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Categoria - Outras histórias Amácio Mazzaropi - 100 anos de Historias, risos e emoção... Autor(a): André Luiz Mazzaropi - Conheça esse autor
História publicada em 18/01/2012
São Paulo (Capital), 9 de abril de 1912. Nascia no numero cinco da Rua Vitorino Camilo, na Barra Funda, bairro da Santa Cecília, casa antiga do século XVIII, hoje número 61 daquela rua assobradada que resiste até os dias de hoje. Um sobrado de três andares, com diversos quartos de aluguel, igual a 1912.

No primeiro quarto, do lado esquerdo de quem sobe a escada do segundo andar nasceu Amácio Mazzaropi, filho do italiano (napolitano) Bernardo Mazzaropi e da taubateana Clara Ferreira Mazzaropi. Ali viveu até completar oito anos; depois veio o Brás, Vila Maria Zélia. Estudou no grupo escolar São José do Belém até o segundo ano de grupo. Teve uma infância pobre, quase miserável, mais encontrou sempre no seu lar o amor incondicional dos pais Clara e Bernardo Mazzaropi.

Aos 14 anos, com os pais, mudou-se para Sorocaba, mas o desejo de se tornar um artista o fez tomar decisões que mudariam para sempre sua vida. Fugiu dos pais e foi para Curitiba viver com o tio paterno. Lá encontrou, aos 17 anos, o faquir Ferry, a quem chamava de Silque.

Fugiu novamente, dessa vez com o faquir, e voltou para São Paulo e como assistente de faquir e começou assim a sua sonhada carreira de artista o que o tornaria mais tarde o rei do cinema brasileiro, o “Jeca do Brasil”.

No Teatro Oberdan e Colombo, inspirado em Genésio Arruda, apresentou-se pela primeira vez de “Jeca”.

O sucesso no teatro o levou ao rádio e a televisão. Especificamente para a Radio e Televisão Tupi, com o Programa Rancho Alegre. Conheceu Geni Prado, sua companheira artística por toda a vida.

Mais uma vez o sucesso no rádio e na televisão marca com ele um novo encontro, agora com o cinema. Levado pelas mãos experientes de Abílio Pereira de Almeida a Companhia Cinematográfica Vera Cruz lançou um novo sucesso que o transformou definitivamente no rei do cinema brasileiro, o filme “Sai da frente”.

Após oito filmes como empregado contratado decidiu produzir seus próprios filmes e em 1958 fundou a Pam Filmes - Produções Amácio Mazzaropi.

Com a Pam Filmes produziu, entre 1958 e 1980, 24 filmes e levou todos ás salas de cinema do Brasil, exatamente 206.779.311 (Duzentos e seis milhões, setecentos e setenta e nove mil trezentos e onze pessoas) pagantes.

Mazzaropi produziu com recursos próprios 24 filmes, dos quais 18 estão entre os filmes mais assistidos do cinema nacional, seis são recordistas de publico. O filme Jeca Macumbeiro é o maior recordista de publico e renda da historia do cinema nacional, colocou em quatro semanas de lançamento 16.800.011 pessoas pagantes nos cinemas, igualando-o ao maior recordista mundial de publico, o filme O Tubarão, de 1975.

Em Taubaté, terra natal de sua mãe Clara Ferreira, Mazzaropi comprou, em 1962, uma fazenda e transformou-a em seu primeiro estúdio, era a Fazenda da Santa. Mais próximo da cidade construiu seu grande estúdio e o transformou em hotel, hoje lá funciona o Hotel Fazenda Mazzaropi.

Em nossos cardex (Pam Filmes) (Controle de exibição - Praça - Publico e renda) - o filme Casinha Pequenino obteve, de 1963 á 1981, 73.867.093 espectadores, o equivalente a quase toda a população do País na época.

Em 1981 no Cardex da Pam Filmes estavam cadastradas 11.648 salas de exibição no Brasil, sendo que apenas 48 cinemas tinham mais de uma sala, com média de 800 lugares. Havia naquela época cinemas com salas entre 500 e 3000 lugares (caso do Penharama, em São Paulo).

Diferente do que tudo que se escreveu e se falou a seu respeito sua grande paixão sempre foi o circo e não o cinema; o cinema lhe deu aquilo que o circo não conseguiria lhe dar, dinheiro. Teve também uma grande paixão platônica a apresentadora e amiga Hebe Camargo.

