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Categoria - Personagens A espera do ídolo Autor(a): Diodi Okamoto - Conheça esse autor
História publicada em 28/11/2011
Recém chegado do interior, o jovem de 15/16 anos passou a morar nas dependências de um clube de futebol. Distante dos amigos e pais, a solidão e a saudade atormentavam nosso personagem.

Não se sabe exatamente quando, mas foi na adolescência, época em que os hormônios afloram com mais intensidade. Não foi preciso ir longe, ali próximo uma jovem, também no apogeu de sua juventude, carecia de afeto e contato físico. Mesma origem humilde, trabalhadora (parece que ajudante de cozinha do clube) tiveram um encontro. Não sei se foi um só, fortuito, ou teve vários outros. O resultado foi uma gravidez. Teria contado a ele? Ou, envergonhada retirou-se da vida do rapaz que acabou se tornando uma celebridade no mundo do futebol. Teria sido antes ou depois disso? Pesquisar o nascimento da filha seria interessante, mas tudo que escrevo é fruto de leituras sedimentadas na "cachola".

Enfim, nasceu e a jovem cresceu sem saber a paternidade. A mãe nunca procurou a mídia cobrando o reconhecimento da filha e, na verdade, não lembro de uma única entrevista desta senhora. Será que nem mesmo os parentes próximos sabiam? Diante da extraordinária fama do jogador, guardar segredo deve ter sido angustiante.

Já na idade adulta, a mãe revela a paternidade e todos ficam estupefatos. A luta pelo reconhecimento foi árdua. O pai nega, contesta, recusa o exame de DNA, mas enfim ela vence a luta e consegue o reconhecimento da paternidade. Apesar de tudo jamais foi procurada. Só teve o reconhecimento determinado pela lei, o coração continuou indiferente ao apelo de carinho.

Vieram os dois netos e a indiferença continuou. A morte prematura, no velório uma coroa de flores encomendada pelo craque ausente. Hoje duas crianças órfãs de mãe praticam futebol e sonham com o sucesso. Uma macula na carreira dessa grande figura internacional que no auge de sua carreira interrompeu uma guerra para que todos pudessem vê-lo em ação. Foi expulso num jogo (Colômbia) por um juiz que queria aparecer, a torcida ficou furiosa, pediu a volta do mago ; o juiz é que foi expulso e a partida continuou.

Caro fabuloso, fenômeno, rei, mestre, gênio, soma de todos, sempre é tempo, vá a Curitiba, dê um abraço nos dois garotos, mantenha contato, acompanhe a trajetória dos meninos como um verdadeiro avô. A mídia não precisa saber, basta seu coração. Ao receberem um abraço do avô famoso, garanto, emocionados nesse dia nem dormirão. Parece que foram transferidos de Curitiba para o São Paulo Futebol Clube.

Vá enquanto são crianças, porque mais tarde serão adultos revoltados como Steve Jobs, que renegou o pai até a morte. Saiba, o senhor é meu ídolo.


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Publicado em 06/12/2011 O "rei" não é o único.
Sintam, junto comigo, nojo dessa entrevista do Boni para uma revista semanal:
Boni: Meu avô dizia assim: neto não é parente. Tenho uma teoria: não conheço nem a família nem a mulher do Boninho (refere-se à atriz Ana Furtado). Como é que o filho dele pode ser meu parente? Quer dizer, eu conheço a menina, mas a família dela vi poucas vezes. A que casou com meu filho Diogo (a atriz Fernanda Pontes) vai dizer que (o filho) é meu neto – não é meu neto, não conheço aquela família, não sei quem é. Acho que é uma defesa afetiva, restrinjo minha preocupação aos filhos. Não vem me chamar de vovô, nem chegar perto de mim, não. Eu sou um avô que presto uma assistência e tal, mas não vem com esse negócio de vovozinho, de brincar comigo, encher a casa de neto, que não quero nem saber. Um de cada vez e distante, por favor (risos).
Enviado por Almir - [email protected]
Publicado em 03/12/2011 Sem qualquer envolvimento no problema, muito interessante, achei, Diodi, a sugestão de final em paz com os herdeiros que nada têm com o problema, afinal, qualquer que tenha sido o motivo do comentado episódio, os mesmos não têm nada com isso, vieram ao mundo porque tinham que vir. Concordo plenamente com você, Asciudeme, "não compete a nós julgar principalmente o que é veiculado pela mídia". É sabido que não em todos dela que podemos dar fé, infelizmente. - Abraços - Pedro Luiz Enviado por Pedro Luiz Boscato - [email protected]
Publicado em 29/11/2011 Heitor, gostei! Têm pessoas que só sabem criticar e se julgam donos da verdade.Tostão (professor de Medicina) Sócrates ( médico ) Kaká, não sei, mas não é analfabeto, Rogério Ceni... ídem. Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
Publicado em 29/11/2011 Hoje lembrei-me de um sábio proverbio árabe..."OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA..." - Flavio Rocha Enviado por Flavio Rocha - [email protected]
Publicado em 29/11/2011 E o REI, passou... Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 É... às vezes, os ídolos têm pés de barro. Foi, sem dúvidas o maior de todos que vi jogar. Mas ai ela pisou na bola e pisou feio mesmo, até porque bastava olhar para moça para ver que era filha dele mesmo. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 Diodi, como vc não mencionou o nome da celebridade, posso imaginar quem seja. Como vc, me abstenho de mencionar. Se não houve até hoje um reconhecimento de herdeiros, do próprio sangue, no alto de sua glória terrena um dia vai sentir um profundo remorço que não será nada lisongeiro pra ele. Seu testemunho é muito interessante e bem redigido. Parabéns, Okamoto.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 Okamoto, aprecio muito as suas histórias, mas considere que a vida é assim mesmo. A escala de valores vai mudando. Mas a soma de valores positivo do nosso ídolo é maior que seus defeitos que, aliás,todos nós temos. Não compete à nós julgar principalmente o que é veiculado pela mídia. Abraço. Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 Steve Jobs jamais renegou seu Pai biologico,ou foi um cara revoltado (basta ler sobre sua vida) apenas deu a ele o que o mesmo quis receber quando o deu para adoção por questões religiosas (Deus o perdoe) de familia, uma total e absoluta indiferença por alguém que não quis nem conhece-lo mesmo quando era criança, no que fez muito bem. De qualquer forma é muito complicado analisar coisas de foro intimo, como esse que voce relata no seu texto, fatos cujo contexto expõe uma visão unilateral. Enviado por Alfred Delatti - [email protected]
Publicado em 28/11/2011 Este senhor foi meu ídolo e de milhões de brasileiros,que ficaram estarrecidos com a frieza do NAÕ!!!para a sua filha A nobreza e a dignidade de sua mãe foi o trofeu que esta moça levou para o túmulo.Ele perdeu seu reinado,e não merece nem ao menos que citemos seu nome Enviado por walquiria rocha fiori - [email protected]
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