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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Vila Matilde: Do nascimento aos tempos atuais Autor(a): André Luiz Oliveira - Conheça esse autor
História publicada em 30/11/2011
Em 1869 começa a construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio, e os trilhos cortam a fazenda que mais tarde dividiria as Vilas Matilde e Esperança e, para facilitar o transporte dos romeiros devotos de Nossa Senhora da Penha, foi construído um ramal que partia da estação Guaiaúna até a estação Penha, bem próximo à igreja.

Na década de 20, ocorreu um desastre nesta linha de trem, dentro das terras da Fazenda Gavião que pertencia Dona Escolástica Melchert da Fonseca.

A história das matriarcas começa com dona Escolástica Melchert da Fonseca, viúva de João Manoel da Fonseca Júnior, dona de uma elegância ímpar que lhe rendera o apelido de Baronesa, nascida em 1869, em Itu-SP. Ela passou em 11 de fevereiro de 1910 definitivamente a escritura de sua Fazenda Furnas, também chamada de Salto do Turvo, ao Coronel Jacintho Ferreira e Sá.

Sensibilizada ela decidiu doar a área da tragédia para a construção de uma estação que encurtaria o trajeto entre as estações Guaiaúna à Itaquera.

Dona Escolástica Melchert da Fonseca era naquela época, a maior detentora de terras na cidade de São Paulo e a Fazenda Gavião ia desde a Guaiaúna até onde hoje é o Parque do Carmo.

Ela doou parte de sua posse para a construção das linhas, mas em troca fez uma solicitação: o local deveria se chamar Vila Matilde, em homenagem à filha Matilde de Melchert Soares.

Dona Matilde era casada com o ex-ministro e embaixador Dr. Macedo Soares - figura importante da política paulistana. Ele mesmo era proprietário de uma chácara na zona sul que acabou se tornando o bairro Chácara do Castelo.

A estação de Vila Matilde foi inaugurada em 1921 com plataformas de madeira, que ainda existem nas extremidades.

Durante a revolução de julho de 1924, foi usada como acampamento de tropas do Governo. Sempre foi basicamente uma "estação de subúrbio". Foi reformada em 1944, quando foi construído um prédio para a bilheteria, com entrada pelo viaduto sobre a linha. Em 1988, sofreu uma nova reforma, tendo sido pintada de amarelo e retirado o terceiro trilho por causa da nova estação de metrô. Foi desativada em 27/5/2000, com a entrada em operação do Expresso Leste da CPTM. Em 2007, sua bilheteria funciona como sala de exposições e galeria.

Após a doação de parte da Fazenda Gavião, Dona Escolástica passou a lotear o restante da área, a qual por ser muito extensa foi feito em etapas, sendo a principal a da Vila Matilde.

Sendo representada por seu afilhado Dr. Diogo de Carvalho, eles venderam as terras para importantes nomes da época como a família Matarazzo, que fundou os bairros Vila Savoy e Jardim Brasília, família Fachinni, que fez nascer os bairros de Vila Dalila e Vila Ester e o Sr. Guilherme Giorgi.

Outra parte foi vendida ao cunhado de dona Escolástica, Juvenal Ferreira, que implantou o Jardim Maringá.

A Vila Matilde foi loteada pela Sociedade Carvalho & Mascarenhas, empresa com sede no Largo da Sé ,n° 3 no centro de São Paulo, e no ato da compra do lote, o adquirente ganhava 5000 tijolos.

A primeira família a morar na Vila Matilde foi a da Dona Maria Rosa Pimentel, com seu marido, Luiz Raposo Pimentel, sua mãe e três filhos, sendo um com apenas 15 dias de vida, em 31 de dezembro de 1.920.

Vindos do bairro do Glicério, adquiriram um retalho de terra, onde hoje é a Rua Coronel Pedro Dias de Campos com a Rua Guiomar Pasciulo e ali construíram a primeira casa da recente gleba loteada.

Outro ponto em destaque no bairro é o seu caráter religioso, numa espécie de homenagem à Escolástica: foi ela quem doou o terreno onde Dr. Diogo construiu a primeira igreja da região, a atualmente conhecida Capela de Nossa Sra. de Lourdes, e a filha cedeu um terreno de cerca de um quarteirão para a Ordem das Filhas de São José, com a condição de que ali fosse erguido um educandário para os que lá fossem morar.

Em 1.939, por meio do Decreto Estadual nº 10588, foi criado, no então Distrito de Paz de São Paulo, do Município de São Paulo, a 43ª zona, denominada Vila Matilde.

Na década de 40 a comunidade tentava conseguir melhorias para o bairro, os trens eram precários, não existia o viaduto, para ir até a estação descia-se um escadão de barro e não havia ônibus para o centro da cidade.