Na manhã do dia 13 de junho de 1981, aos 69 anos de idade nos deixa, vitimado por um câncer na medula óssea, deixando o Brasil inteiro mais triste e choroso.

Morreu solteiro e não teve filhos naturais, mais ao longo de sua vida criou cinco pessoas e as tratava como se fosse seus filhos. Tive a honra de ser um deles, alem de ser seu filho no cinema.

Desde que se foi deixou marcas profundas na população do Brasil, pois através de seu cinema construiu a formação de famílias inteiras que se conheceram através do cinema.

Em 10 de setembro de 1983, na cidade de Leme-SP subi ao palco para relembrá-lo pela primeira vez, e desde então foram 1581 apresentações do monologo “Tem um Jeca na cidade”, feito por mim, André Luiz Mazzaropi - O Filho do Jeca.

Foram muitas historias, risos e emoções...

Em sua homenagem e para contar sua verdadeira historia, vou lançar em 2012 um livro “Simplesmente Amácio Mazzaropi”.

Esta historia ninguém me contou, eu a vivi.

Agora em 2012 vamos comemorar o seu centenário.

Mazzaropi não morreu, esta vivo na memória do povo brasileiro. Celebramos!

Filmografia Mazzaropi

01ª - Sai da Frente
02ª - Nadando em Dinheiro
03ª - Candinho
04ª - A Carrocinha
05ª - O Gato de Madame
06ª - Fuzileiro do Amor
07ª - O Noivo da Girafa
08ª - Chico Fumaça
09ª - Chofer de Praça
10ª - Jeca Tatu
11ª - As Aventuras de Pedro Malazartes
12ª - Zé do Periquito
13ª - Tristeza do Jeca
14ª - O Vendedor de Lingüiça
15ª - Casinha Pequenina
16ª - O Lamparina
17ª - Meu Japão Brasileiro
18ª - O Puritano da Rua Augusta
19ª - O Corintiano
20ª - O Jeca e a Freira
21ª - No Paraíso das Solteironas
22ª - Uma Pistola para Djeca
23ª - Betão Ronca Ferro
24ª - O Grande Xerife
25ª - Um Caipira em Bariloche
26ª - Portugal Minha Saudade
27ª - O Jeca Macumbeiro
28ª - Jeca Contra o Capeta
29ª - Jecão...Um Fofoqueiro no Céu
30ª - Jeca e o seu Filho Preto
31ª - A Banda das Velhas Virgens
32ª - O Jeca e a Égua Milagrosa


