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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades A dança bizarra nos antigos concursos carnavalesco do centro de São Paulo. Autor(a): Aclibes Burgarelli - Conheça esse autor
História publicada em 28/11/2011

Lembro-me de que, lá nos idos da década de 50, quando garoto, trabalhava no Centro da cidade de São Paulo, na Rua 15 de Novembro, no telégrafo Western e percorria diariamente todas as ruas centrais, ora a trabalho, ora a passeio nos finais de semanas, porque, no Centro, funcionavam vários cinemas que ainda exibiam filmes não pornográficos: os famosos faroestes.

Normalmente, na época de carnaval, o Centro era muito movimentado e todos se preparavam para assistir aos desfiles da Av. São João. Um fato que me desperta lembrança que está quase a se perder, porque não encontro referências específicas a respeito, é o que se refere ao famoso concurso de resistência carnavalesca, então realizado sobre um tablado, montado na esquina da Rua Direita com a Rua Quintino Bocaiuva, bem em frente à Radio Record e no terreno em que está construído hoje o Edifício Triângulo, se não me falha a memória. O prédio da antiga Record ainda está lá e abriga, tradicionalmente, lojas musicais.

Pois bem, na época do carnaval o que despertava a atenção era o referido concurso de resistência carnavalesca que atraia a todos, apesar de se tratar de um espetáculo que demandava muito esforço físico e abatia pessoas que, em busca do prêmio, muitos por necessidades, prestavam-se à exibição bizarra das danças feitas com passos lerdos e cabeça pendente no ombro da parceira, vice versa, até para pequenos cochilos. Mas os assistentes vibravam e faziam apostas acerca de qual seria o próximo casal a parar de dançar. A cada dia diminuía o grupo; a cada momento eram mais lentos os passos; a cada minuto saia um casal com choros. E a assistência vibrava, porém dividida entre quem criticava o ato. Terrível era a aproximação do final quando então os "mortos vivos" arrastavam-se na última tentativa do prêmio. Alimentação, água, refrigerantes, cochilos tudo era no ritmo frenético das carnavalescas que serviam para atiçar os coitados dos dançarinos.

Naquela época o circo romano era do povo; hoje penso a respeito e não consigo entender como me parecia interessante a macabra dança ao ponto de me conduzir, juntamente com muitas pessoas ao espetáculo. Ainda bem que tudo acabou, porém gostaria demais informações a respeito.


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Publicado em 19/02/2013 Caro Aclibes, por coincidencia enviei em 2008 para SPMC um tema aproximado a esse.
Encontre a minha história procurando pelo título :
" Carnaval Orniex " publicado nesse site no dia
26/03/08. Aonde tambem tentei relembrar alguma coisa sobre o terrível concurso de resistencia carnavalesca. Retido na memória, com imagens distantes da TV em preto e branco. Abraços !
Enviado por Claudio Bertoni - bertonicla[email protected]
Publicado em 25/06/2012 Gostaria de ter em mãos a relação dos campeões deste evento Concurso Resistência Carnavalesca, grato pela compreenção Antonio Rule. Enviado por Antonio Rule - [email protected]
Publicado em 01/12/2011 Para aqueles que não fazem idéia do que foi o tal de Concurso de Resistência Carnavalesca: imaginem um recinto fechado, uma espécie de ring ou jaula, com dezenas de pessoas "dançando(?)" músicas de carnaval, sambas ou marchinhas, 4 dias e noites seguidos; imaginem pessoas entrando em convulsão ao vivo (não existia VT na época); imaginem pessoas vomitando ou com descontrole de esfíncteres vesicais ou anais; imaginem pessoas com os pés em carne viva e sangrando o tempo todo; imaginem o Randal Juliano ou o Blota Jr irradiando alegremente essa tragédia... O tal programa de TV saiu do Lgo da Misericórdia para a Pça da Bandeira e da Pça da Bandeira para o Ginásio do Ibirapuera que ficava com as arquibancadas lotadas, com sádicos aplaudindo e/ou vaiando a cada desmaio, a cada convulsão, a cada desistência... Panis et circensis, a vergonha da vergonha, tudo pela audiência dos senhores telespectadores... Os tais reality shows de hoje, a não ser pela pornofonia e pela pornoestética, perto do Concurso de Resistência, parecem mais uma sessão Zás-Tráz ou um dos filmecos imbecís da Disney. Ignacio Enviado por joaquim ignacio de souza netto - [email protected]
Publicado em 01/12/2011 Aclíbes, me lembrei do filme "A noite dos desesperados", cujo tema foi o mesmo, os concursos de resistência de dança na época da depressão nos Estados Unidos. Ótimo filme mas muito deprimente. Nunca imaginei que isso tivesse acontecido também em São Paulo. Enviado por Abilio Macêdo - [email protected]
Publicado em 29/11/2011 Aclibes, lembro-me vagamente destes bailes de resistência. Acho que não era só no Carnaval. Hoje assistimos ainda a espetáculos deprimentes e ainda piores: Bib Brither, Casa da Fazenda. Horrorrrrrr Enviado por Ivette Gomes Moreira - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 Olá Aclibes, recordo-me que assistia pela TV Record, mas creio que foi na década de 60. Pelo menos não era obrigatório, participava quem quisesse e hoje é obrigatório assistir o circo de Maracutaias e Cambalaxos que se instalou em Brasilia, sob a regência do Palhaço, ou melhor, do Larápio-Mor. Abraço. Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 Não muda muito, mundo é mundo. Os leões às arenas, aos leões os cristãos. Os bailes acabaram mas os UFCs estão ai para que o sangue continue a jorrar, agora então, embalados pelos gritos histéricos do Galvão. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 Parabéns, Burgarelli, duas vezes. A primeira pela crônica muito bem elaborada e diferente em seu tema. A segunda... deixa pra lá, isso só me diz respeito. Um abraço.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 Concurso de Resistência Carnavalesca, era assim que se chamava o programa de TV mais deprimente, jamais veiculado em todos os tempos por nossos meios de comunicação. Uma vergonha que tinha patrocínios comerciais, fans e acompanhamento em jornais e revistas da época.
Uma vergonha!
Ignacio
Enviado por joaquim ignacio de souza netto - [email protected]
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