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Categoria - Outras histórias O triste fim de Madalena Autor(a): Diodi Okamoto - Conheça esse autor
História publicada em 20/12/2011
Como muitas anônimas, sem vida social, sem parceiro, sem filhos, sem amor, na solidão do seu quarto, Madalena se foi. Foi como chegou, silenciosamente. Do interior da Bahia, filha de uma família numerosa, a custa de sacrifício veio à cidade grande na esperança de uma vida melhor. Jovem ainda conseguiu um emprego, como se diz, “em casa de família”.

Ela aprendeu os segredos da culinária, fazia pratos sofisticados que jamais ouvira falar em sua mesa. Esperta logo conseguiu dominar essa difícil arte. Com carinho soube cuidar e acompanhar a vida das crianças. Foram anos de dedicação até que um dia a casa desmorona com a separação do casal. O tempo foi inexorável, implacável, Madalena tornara-se uma senhora sem ver a vida passar. Já não tinha aquela ambição de ter seu espaço ao lado de um bem amado, seus sonhos diluíram com o tempo.

Sequer mereceu reconhecimento daquelas que ajudou e viu transformarem-se em adultas. Madalena então ficou com o lado que mais necessitava de uma cozinheira e domestica: o patrão. O patrão novamente constituiu família e novas crianças voltaram a ocupar o tempo de Madalena.

Humilde, um dia resolveu prosseguir, reencontrar o caminho escolar. Encontrou na Escola Plácido de Castro (perto da Avenida Rio Bonito, em Santo Amaro) um ambiente no qual pode desfrutar novas amizades e sair um pouco da solidão do seu quarto. Um dia a ausência dela chamou a atenção, pois jamais faltara as aulas. Caminhava debaixo de chuva, no frio intenso, e era presença garantida.

Faltar o segundo dia já era demais, e veio acompanhada de uma noticia chocante! Madalena estava internada. Logo, depois de poucos dias, Madalena morreu. Não, não é possível! Assim tão repentinamente?

Madalena, Madalena quantas como você chegam e se vão, compondo apenas um número? Na sua longínqua Bahia poucas se lembrarão da Madalena que ainda menina moça, cheia de sonhos e ilusões deixou as amigas, o tempo apagou sua imagem. Soube de sua historia por uma colega de classe e com algumas outras a Madalena continuara existindo no coração da escola, sua segunda casa.

Segue teu caminho de paz. O bolo, a pizza que você preparava com tanto amor para as crianças serão lembrados pelos adultos de hoje, e então você estará viva na memória deles ou delas, ainda que por alguns minutos.


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Publicado em 01/09/2012 Iodi, infelizmente sua historia vem de encontro com pessoas humildes que vem de tão longe;trabalham muito, fazem muito por outras pessoas e que nem sempre são valorizadas; as vezes so se percebe a importância de uma pessoa quando ela se torna apenas uma lembrança! Enviado por Sonia Lima - [email protected]
Publicado em 29/02/2012 Triste o seu texto, que conta a estória de muitas Madalenas que São Paulo acolhe diariamente! Infelizmente não são muitas que tem um final feliz!Conheço uma, vinda do Pará, que teve um belo final para sua estória! Vou contar na primeira oportunidade.Abraço Célia Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 Um ditado popular diz que:"Sempre fica um pouco de perfume nas mãos que nos oferecem flores" e assim foi com Madalena,parabéns pela história tão bem contada por vc!Boas Festas! Um abraço! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - [email protected]
Publicado em 21/12/2011 Eu tive uma Madalena na minha vida. Só que ela chamava-se Joaninha. Por longos 12 anos foi minha fiel escudeira. Minha e dos meus filhos. Acometida de Doença de Chagas, um dia o coração lhe faltou, mas eu cuidei dela até o fim. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 21/12/2011 Que ela descance em paz pois certamente está nos céus, junto a Jesus, iluminada pela sua luz. Enviado por trini Pantiga - [email protected]
Publicado em 21/12/2011 Crônica humana e respeitosa, triste, exemplificando a vida destes retirantes que sonham e terminam bruscamente sua passagem longe de onde nasceu.Nerrativa sem retoque, com muita ternura.
Parabéns, Okamoto e espero que tenhas um ótimo Natal e próspero ano novo de 2012.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 21/12/2011 É, infelizmente nossas madalenas nem sempre são reconhecidas, existem pessoas que ascolocam de lado até na hora das refeições, que ela sirva de homenagem as madalenas que passaram pela minha casa e que não eram apenas empregadas, mas minhas amigas do coração as quais estão sempre em minhas orações Abraços e Feliz Natal para você e todas as "Madalenas"De Paula. Enviado por Sonia Maria de Paula - [email protected]
Publicado em 20/12/2011 É triste para nós que estamos lendo a história dela.
Mas tenho certeza que ela morreu feliz fazendo aquilo que gostava! Parabéns
Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - [email protected]
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