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Publicado em 02/11/2012 olá fico muito feliz ao saber que o nosso querido Mazzaropi, tenha deixado este lindo trabalho, que virou fruto de muitos artistas de Hoje, eu sou Fã do seus trabalho e procuro levar para esta juventude o quanto o nosso Mazzaropi é importante para a nossa cultura.
parabéns e viva Mazzaropi.
luciano
Enviado por luciano - [email protected]
Publicado em 06/04/2012 Parabéns. Que saudades!!!! Enviado por Ana - [email protected]
Publicado em 04/04/2012 sem comentario,mazzaropi igual jamais foi o melhor para mim. Enviado por renato calicchio - [email protected]
Publicado em 03/03/2012 Oi Andre, valeu, você bem lembrou o nosso bom Mazzaropi, o qual eu tive o prazer de conhecer e na ocasião da estreia do 25º filme um caipira em Bariloche,o mesmo me deu o ingresso para assisti-lo. Amacio Mazzaropi, o nosso eternamente Jeca. Enviado por João Batista Prado - [email protected]
Publicado em 26/01/2012 Um bom caminho para conhecer a história de Amacio Mazzaropi, o imortal Jeca do cinema nacional, é o Instituto Mazzaropi (www.institutomazzaropi.org.br), responsável pela administração do Museu Mazzaropi e por outros projetos como a biografia “Sai da Frente! A vida e a obra de Mazzaropi”, de autoria de Marcela Matos, publicado pela editora Desiderata após 5 anos de pesquisas, entre outros. São quase 20 anos de coleta de dados, depoimento de anôminos e famosos, professores, historiadores, apoio no desenvolvimento de monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado; e mais contínua coleta de dados, fotografias e documentos. Um acervo valioso para quem quer conhecer mais detalhes da carreira, da história e do sucesso de Mazzaropi. Enviado por Museu Mazzaropi - [email protected]
Publicado em 24/01/2012 Andre, é gratificante ver seu texto dando importantíssima biografia de seu pai e o seu orgulho por ele emana das palavras com emoção. Sempre vimos os filmes, claro. Outro dia vi no canal Brasil o "Um caipira em Bariloche" Chamou minha atenção a amizade e trabalho com o faquir que ele chamava de Silque. Meu marido escreveu texto falando sobre Silk o faquir, para este site. Um abraço e parabéns. Vera de angelis Enviado por Vera Lucia de Angelis - [email protected]
Publicado em 23/01/2012 Adoro cinema!
Mazzaropi faz parte de minha memória cinefila.
Por seus filmes, sua maneira simples de passar suas mensagens, deixou marcar na minha formação.
Parabéns por trazer a memória dele.
Abraços
Luigy
Enviado por Luiz Carlos Marques - Luigy - - [email protected]
Publicado em 20/01/2012 Era ser lançado um filme do Mazzaropi para uma amiga ter que levar sua mãe assistir, mas tinha que levar mesmo, a velha não dava sossego enquanto não ia. Aparecia o Mazzaropi na tela e a velha começava rir, mas ria mesmo, gargalhava, Mazzaropi andando, falando, ela achava graça em tudo, era o maior barato. Tinha gente que ria mais vendo a mãe da amiga rindo do que do filme, era impressionante. Muitos, então, acabavam ficando para ver a próxima sessão, segundo falava a amiga, porque prestavam mais atenção e rindo mais da mãe dela do que do filme, era um barato. Terezinha o nome dessa amiga, pessoa maravilhosa, nunca mais a vi, trabalhamos juntos, isso há mais de quarenta anos. Depois que começaram os vídeos, as locadoras, Terezinha deve ter sido obrigada a alugar toda semana filme do Mazzaropi ou comprar porque, o que a mãe dela gostava do Mazzaropi, não estava escrito. E, dizer verdade, muito bom gosto tinha a mãe dessa amiga, porque acho que não tinha quem não gostasse do saudoso Mazzaropi. Enviado por Pedro Luiz Boscato - [email protected]
Publicado em 20/01/2012 Nada era mais divertido do que participar do antigo corso de automóveis do carnaval de Santos. Nos anos sessenta acho que a inocência da brincadeira era algo inerente nas pessoas. Eram raras as cenas de violência ou abusos.
Você brincava com os estranhos como se fossem velhas amizades.
Ninguém ficava chateado de se molhar ou de ser enfarinhado comendo confetes e serpentinas.A gente levava toneladas de água e farinha. Na época nos tínhamos uma perua Rural Willis, parecia um carro construído exatamente para o corso, tinha uma porta basculante traseira. Numa ocasião em 1963, me afastando da perua peguei uma carona num jipe ou perua, não estou certo. Vi que eu era um grande fã do motorista. Era o Amácio Mazzaropi e a Geny Prado. Ele participava do corso levando duas crianças pequenas. Mas foi muito estranho ... Não conseguia entender.
Ele não tinha sotaque caipira nenhum! Ele foi gentil, me levando alguns quarteirões. Não esqueci.
Enviado por Pedro Cardoso - [email protected]
Publicado em 19/01/2012 Prezado André, Sou fã até hoje do Grande Mazzaropi. Em 1965, eu estava no inicio de minha carreira artística. Um empresario que me assistiu em Teatro de Revista e me levou para uma apresentação em um show no Festival de Cinema que aconteceu em Sta. Rita do Passa Quatro - SP. Lá eu fiquei sabendo que estaria presente também o grande Mazzaropi, havia um mar de gente querendo ver o ídolo, e ele com a maior humildade não exigiu nada de especial só prá ele, como sempre acontece com os grandes cartazes. E assim ao meu lado, e ao lados de outros artista desconhecidos ele se preparou para entrar em cena. Saí de lá encantado com a simplicidade do grande artista, E é Claro disposto a continuar pegando uma enorme fila em frente ao Cine Art Palácio para poder ve-lo todo ano em seu novo filme. E assim posso dizer que por pelo menos uma hora eu pude desfrutar da presença e de algum papo com o fabuloso Mazzaropi. Hoje quando vejo certos "artistas" dando uma de gostoso, me vem a mente a memória do nosso saudoso, eterno e querido Jeca.
Espero que você André possa também honrar por muitos anos ainda, a memória desse grande Artista que foi, (que foi não Mazzaropi esta vivo no cinema e na memória do povo) que é seu Pai. Parabéns pelo texto, espero que um dia você esteja presente no encontro com as redondas.
Enviado por Arthur Miranda - [email protected]