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Categoria - Outras histórias São Paulo desconhecida Autor(a): Danilo Mazzi - Conheça esse autor
História publicada em 18/11/2011
Eu tinha exatamente sete anos quando cheguei a São Paulo. Não tinha ideia, mas sabia que cheguei num lugar diferente, bem diferente de onde eu vim.

Desembarquei de um trem na estação Pirituba e fomos para um lugar chamado Capoava, que atualmente é chamado de Avenida Doutor Felipe Pinel, próximo a estação de Pirituba. Chegamos bem nas festas Juninas, que na época eram comemoradas com soltura de balões, fogueiras com batatas doces assadas e quentão, rodeadas por crianças e adultos para se aquecer do frio rigoroso da época em São Paulo.

Lembro-me de que morávamos todos próximos, minhas irmãs mais velhas casadas e meus irmãos. Eu adorava pescar em um riacho que ficava em frente a minha casa, era só atravessar a rua levando um caniço e algumas minhocas para voltar com alguns peixinhos para fritar, era muito bom.

Aí comecei a estudar no primeiro ano em uma escola de madeira do outro lado da linha de trem chamada Jardim Líbano. Tudo era uma grande novidade, eu nadava em um pequeno lago formado pelo mesmo riacho da pescaria. Descobri o futebol, pois até então não tinha conhecido na minha terra natal. Descobri o Santos de Pelé, foi covardia, até aprendi a jogar um pouco.

Comecei então a ter amigos de infância e citarei alguns dos quais me lembro: Elcio, Amauri, Celso, Juraci Leila, Leda. Jogávamos futebol com uma bola improvisada em um pequeno espaço em frente as nossas casas, que eram todas enfileiradas, pois eram casas de uma empresa chamada Armour, produtora de frios e enlatados.

Como a vida de imigrantes naquela época era difícil, meu pai conseguiu fazer uma pequena horta nos fundos das casas e começou a produzir verduras para poder ganhar algum dinheiro a mais, pois a coisa era feia. Eu até ajudei meu pai a vender no Jardim Líbano e na feira que ficava na Chácara Inglesa.

As represas da Armour abasteciam o frigorífico na Vila Anastácio. Pescávamos na represa do senhor Luiz e como troca o ajudávamos a vender o leite que ele tirava das suas vacas, "leite puro".

Enfim o tempo passou, e as pérolas da lembrança ficaram. Outro dia continuarei. Tem muita coisa...


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Publicado em 22/11/2011 Danilo, continue escrevendo sim, pois faz muito bem para a alma! Eu também, no tempo de garoto, torci para o Santos com Pelé & Cia. Aquilo sim era um bom time de futebol. Enviado por Carlos Rocha - [email protected]
Publicado em 20/11/2011 Texto muito bonito e poético lembrando de São Paulo do passado e da infância.Parabéns! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - [email protected]
Publicado em 19/11/2011 Danilo... Suas lembrança tem sabor, aroma,que hoje nos faz muito bem e nos mantem alimentados.Parabéns Enviado por orlando francisco gonçalvecs - [email protected]
Publicado em 18/11/2011 Sr.Mazzi, as recordações mais saborosas são essas de lutas e sacrifícios pois deixam um sabor de dever cumprido, de valorizar o que se conquistou. Um abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 18/11/2011 Danilo, me identifico com essa São Paulo periférica e provinciana. Na verdade, era como se os vizinhos todos fizessem parte de uma grande família. E a garotada brincava livre nos campinhos dos bairros.Escreva mais.
Abraços.
Enviado por Cida Micossi - [email protected]
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