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Categoria - Outras histórias Memórias de uma rua Autor(a): Miguel S. G. Chammas - Conheça esse autor
História publicada em 22/12/2011

Hoje, sentado no ônibus que me transportaria de Praia Grande para São Paulo, sem nada para fazer ou me ocupar, comecei a dar "tratos à bola" na esperança de lembrar algum fato importante e que me rendesse um bom texto. O ônibus era da Breda, me lembrei então que nos áureos tempos de minha mocidade, a telefonista que trabalhava na Viação Breda era minha conhecida, a Carmem. Com ela bati longos papos, tive vários convites de picnics e bailinhos, aos quais compareci sempre, mas não seria esse tema bom para desenvolver um bom texto.

Vi então uma manchete de jornal, do passageiro que está à minha frente, o nome de uma rua que frequentei por muitas vezes, durante minha adolescência. Era uma das principais artérias do centro comercial, tinha apenas dois quarteirões. Com um fluxo enorme de pessoas, desde cedinho até avançadas horas da noite, unia e une até os dias atuais, duas praças muito conhecidas, a Praça do Patriarca e a Praça da Sé.

Uma rua que eu conhecia muito bem, mas que me intrigava, pois seu traçado não era e não é ainda, tão direito como seu nome. Pesquisando fiquei sabendo que muito antes, era chamada de Rua Direita de Santo Antonio e Direita da Misericórdia por causa das duas igrejas que existiam na região.

Fiquei sabendo, também por essas pesquisas, que nela haviam morado dois figurões da sociedade paulistana, os senhores Antonio da Silva Prado (Barão de Iguape) e José Manoel da Silva (Barão do Tietê). Bem, basta de divagações históricas, vamos às lembranças mais recentes. Essa rua era por mim utilizada para chegar até a Rua Quintino Bocaiúva e frequentar o auditório da Radio Record.

Lembro-me de várias lojas comerciais nela instaladas, dentre elas, Ao Preço Fixo, Sedanyl, Casa Henrique, Casa Cosmos, Casa Sloper, Lojas Brasileiras e Lojas Americanas. Lembro-me do Bar Viaducto, tradicional estabelecimento da paulicéia, tão distinto e marcante quanto a Confeitaria Colombo do Rio de Janeiro. Era ali que, aos domingos, depois de sair da Radio Record, eu tentava encontrar com meu tio Elias Chammas. Se a tentativa desse resultado, eu me satisfazia de refrigerantes e salgadinhos ouvindo musica solada por violinistas competentes.

Pois muito bem, chegamos ao ponto principal desta minha rememoração, um pouco antes do Bar Viaducto, existia um dos muitos cinemas da velha Sampa, era o tradicional Cine Alhambra onde assisti a vários bang-bangs, mas o principal filme que assisti nas telas daquela casa de espetáculos foi Pinóquio na versão de Walt Disney. Encantador, aterrorizador, fantástico. Lembro-me de que antes dos filmes de longa metragem de Walt Disney, eram apresentados filmetes naturais produzidos no mesmo estúdio e denominados Maravilhas da Natureza.

Nada, nada mesmo, hoje pode ser comparado àquelas sessões de cinema. Elas me trazem muitas saudades. Bem, tentei achar um tema para meu texto, vaguei pela memória e dissertei, novamente, sobre generalidades.

Generalidades que me encheram o coração de ternura e saudades. Acho que valeu e, se prendi a atenção do meu leitor até esta linha, valeu mesmo.


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Publicado em 27/12/2011 Adelmo, Lojas Garbo à esquerda do cine Alhambra na rua Direita ??? você não estaria enganado ??? eu me lembro da Lojas Garbo, sempre na rua XV de Novembro, defronte à Western Telegraph...e nunca na rua Direita...abraços - Flavio Rocha Enviado por Flavio Rocha - [email protected]
Publicado em 26/12/2011 Miguel o Cine Anhambra nunca ouvira falar. A Breda fazia a linha SP x Santos. E o seu texto muito bom! Enviado por Clesio de Luca - [email protected]
Publicado em 24/12/2011 Complementando, lembro das Lojas Garbo, à esquerda do cinema e da Lutz Ferrando ("filmando ou fotografando procure a Lutz Ferrando"). Tinha tambem a casa lotérica com sua Roda da Sorte. E, aos domingos à noite a grande concentração da raça negra, com rapazes e moças muito bem vestidos e que ocupavam a Rua Direita de ponta a ponta. Enviado por Adelmo Vidal - [email protected]
Publicado em 23/12/2011 Caro Miguel, invejo a sua prodigiosa memória ao lembrar de tantos nomes de lojas comerciais do centro velho de São Paulo. Eu vivi toda essa época, porém, não me lembro nem da metade desses nomes narrados por você. Parabéns pelo tema. Um abraço e um Feliz Natal para você e a sua família. Grassi Enviado por J Grassi - [email protected]
Publicado em 23/12/2011 Caro Miguel, não há como parar no meio de seu texto. Ele nos prende a atenção o tempo todo e nos enche a alma de saudade; saudade boa!
Abraços
Boas festas
Cida
Enviado por Cida Micossi - [email protected]
Publicado em 23/12/2011 Suas rememorações abordaram vários assuntos interessantes:História,cinema,memórias,experiências e lugares especiais.Um abraço! Boas Festas! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - [email protected]
Publicado em 23/12/2011 Belas sessões, caro Miguel. E isto mesmo que você não tenha frequentado o magnífico Cine Sta. Cecilia. Logo deve sair algo que escrevi sobre ele. Mas, se não fazem mais tão belos cinemas, existem ainda ótimos filmes, que não devemos perder. Abraços. Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 Miguel, de fato, a rua Direita possuiu outros nomes até se fixar somente em "rua Direita"...frequentei também o cina Alhambra, onde assistia geralmente os filmes "impróprios" para menores de 18 anos, como "Gilda", em 1950...Saudades tenho também, da "antiga" rua Direita, onde o Leonidas da Silva (o Diamante Negro) desfilava com seu terno de linho 120 com suas incomparáveis "louras"...isso nos meados doa anos 40...Informo à você que, não sei porque, o pessoal do SPMC "colocaram" o seu texto "Botequins III" e o retirararm...fica "valendo" o email que lhe mandei...abraços - Flavio Rocha Enviado por Flavio Rocha - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 Miguel, gostoso essas suas lembranças, são lugares que eu muito frequentei, por que durante um ano na Chapelaria Paulista na Quintino Bocaiuva eu trabalhei, bem ao lado onde outrora havia sido a Radio Record. Enviado por Arthur Miranda - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 e verdade miguel, as sessoes de cinemas, eram inesqueciveis, cine rosario, cine sao bento,cine recreio, cine odeon, cine opera,etc.. TEMPOS QUE NÂO VOLTAM MAIS, Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
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