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Categoria - Outras histórias Meu amigo rico Autor(a): Daniel Coutinho - Conheça esse autor
História publicada em 04/11/2011

Pois bem, já contei minha "Historia de office boy" ocorrida nos anos 80 e publicada em 2009, falando como passava e passeava trabalhando no centro, agora vou falar um pouco dos meus finais de semana (antes de conhecer meus também amigos argentinos) que vai render um relato logo mais.

Aos meus 16 anos até tantos... Morava em Santo Amaro, perto do Centro Empresarial, quando chegava à sexta feira saia voando do trabalho, próximo a estação Santa Cruz e ia para casa, já com o “esquema” para o fim de semana montado.

Chegava em minha casa, arrumava a minha mochila, emborrachada da marca OP, me despedia dos meus pais e irmãos, pegava o ônibus Jardim São Luiz x Praça das Bandeiras, sempre por volta das 17h30, descia na Avenida Santo Amaro, perto do Hospital São Luiz, e pegava qualquer outro ônibus que subia a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, pois estava indo para a casa do meu amigo rico Danny Jones. Rico não por causa da situação financeira do meu querido e considerado "Tio" Paulo, mas pelo fato de eu ter adquirido muito conhecimento ao lado desta família, e conhecimento para mim é riqueza.

Enfim, quando o ônibus começava a subir a Brigadeiro, meu coração começava bater mais forte, pois sabia que teria um final de semana dos melhores. Descia no ponto próximo ao Hospital Brigadeiro e como meu amigo morava na Rua Padre Manoel da Nóbrega, eu teria que subir até a Alameda Santos e voltar descendo a Nóbrega, ou tinha a opção de cortar caminho por dentro do Hospital, detalhe, passava no corredor ao lado do necrotério. Confesso que não era a melhor sensação, mas a pressa de chegar à casa do meu amigo superava o medo.

Sempre que chegava à portaria (o condomínio possuía dois prédios, ele morava no “Mansão Monet” e alguns amigos dele no “Mansão Degas”) o porteiro já me conhecia e mandava subir, ele morava no 13º andar, quando o elevador ia subindo, se a mãe dele estivesse em casa eu já ia escutando desde o primeiro andar o piano tocando e ela cantando ópera (foi quando comecei a conhecer e gostar deste tipo de musica), conforme o elevador subia, o som ia ficando mais alto.

No começo tocava a campainha, fato que muitas vezes ninguém ouvia e ficava esperando acabar a música para tocar de novo... Mas tempos depois, já como parte da família, entrava direto, o Danny já estava preparado para mais uma partida de futebol na quadrinha do prédio, afinal, futebol era comigo mesmo, quando a molecada do prédio não estava e não rolava o futebol, não tinha problemas, jogávamos gol a gol. Algumas vezes também jogávamos tênis, que até então eu nem sabia direito o que era isso, mas acabei aprendendo um pouco, e aquela quadra presenciou várias partidas entre eu e o Danny.

Ele tinha outros irmãos, o André, gente finíssima, ficava ouvindo música (rock n’ roll) até de madrugada com fone enormes no ouvido. A família até hoje sabe o que é boa musica, o bom e velho rock clássico. Já o Paulinho era, sem duvida, o mais roqueiro de todos. Quando começava anoitecer, ele já se aprontava pra ir ao Belenzinho, nos bares de rock... Chegava no outro dia de manhã chapado, teve um dia que chapou tanto, que caiu por cima de mim enquanto eu dormia.

A "Celena" estava sempre estudando, por isso é um poço de sabedoria, mas os irmãos “zuavam” muito ela. Já a Grace, bom não tinha muitas lembranças, mas me lembro que era meio patricinha... Desculpa aí Grace! Hoje esta casada com um grande amigo palmeirense como eu, o Marquinhos
.
O tio Paulo, como disse, era uma das pessoas que eu mais admirava, brincalhão, inteligente e me tratava como filho até quando precisava chamar a atenção.

Para resumir, vejam algumas lembranças desse tempo: Filmes no Cine Gemini ou Gazeta (entre os filmes estavam: “AC DC for those about rock”, “Buck Rogers”, Jornada na Estrelas) entre tantos outros “rolês” pela Avenida Paulista, Rua Augusta e alamedas, ping pong no prédio, bomba na piscina de meio metro de profundidade (algumas vezes de madrugada quando o Paulinho estava por lá), tarde de sábado no “Ibira” (Parque do Ibirapuera), futebolzinho no gramado.

