmente. Hoje, tudo traumatiza, todas as desculpas são inventadas, e os jovens pensam que têm direito a tudo, inclusive a ofender, mas na realidade mesmo, o jovem não sabe pedir, mas quer algum limite como prova de amor. Um grande abraço e o seu texto foi muito oportuno. Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 27/01/2012 Belo curriculo escolar, caro Burgarelli. Velhas escolas de outros tempos, onde o ensino era levado a sério pelos professores e alunos.
No restante da vida é que se observa a diferença dos resultados. Abraços.
Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 27/01/2012 Aclibes:
1949.....1952
Grupo Escolar José Escobar...
1o. ano: Prof. Da. Luzia
2o. ano: Prof. Da. Laura (irmâ de Da. Luzia)
3o. ano: Prof. Da. Bernadócia; depois a subtituta..Da Bernardette.
4o. ano: Prof. Da. Laurinda......
1954/1957:
Ginasial: Alexandre de Gusmão....
Português: Da. Berta Camargo Vieira
Geografia: Prof. Ferrari
História: Jose Bueno
Frances: Da. Ruth
Desenho: Da. Marina
Ciencias: Da. Angelina (nossa paraninfa)
Trabalhos Manuais: Prof. Otávio
Canto Orfeônico: Prof. Carminha
Educação Física : Prof.Clóvis...
Latim : Prof. José Cretella Junior...
Matemática: Da. Ercília......
.......e outros que a memória já rateando, momentaneamente esquece....
Hoje são apenas nomes de professores, que com dignidade, passaram seus conhecimentos didáticos e morais a uma parte de minha geração.....
A eles, minha humilde gratidão...
Luiz
Enviado por Luiz - [email protected]
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