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Categoria - Outras histórias A malandragem dos “office-boys” Autor(a): Almir . - Conheça esse autor
História publicada em 20/01/2012
“Ando na cidade, pago conta e pego filas / vou tirar xerox e batalho algumas pilas, eu sou boy...".

Esse trecho da música do Kid Vinil retrata bem a rotina dos “boys”.

Outro trecho diz: "Chega o Fim do mês com toda aquela euforia, todos ganham bem e eu aquela mixaria, eu sou boy...".

Fui contínuo do Banco Noroeste e me vi retratado nessa canção.

Antigamente os bancos não possuíam serviços on-line. Os extratos eram impressos e enviados pelo correio e uma cópia ficava nos arquivos da agência.

Quando algum cliente queria uma segunda via os arquivistas procuravam e passavam para nós, os peões, como eles se referiam, para que providenciássemos uma cópia. Em cada folha de sulfite havia espaço para três extratos e algumas copiadoras cobravam três cópias e outras apenas uma. Logicamente nós procurávamos as que cobravam apenas uma cópia por folha de sulfite e ficávamos com a diferença. Era uma miséria, mas se houvesse mais de um desses serviços por dia já dava pra comprar uma coca cola. Alguns colegas pegavam pesado.

Quando chegou um novo contador na agência vindo da Bahia e que não conhecia absolutamente nada de Sampa, os garotos diziam que para ir da Rua Sete de Abril, onde ficava nossa agência, até a matriz, na Rua Álvares Penteado era necessário ir de táxi e pegavam um valor que daria pra percorrer da zona leste até a zona sul. Para quem não conhece o centro... Basta atravessar o Viaduto do Chá. Esse percurso era feito várias vezes por semana até que o contador foi alertado por um caixa e cortou a maracutaia.

Eu nunca peguei dinheiro de táxi pra atravessar o Viaduto do Chá. Sabia que seria muita cara de pau. Mas certo dia me mandaram pegar uma máquina registradora em uma agência que ficava na Rua Silva Bueno, no Ipiranga. Disseram pra ir de ônibus e voltar de táxi. Fui de ônibus e perguntei para um taxista quando custaria uma corrida até o centro. O valor era quase uma semana de meu salário. Peguei a máquina que era de ferro puro e pesava quase 30 Kg e voltei de ônibus. Detalhe, eu não era um Hulk e pesava na época 58 Kg. O ônibus saiu do Ipiranga e foi até o Parque D. Pedro. Caminhava 20 metros e parava pra descansar e fui assim até a Rua Sete de Abril, quase na esquina com a Praça da República.

Cheguei molhado e exausto, mas feliz. Com o dinheiro do táxi fui até a Galeria Olido, comi um “Cheese Salada” e um “Milk Shake” e ainda sobrou troco. Naqueles anos um verdadeiro luxo pra mim


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Publicado em 26/01/2012 Almir- Ô Louco meu!Como pode...Também escrevi a vida de office-boy e tocou na alma de muitos leitores.Mas sempre é bom relembrar o quanto fomos sofredores,porem mais que vencedores.Valeu? Enviado por edvaldo sales rios - [email protected]
Publicado em 24/01/2012 O escritório de engenharia onde eu trabalhava, teve inúmeros boys, mas um em especial, o Isac, era o rei da malandragem. Sujeito bronco no início, em época de Natal saía com um monte de cartões para levar ao Correio, jogava tudo em um bueiro e embolsava a grana, já que não havia comprovantes. Hoje ele é uma pessoa responsável, pai de 3 filhos e desenhista, assim como eu. Enviado por Tony Silva - [email protected]
Publicado em 24/01/2012 Comecei minha vida profissional em um escritório técnico no Largo do Paiçandu,(no mesmo prédio onde o Mazzaropi aparecia esporadicamente), para aprender a desenhar, mas o que eu fazia mesmo, no início, eram serviços de office-boy. Eu vivia levando merecidas broncas dos patrões porque eu não era nada esperto. Entrava em um banco e não sabia o que fazer lá dentro. Só depois de uns 2 anos é que eu fui para uma prancheta, onde estou há 38 anos. Enviado por Tony Silva - [email protected]
Publicado em 23/01/2012 Almir...São Paulo e uma cidade para corajosos e debravadores, como vc relatou em sua maravilhosa histório, cada palavra que vc disse, me senti como se fossem minhas, alías...office boys eram todos iguais e viviam as mesmas histórias.Parabéns. leia meu conto " História de office boy" aqui no site que vc vai gostar. abraços Enviado por daniel coutinho - [email protected]
Publicado em 23/01/2012 Fui office-boy entre 1956/8, num escritório de despachante na "sete de abril,264, 10 andar sls 10/11.
Eramos em três, mas o mineirinho, exímio datilografo, só ficava no preenchimento de guias..o outro era o Raul, que tinha um problema numa das mãos, e só mantinha a esquerda funcionando. Usava uma pequena pastinha de couro, onde levava os raros cheques e valores recebidos.
A mim cabia a tarefa de levar enormes livros fiscais para serem oficializados nas repartições estaduais, federais, junta comercial etc....
De maneira inocente eu corria para dar conta das tarefas.....
Um dia, o tal Raul, me disse:
Ó meu, faz como eu, volta sempre lá, beirando às cinco, que ele não lhe manda outro serviço....
...Não sei se aprendi....mas não faz mal.....
Luiz
Enviado por Luiz - [email protected]
Publicado em 22/01/2012 Almir
Muita gente passou por esse degrau antes de subir de patamar. Antigamente se office boy fazia parte de uma hierarquia para subir na vida.
As malandragens faziam parte do apredendizado da vida para o bem e para o mal.
Muita gente deve ter passado no premeiro dia da trabalho por alguma pegadinha dos veteranos: tais como buscar maquina de enxugar gelo, papel carbono branco, maquina de achar diferença e por ai vai. Aos boys sobrava encontrar saidas qdo. eram "abusados' pelos chefes. Otimo.
Enviado por Luiz Carlos Marques - Luigy - - [email protected]
Publicado em 21/01/2012 ALMIR. Embora o título diga "malandragem" a verdade é que naqueles anos, em que também fui boy, mas na empresa denominava "check boy", fazia-se de tudo para viver, porque, diferentemente de hoje, em que se distribui generosamente trocados para qualquer serviço, naquele tempo conquistavam-se trocados para alimentação e sem extravagâncias. Seu passado é sua honra e sua honra não foi formada com malandragens, para sim por criatividade para enfrentar a vida. Parabens e traga outras lembranças. Enviado por ACLIBES BURGARELLI - [email protected]
Publicado em 21/01/2012 Almir: R.Conselheiro Crispiniano, Barão de itap, Marconi,7 de Abril, S.joão, Praça Ramos, Xavier de Toledo.......atravessandoo Viaduto, tinhamos a direita, s.bento.........enfim.........A função de office-boy ensinava os tramites do serviço e como andar em Sampa na década 60. Foi algo quemarcou a vida de milhares de homens. Graças a Deus, vivi isto por muitos anos.. Vosso texto é nota 10. Enviado por xico lemmi sãopaulino - [email protected]
Publicado em 20/01/2012 Todo suor derramado deve ser recompensado, é ou não é, Almir? exemplo de um batalhador. Parabéns.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 20/01/2012 Depois falam dos politicos. Brasuca não tem geito, o cara já nasçe com instinto de apropriador.Parabens pela sua instrutiva estória. Enviado por Nelson Borella - [email protected]
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