Lembro-me também de uma vez em que passe diante de uma loja da OP e peguei um pôster (achei legal e resolvi tomar emprestado), só não contava com a loja inteira correndo atrás de mim. O Danny não sabia de ria ou se me dava bronca, mas não tinha jeito, eu era da periferia e tinha algumas atitudes que o deixavam assustado...

Mc Donalds da Avenida Paulista, Jack in the Box da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio,a galera do prédio... Quanta coisa! Confesso que foi uma parte da adolescência que me enriqueceu muito e como percebem guardo muitas boas lembranças.

Tempos depois o Danny foi pra Inglaterra e voltou depois de um tempo, o Tio Paulo tinha vendido o prédio e mudado pra Interlagos, mas mesmo assim continuamos sempre ligados.

Aqui foi então mais um pouco da minha vida na "minha" cidade que amo... Afinal, São Paulo é minha cidade de coração.

Para Tio Paulo Jones


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Publicado em 09/11/2011 Eu tambem tive uma pessoa rica de coração,D. Joana que me abrigava em sua casa de apenas 1 quarto.Dormíamos em uma cama de casal como sardinhas em latas eu ,ela e suas 2 filhas minhas melhores amigas ,apenas para assistir Silvio Santos e comer macarrão aos domingos.Minha mãe criava 9 filhos com muita dificuldade e permitia que eu aproveitasse os fins de semana naquela casa tão abençoada.Hoje os filhos deram muito conforto financeiro a ela,assim como eu dei a minha mãe que já se foi .WALQUIRIA Enviado por walquiria rocha fiori - [email protected]
Publicado em 08/11/2011 Gostei muito do seu relato. Mostra-nos um fato raro de acontecer, e penso que aconteceu porque eram estrangeiros. Aqui no Brasil, no meu pensar,a discriminação não é pela cor, pela raça, pela opção sexual, e sim pelas posses. Qualquer um que enricar seja de que cor, raça, sexo, condição, será amado, reverenciado e terá passe livre em todos os setores... Enviado por trini Pantiga - [email protected]
Publicado em 07/11/2011 Sim, morava perto da Av. Maria Coelho de Aguiar, precisamente ao lado do ponto final do Jd. São Luiz, estudava no feirão e trabalhei por alguns meses na books center do Centro Empresarial, perto do bloco B (Rhodia). Enviado por daniel - [email protected]
Publicado em 04/11/2011 Comento aqui, sobre a Tia Lenice (mãe do Danny), a pessoa mais amavél, carinhosa e doce que já conheci. Enviado por daniel - [email protected]
Publicado em 04/11/2011 Daniel!!!! Que legal!
Parabéns pela iniciativa!
Você também é rico pela sua própria definição!
Tudo de bom!
Enviado por Wailza - [email protected]
Publicado em 04/11/2011 Nem sempre foi assim vc foi premiado, por ter conhecido pessoas maravilhosas como a familia de danny ,eu sempre digo q a discriminaçao da pobreza e maior q o de raças, ricos sao mais aceitos do q pobres seja de qualquer raça.
um dia eu mesma fiz isso servi para ricos bebidas em copos de cristal ,e de vidros para outros meu marido me alertou ,eu fiz o q fizeram comigo q vergonha, ate hoje sinto isso, vivendo e aprendendo, afinal somos farinha do mesmo saco e vamos pro mesmo buraco linda historia
Enviado por maria pia tiezzi mirabella - [email protected]
Publicado em 04/11/2011 Uma crônica trazendo doces recordações, Daniel, com a sencibilidade e respeito que merecem seus anfitriões. Parabéns, Coutinho.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 04/11/2011 Daniel , eu tambem morei num desses condominios de dois blocos com quadra poliesportiva que tambem serviu algumas vezes para jogarmos tenis e piscina . Eu tambem tinha uma galera muito legal nessa época, o prédio ficava ou fica nas Perdizes
Vou escrever sobre essa época
Belo relato
Abraços
Alexandre
Enviado por alexandre ronan da silva - [email protected]
Publicado em 04/11/2011 Daniel, voce morava perto da Av. Maria Coelho Aguiar?
Parabéns pela sua história. Essas pessoas devem estar sempre nas suas lembranças, com certeza.
Enviado por Rosaria - [email protected]
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