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Categoria - Outras histórias A hora e o lugar errados Autor(a): Luiz Simões Saidenberg - Conheça esse autor
História publicada em 22/12/2011

Muito se fala, neste site, de acontecimentos estranhos, que fogem à razão, à lógica. Visões entrevistas, pressentimentos, estranhas sensações em lugares de passado tenebroso. Sim, pois eles existem em toda parte, e São Paulo não foge à regra. Meu caso, porém, não trata de nada disso. O que não lhe tira a estranheza. Não vi vultos, nem ouvi vozes sussurradas em becos sem saída.

Ainda assim... Apenas como citação, no belíssimo filme de Woody Allen, "Meia Noite em Paris"- se não viram não sabem o que estão perdendo - o personagem principal, após ter estado num bar dos anos vinte com Hemingway, retorna logo depois, para não achar mais bar nenhum, apenas uma moderna lavanderia.

No livro "Memórias, sonhos, reflexões", Karl Jung relata ter estado em Ravenna, em companhia de uma amiga. Lá visitaram a antiga tumba de Gala Placidia, onde se maravilharam com os numerosos afrescos internos. Até que um dia retornou a Ravenna, para descobrir que a tumba não tinha, nem jamais havia tido, afresco algum. Alucinação? Mas e aí, ainda por cima compartilhada?

Pois bem. Márcia e eu caminhávamos, como fazemos quase todos os dias, pelas ruas do Brooklin Novo, todas elas velhas conhecidas. Mas neste dia passamos por um espaço que nunca me havia chamado a atenção. Uma larga entrada, com vários carros estacionados. Um deles, uma bela e impecável Alfa Duetto, conversível vermelho, com placa preta de 1974.

Embora um dos carros tivesse placa de “vende-se”, nada mais constava no local deserto, nem na Alfa. Nenhum letreiro comercial, ninguém para atender. O prédio fechado, como se jamais houvesse sido aberto. A Alfa era um belo espetáculo, e sou fã dessa marca italiana, da qual, em tempos mais amenos, cheguei até a ter uns exemplares.

Mas agora, no meu pobre status de aposentado, nem pensar! Ainda assim, sonhar é grátis, e quem sabe um dia eu pego um bolão na Mega Sena... E aí sim, vocês vão ver!

Em outro dia, novamente passeando pelo bairro, desta vez estava sozinho, tentei rever o belo conversível. Mas, onde? Não o encontrei, e sequer o pátio onde estava estacionado. Girei e revirei as ruas, bem familiares. Nada! Fora nesta? Ou naquela outra? Na Rua Flórida, na Rua Pensilvânia, na Rua Nebraska? Onde, afinal?

Tenho boa memória, principalmente visual. Localizo-me facilmente, como se tivesse um GPS interno, e sempre, instintivamente, acho o lugar buscado. Mas não desta vez. Como se o carro e o lugar nunca tivessem existido, a não ser na minha imaginação. Será o Alemão, aproximando-se aleivosamente?

Mas a Márcia estava comigo, e não me deixa mentir. Tento novamente achar o lugar perdido, só para tirar a teima? E não achando, como é que ficamos? Mais um episódio da série Mistérios de São Paulo.


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Publicado em 09/01/2012 Sr.Saidenberg, já usei um método de repetir mentalmente todo o trajeto desde que saí de casa até onde cheguei; anota-se as ruas e se preciso até esboço de mapa. Depois é só sair e verificar. Mas que existem vórtex tridimensionais isso é fato. E também tem a teoria da Mecânica Quântica de que temos cérebros conectados com algumas frequencias que são universais. Uns mais outros menos. Freud e Lacan, não explicam! A Física vem tentando. Abraço do Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 24/12/2011 Que coisa! Sou tão cética que nunca vejo nada além. Mas este seu relato me deixou pensativa. Parabéns e boas festas! Enviado por suely aparecida schraner - [email protected]
Publicado em 23/12/2011 Procura do outro lado da Santo Amaro. Enviado por Pedro Cardoso - [email protected]
Publicado em 23/12/2011 O explicável no inexplicável muitas vezes acontece. Será que não foi um sonho apenas? Uma alucinação? Longe de ti a doença do alemão! Saravá meu pai. Um abraço e um Feliz Natal para você e a sua família. Grassi. Enviado por J Grassi - [email protected]
Publicado em 23/12/2011 Muito obrigado, amigos. Milagres acontecem, mesmo. E distrações tb. Procurando mais acuradamente, encontrei o local e desvendei o mistério. Mas, isto é já outra história. Feliz Natal a todos. Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 Saidenberg, como dizem: "Não acredito em assombrações, mas que existem, existem" Um abraço e Feliz Natal. Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 Prezado Saidenberg já prevenindo o futuro quero informar a você, com Márcia pro testemunha, Que eu me chamo Arthur e minha esposa é Denise e vivo mandando textos para o SPMC, e que a gente se conheceu no encontro das Redondas, na Pizzaria Moraes.(risos), Ótimo texto Luiz, como sempre. Feliz aniversário para sua Márcia querida, que por sinal é o nome da minha filha mais velha e também de minha neta. Enviado por Arthur Miranda - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 São acontecimentos estranhos. Você já teve a impressão, ao chegar a algum lugar pela primeira vez, de que já esteve lá? E ter sonhos que tempos depois parecem se realizar? Mistérios de São Paulo e de qualquer lugar. Enviado por Ivette Gomes Moreira - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 Penso que esse episódio é só seu, Luiz. Escrevo isto porque tenho 6 ou 7 e os chamo de "milagres". Com testemunhas e inexplicáveis... muitas vezes me pergunto: "por que, eu? até quando haverá uma interferência que acredito, seja divina?" Feliz Natal, Luiz. Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia ( seria esta a frase ou estou feito o criolo doido do samba " a Atual conjuntura" ). Bem, não importa, mas se você disse que viu e que depois não achou mais eu acredito. Enviado por trini Pantiga - [email protected]
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