Em 1950 criou-se a sociedade amigos de bairro. Por décadas o local ficou quase à margem do crescimento da metrópole. Basta dizer que, quando fez 44 anos, em 1966, Vila Matilde pedia das autoridades a instalação de uma agência bancária e linhas de ônibus para o centro da cidade. Naquela época, apenas um coletivo chegava ao centro e era chamado de "enlatado".

Nos anos 70 Vila Matilde se desenvolveu muito e na década de oitenta chegou o metrô e aumenta muito a verticalização do bairro, mas até hoje o progresso não tirou dos moradores o senso comunitário fato decisivo para o bairro ser o que hoje vemos.

Claro, tudo isso é passado. O metrô, com duas estações na região, está redesenhando o mapa do bairro: as casinhas dão lugar a empreendimentos maiores e melhores. A vila já não tem mais problemas de transportes coletivos, claro. Agora, o ativo comércio atende às necessidades dos moradores e eles mesmos estão comprando os apartamentos de dois e três dormitórios.

Seus mais de 100 mil habitantes nem se lembram dos esforços para se chegar ao centro. E para que? Há o metrô na porta, shoppings centers e hipermercados ao lado. Mesmo assim, tal qual o povo de Asterix (o gaulês irredutível), muitos moradores preferem ficar nas suas casas térreas, com suas flores e varandas onde se pode ler em cima: "lar, doce lar". Pois que continuem a guardar um pedaço dessa Paulicéia desvairada dos anos 50.

Compõe o Distrito da Vila Matilde os Bairros Chácara Seis de Outubro, Cidade Patriarca, Jardim Assunção, Jardim Ercília, Jardim Maringá, Jardim São João, Vila Aricanduva, Vila Dalila, Vila Eulália, Vila Guilhermina, Vila Matilde, Vila Nova Savoi, Vila Samara, Vila Talarico.


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Publicado em 01/09/2012 Curiosamente, os primeiros moradores da Vila Matilde (que se mudaram para um terreno na Rua Cel. Pedro Dias de Campos e em esquina com a Rua Guiomar Pasciulo no fim de 1920) foram, durante anos, meus vizinhos. D. "Mariquinha", como conhecíamos, viveu até meados de 1985. O Imóvel, deu origem a um lava rápido, no meio da década de 90. Fadado ao fracasso (os proprietários morreram num acidente aéreo logo após a inauguração), foi sucessivamente alternando proprietários, até sua demolição, entre 2007/2008. O lugar deu origem a um conjunto de sobrados, que estão à venda até hoje. Os últimos moradores, foram os pedreiros da obra. Enviado por Hill Paulo - [email protected]
Publicado em 13/08/2012 Eu sou Nazareth Pimentel,nascida e moradora na Vila Matilde,sou neta da Maria Rosa Pimentel Raposo, gostaria muito de conversar com você, André. Se possível gostaria de marcar um encontro através da Revista IN...É muito importante... Enviado por Nazareth Pimentel - [email protected]
Publicado em 22/03/2012 queria saber,quando foi inaugurado o viaduto vila matilde Enviado por jorge wagner conti - [email protected]
Publicado em 05/12/2011 André, gostei da sua história, eu morei alguns anos na Vila Esperança, próximo da estação. Naquela epoca ainda não existia o viaduto de ligação Vila Matilde-Vila Esperança que só foi inaugurado no ano de l964. Esclareço que no dia da inauguração eu estava. Voltando a Vila Matilde, o bairro esta lindo. Enviado por Hermes C. Figueiredo - [email protected]
Publicado em 01/12/2011 André, o amor que você tem pela Vila Matilde, deve ser igual ao que tenho pela Parada Inglesa, mas lhe invejo, porque você, ao contrário de mim, sabe tudo do seu bairro. Parabéns. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 30/11/2011 ANDRÉ: NASCI E VIVI SEMPRE NA PENHA,CONHEÇO TODA ESSA REGIÃO QUE VOCE COMENTOU,HOJE ESTOU NO SUL,MAS AS MINHAS RAIZES SERÃO ESTARÃO AI,MORRO DE SAUDADES TODOS OS DIAS,TRISTE ESTOU POIS VI FOTOS RECENTES DO BAIRRO DA PENHA,AONDE ESTA TUDO DETONADO PELOS GRAFITEIROS,UMA MALOCA HOJE É MAIS LIMPA QUE A PENHA, E NINGUEM FAZ NADA PARA MORALIZAR ISTO,ESTÃO ACABANDO COM TUDO,AS TINTAS VULCÃO NÃO ÉRA NA V.MATILDE-ALI PROXIM O AO VIADUTO ? Enviado por RUBENS ROSA - [email protected]
Publicado em 30/11/2011 André, conheço a V. Matilde de passagem a trabalho, magnifico histórico do bairro, que serve de referencia aos novos moradores e também a pesquisa escolar,oxalá todos as pessoas conhecem seu bairro como voce, parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
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